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Carine Nath

Biomimetismo: Invenções inspiradas na natureza

08 maio 2012 - Por em Ciência e Tecnologia


Não precisamos inventar uma forma de mundo sustentável – ela já existe: a natureza!” disse Janine Benyus.

Benyus é uma grande estudiosa sobre os fenômenos naturais que podemos “copiar” para desenvolver uma forma de vida humana que seja mais compatível com o planeta terra. Em bilhões de anos, a natureza já aprendeu o que funciona e o que não funciona e sabe entrar num equilíbrio constante e ativo que deverá ser exemplo para as novas invenções do homem.

Este princípio deverá mover a próxima revolução científica e deverá basear tanto o desenvolvimento das pequenas coisas (micro) como também o desenvolvimento humano na terra (macro), que na verdade estão intrinsecamente integrados.

Invenções Biomiméticas

Velcro:

O velcro foi inventado em 1941 pelo engenheiro suíço Georges de Mestral. Ele observou no microscópio as pequenas sementes de Arctium, que grudavam constantemente do pêlo de seu cachorro.

Descobriu filamentos que terminavam em pequenos ganchos que geravam uma potente aderência. Assim, ele teve seu momento de “Eureka!” e desenvolveu o eficiente velcro, utilizado tanto no vestuário como na indústria em geral.

Pequenos ganchos de Arctium:

Imagem do velcro visto no microscópio:

O poder das formas – O Martelo inspirado em um Pica-Pau

A forma da cabeça e do corpo do Pica-Pau foi estudado para a invenção de uma martelo mais eficiente. Usar o poder das formas naturais para aumento de eficiência de equipamentos e produtos é algo muito utilizado na indústria, como o exemplo do uso das formas dos pássaros para melhorar a aerodinâmica dos aviões.

Leonardo Da Vinci já havia se rendido à sabedoria da natureza e observava constantemente suas formas para gerar idéias.

Bombas centrífugas, quando são projetadas utilizando as proporções da natureza encontrada em flores como o Copo de Leite, possuem uma eficiência aumentada em até 40%.

Geração de energia através de fotocélulas – Invenção inspirada nas asas da borboleta e folhas

A intensidade da radiação solar (radiância) na superfície terrestre chega até 1.000 watts por metro quadrado, o que representa um enorme potencial energético.

As placas com células fotovoltaicas, inspiradas no processo natural de transformação da luz solar em energia pelas folhas das plantas, geraram um grande avanço para a ciência de energia.

Agora, cientistas do Japão estão estudando as asas da borboleta como base para o desenvolvimento de células solares ainda mais eficientes.

Tudo Começa com o Design

O design é o princípio de tudo, se utilizamos combustíveis fósseis que poluem a atmosfera terrestre é porque o quesito “não poluir” não foi pensado no seu desenvolvimento. A era industrial trouxe muitas invenções que não tinham a natureza como base de criação e das quais nossa sociedade ainda é muito dependente.

William McDonough é um arquiteto que defende que tudo deveria ser pensado no design, para ele “não deveríamos nem pensar em desenvolver algo que não tenha no seu próprio conceito a natureza, suas inspirações e benefícios”. Uma mudança na mentalidade dos designers pode mudar os modos de produção e toda a estrutura e lógica dos negócios.

Tendo a natureza como base, podemos avaliar que os futuros “business” e produtos deverão ser baseados numa mentalidade menos linear e humana e mais cíclica e natural:

Fotos: Fast Company / Yourphotos / Robaid / Foolishmind

Sobre o Autor: Carine Nath ( | G+ )

Carine Nath

Arquiteta fundadora do escritório Ecodhome, desenvolve projetos e consultorias em arquitetura sustentável.

Site: http://www.ecodhome.com.br - Veja todos os artigos de

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