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Arquivo da Categoria ‘Consumo Consciente’

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Zara e o trabalho escravo -Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vocês se lembram do artigo O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas em que conto a origem do termo fast-fashion e o impacto real na vida de milhares de pessoas?

Bom, ontem foi divulgado mais uma das consequências que esta política insana causa: a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) flagrou diversas oficinas contratadas pela Zara com trabalhadores em situações análogas a escravidão.

Para você entender melhor a situação assista o programa a Liga da Tv Bandeirantes que fez uma excelente matéria sobre o tema e filmou uma das oficinas flagradas:


Para mais detalhes, segue abaixo uma reportagem completa da Ong Repórter Brasil que é uma das mais importantes organizações de combate ao trabalho escravo no Brasil.

Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

Em recente operação que fiscalizou oficinas subcontratadas de fabricante de roupas da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, foram libertadas de trabalho escravo contemporâneo em plena capital paulista

Por Bianca Pyl* e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) - Nem uma, nem duas. Por três vezes, equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.
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Tags:confecção, escravidão, escravidão confecção, mão de obra escrava, oficina zara, Roupas da Zara, sweatshop, trabalho escravo, trabalho escravo na zara, zara
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Moda Indomada – O uso de pele de animais na moda é ruim para o consumidor, para o meio ambiente e para os animais

domingo, 1 de maio de 2011

Depois da grande polêmica envolvendo o uso de pele verdadeira em acessórios por uma grande marca aqui no Brasil, acho interessante refletir sobre o que isso representa de fato para o meio ambiente. Estudei para ensinar, alfabetizei crianças e adultos e idosos e entendo que quando escrevemos, trocamos, conversamos, são formas indiretas de educar econscientizar.

Não consigo ver outra maneira de mudar o mundo (a começar pelo meu mundo, minha casa)… Então, fui buscar informações sobre o comércio de peles. Da mesma maneira que já refletimos aqui sobre o Jeans. Sem extremismos, informações que trazem conhecimento, possibilidade de reflexão.

Em primeiro lugar entendemos que o Brasil não tem um histórico cultural de uso de peles. Somos um país tropical, clima nada propício para consumo de roupas ou acessórios com peles verdadeiras. Mas, as tendências surgem – primeiro nas passarelas de países que têm essa cultura e, obviamente, como o mundo fashion em solo brasileiro que andar na rota das tendências, acaba se rendendo à costumes que muitas das vezes nem condizem com nossa realidade. E não deu outra! O uso de peles verdadeiras esteve presente em vários desfiles das coleções de inverno/2011. Alguns de nossos estilistas renderam-se às peles de coelho, raposa, chinchila e nas mais diversas colorações.

Quando vi, achei pesado para nosso estilo de vida. Tanto pelo clima como por todo um questionamento sobre processos sustentáveis cada vez mais contundente por parte do consumidor. É o perfil do consumidor tem mudado! Mas, fui otimista e pensei: as peles verdadeiras não devem sair das passarelas para as ruas. Seria uma controvérsia o uso de peles num inverno ameno.
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Tags:animais, arezzo, consciência, crueldade, direitos dos animais, moda, pele, pele sintética, polêmica, uso de pele
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Entenda as Alterações do Código Florestal e faça a diferença!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

As proposta do novo Código Florestal Brasileiro será votada na Câmara dos Deputados em breve! Deputados ruralistas estão investindo fortemente em uma campanha absurda para remover proteções ambientais e anistiar desmatadores.

Se eles conseguirem, vastas áreas de vegetação nativa ficarão expostas ao desmatamento. Especialistas concordam que as alterações propostas pelos ruralistas para o Código Florestal podem levar a terríveis consequências, como agravamento de enchentes e deslizamentos, assoreamento de rios, perdas para a própria produção agrícola. Mas os ruralistas não escutam e querem aprovar a proposta agora!

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Tags:código florestal, debate, desmatamento, florestal, florestas
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Consumo Consciente – Série de animações do Instituto Akatu

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fiz uma lista de videos no Youtube com todos os episódios disponíveis da série “Consciente Coletivo” desenvolvida pelo Instituto Akatu.

A série é super bem feita e de forma divertida traz questionamentos sobre o o impacto do consumo na natureza e na sociedade. O projeto foi desenvolvido em uma parceria entre o Instituto Akatu, Canal Futura e a HP do Brasil.

Para assistir é só clicar no video, ao final de cada episódio será carregado o seguinte. Se você preferir avançar ou retroceder os episódios use as setinhas no canto do video.

Caso você esteja lendo esta notícia via e-mail será necessário clicar aqui para visualizar o video.

Tags:animação consumo consciente, comércio justo, consumo, Consumo Consciente, reportagem consumo consciente, sustentabilidade
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Moda Verde – A comunidade da moda sustentável

domingo, 24 de outubro de 2010

No encontro Ser Sustentável com Estilo nos encontramos com estilistas, empreendedores e consumidores conscientes e batemos um papo super bacana sobre  moda sustentável.A conversa  foi fantástica e proveitosa e decidimos criar uma comunidade na internet para continuar o debate  e convidar mais pessoas para participar da construção de uma moda mais justa e consciente.

A comunidade foi criada e se chama Moda Verde.

Todos interessados estão convidados a juntar-se a comunidade e compartilhar suas idéias e experiências, é simples é só acessar: www.modaverde.com.br

Vamos juntos!

Tags:discussões moda sustentável, estudo moda sustentável, forum moda sustentável
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Abertura de Simpsons assinada por Banksy protesta contra o trabalho escravo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A famosa introdução de “Os Simpsons” sempre trás um final diferente e divertido e no último dia 10 de outubro nos EUA foi exibida uma versão super interessante e polêmica.

Assinada por Bansky, um fenomenal artista que surgiu no underground londrino, a introdução mostra trabalhadores orientais e crianças produzindo bonecos e dvds de Os Simpsons em condições de escravidão.

Assista a introdução abaixo (se estiver lendo esta notícia via E-mail ou RSS clique aqui para ver a introdução):

Banksy acertou em cheio e criou um roteiro que critica o sistema de produção mundial de produtos para merchandising. Milhares de itens são produzidos por pessoas em situações degradantes e análogas a escravidão um problema que assola o mundo e que é esquecido sob os números de uma economia que não inclui as pessoas em sua balança.

Este problema também existe no Brasil e como já relatado aqui no blog no artigo: “Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa”.

A única saída pra esta situação absurda é nós consumidores exigirmos das empresas produtos livres de trabalho escravo e repensarmos o consumo. Escrevi um post completo sobre o assunto com um video super bacana, acesse: “Conheça o passado de suas roupas”.

Consumo consciente já!

Mais: Banksy no Blog do Nicholas
Indicação: Raini na comunidade Moda Verde

Tags:banksy, simpsons, trabalho escravo
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Torneira-aquário ensina as pessoas a economizarem água

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Como educar as pessoas a gastarem uma quantidade menor de água quando vão ao banheiro? O designer Yan Lu bolou uma maneira bastante criativa e chocante.

Ele criou uma torneira que utiliza a água de um aquário que esta fixado bem na frente da pessoa que irá lavar a mão, quando a pessoa abre a torneira a água do aquário vai escoando. Imagine o susto! Com a sensação de que o aquário vai esvaziar a pessoa fecha rapidinho a torneira.

Mas é claro que o efeito é apenas para conscientização, mesmo que você deixe a torneira aberta o aquário nunca vai se esvaziar. A tubulação da torneira e do aquário são independentes, o esvaziamento vai até um limite e quando a pessoa fecha a torneira o aquário começa a se encher.

Muito bacana né?
Agora quero ver alguém deixar a torneira aberta =D

Mais: Yan Lu
Via: Toxel.com

Tags:design ecológico, economia de água, uso de água consciente
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Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa – Reporter Brasil

sábado, 11 de setembro de 2010

É incrível como uma notícia tão forte como um flagrante de trabalho escravo em pleno século XXI fique desconhecida pelo grande público.

Reproduzi uma reportagem da ONG Repórter Brasil que é uma das mais importantes organizações de combate ao trabalho escravo no Brasil. Visite o site da ONG e conheça o trabalho, é inspirador e contém muitas informações reveladores. Leia abaixo a reportagem.

Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa – Reporter Brasil

Etapas do processo desde o aliciamento até as lojas do magazine foram apuradas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), que aplicou 43 autos de infração, com passivo total de R$ 633,6 mil

Por Maurício Hashizume*

São Paulo (SP) - A ligação entre o trabalho escravo de imigrantes sul-americanos e a Marisa, uma das maiores redes varejistas do país, foi atestada por um novo rastreamento de cadeia produtiva do setor de confecções.

Etapas do processo que se inicia no aliciamento e termina nas lojas do grande magazine foram apuradas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), que responsabiliza a Marisa em 43 autos de infração, com passivos da ordem de R$ 633,6 mil – dos quais R$ 394 mil se referem à sonegação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os auditores exigem também que a empresa faça o registro dos envolvidos, promova a rescisão indireta e pague os direitos correspondentes.

O ponto de partida foi uma operação fiscal da SRTE-SP realizada no último dia 18 de fevereiro, que inspecionou todas as instalações de uma pequena oficina de costura registrada como Indústria de Comércio e Roupas CSV Ltda., em nome do boliviano Valboa Febrero Gusmán.

No sobrado da Igreja ”Boas Novas de Alegria”, localizado na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte da capital paulista, a fiscalização encontrou 16 pessoas de nacionalidade boliviana (uma delas com menos de 18 anos) e um jovem peruano trabalhando em condições análogas à escravidão na fabricação de peças de vestuário feminino para a Marisa, que se apresenta como “a maior rede de lojas femininas do país”.

Oficina de costura fiscalizada produzia peças femininas para a Marisa (Foto: Maurício Hashizume)

De acordo com o site da empresa, são ”mais de 220 lojas espalhadas por todas as regiões do país”; ”mais de 90 milhões de peças vendidas” e “mais de 44 milhões de clientes” frequentam as unidades da rede por ano.

Imigrantes sul-americanos etiquetavam blusas da marca (Foto: Maurício Hashizume)

Nenhum dos que operavam máquinas de costura tinha Carteira de Trabalho e Previdência Social assinada. Todos manejavam peças de um lote da Marisa. A etiquetagem com a marca (veja foto ao lado) era feita no local.

Foram apreendidos cadernos com anotações que remetem diretamente a cobranças ilegais de passagens da Bolívia para o Brasil, a “taxas” não permitidas de despesas designadas com termos como “fronteira” e ”documentos” – o que, segundo a fiscalização, consiste em “fortes indícios de tráfico de pessoas” -, ao endividamento por meio de vales e a descontos indevidos. Há registros de “salários” de R$ 202 e de R$ 247, menos da metade do salário mínimo (R$ 510) e menos de um terço do piso da categoria (R$ 766).

Caderno de anotações exibia cobranças por “pasaje” (passagem) (Foto: Reprodução)

Vários problemas graves no campo de saúde e segurança do trabalho também foram detectados. As instalações elétricas estavam completamente irregulares. Os extintores, com a carga vencida, ficavam ao lado de tecidos amontoados, com alto risco de incêndio, Cadeiras não respeitavam padrões mínimos de qualidade. Uma criança, filha de uma das operárias, estava exposta a acidentes com o maquinário.

As jornadas de trabalho começavam às 7h e chegavam a se estender até às 21h. Nos sábados, o turno transcorria das 7h às 12h, com o restante do fim de semana livre, conforme depoimentos colhidos pela Repórter Brasil, que acompanhou a fiscalização in loco. As refeições eram feitas de modo improvisado nos fundos do mesmo cortiço que abrigava a oficina. O irmão do dono da CSV permanecia todo o tempo junto com os trabalhadores e atuava como um vigia permanente dos imigrantes.

Cobranças por “documentos” e de “fronteira” também foram registradas (Foto: Reprodução)

Os alojamentos também não seguiam normas básicas. Em apenas um cômodo mal iluminado nos fundos de um dos imóveis, construído para ser uma cozinha (veja foto abaixo), sete pessoas dormiam em três beliches e uma cama avulsa. Infiltrações, umidade excessiva, falta de circulação de ar, mau cheiro e banheiros precários completavam o cenário de incorreções. Não havia separação adequada das diversas famílias alojadas na mesma construção.

“A fiscalização se comprometeu, ao lançar a iniciativa do Pacto Municipal Tripartite contra a Fraude e a Precarização, e pelo Trabalho e Emprego Decentes em São Paulo, a intensificar as ações nesse setor da economia”, coloca o auditor Renato Bignami, que atuou no caso. ”Não há distinção de qualquer natureza no sentido de privilegiar determinada empresa em detrimento de outra. Mas tendo em vista nossa escassez de recursos, a SRTE/SP busca priorizar as principais empresas beneficiárias dessa situação, fiscalizando-as e buscando fazer com que cumpram a legislação de proteção ao trabalho”.

Ambiente de trabalho era insalubre, de acordo com equipe fiscal (Foto: Maurício Hashizume)

Na avaliação da médica e auditora fiscal Teresinha Aparecida Dias Ramos, que também fez parte da comitiva e checou até a receita médica de uma das trabalhadoras com doença de pele, as vítimas do trabalho escravo na oficina de costura CSV estavam expostas a distúrbios respiratórios, problemas ergonômicos, e justamente a enfermidades dermatológicas, além das condições psicossociais indesejáveis, por causa do medo constante.

Cadeia produtiva

Quando chegaram à CSV, os auditores encontraram um representante da trinca de empresas Dranys Confecções Ltda., Elle Sete Confecções Ltda. e Gerson Cesar de Almeida Confecções ME. A Dranys tem loja própria e é a marca mais comercial. A Elle Sete compra os tecidos, faz o primeiro corte e dispõe de um cadastro de subcontratadas que executam a parte mais substantiva de costura das peças. A Gerson de Almeida presta serviços de acabamento, passadoria, revisão, arremate e controle de qualidade. Na prática, contudo, as três atuam de modo tão combinado que é muito difícil dissociar os limites precisos entre uma e outra.

Peça-piloto de blusa vermelha da Marisa foi um dos itens apreendidos (Foto: SRTE/SP)

O emissário era registrado da Gerson de Almeida, mas utilizava veículo utilitário da Dranys para, segundo ele, monitorar o trabalho prestado e retirar lotes já concluídos. Aos auditores fiscais do trabalho, ele apresentou nota fiscal emitida em nome da Elle Sete à CSV. Declarou ainda que buscava documento de auditoria do Programa de Responsabilidade Social, executado pela consultoria Bureau Veritas por encomenda para as Lojas Marisa.

Depois das etapas sob responsabilidade da Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete, as peças seriam submetidas à avaliação do magazine. Somente mediante aprovação, a mercadoria seguiria para o Centro de Distribuição Marisa, em Alphaville, Barueri (SP), de onde partiria para as várias lojas da rede pelo país.

No dia 22 de fevereiro, a fiscalização fez inspeções na Dranys (onde foram apreendidos 21 contratos de prestação de serviços de costura firmados com diversos donos de oficinas de costura bolivianos), na Elle Sete (onde tiveram acesso a notas fiscais que revelam o fluxo das peças encomendadas pela Marisa e entrevistaram o operário do setor de modelagem Gerson de Almeida, que declarou desconhecer as atividades da trinca de pessoas jurídicas e aparentemente era utilizado como “laranja”) e na Gerson de Almeida (onde encontraram um dos sócios da Dranys e o próprio Valboa).

Jornada diária de trabalho começava às 7h e chegava até às 21h (Foto: Maurício Hashizume)

Nas dependências da Gerson de Almeida, as condições de trabalho também não respeitavam as normativas. Passadeiras trabalhavam em pé, por longos períodos, em local fechado, bagunçado, sujo e sob altas temperaturas. Na mesma empresa, auditores coletaram informações com um representante comercial que atua na intermediação entre a tríade formada por Dranys/ Elle Sete/Gerson de Almeida e a Marisa. Ele descreveu com detalhes os canais de definição e controle da produção das peças pela rede varejista ao longo do ano.

Além disso, apreenderam desenhos de peças, mensagens eletrônicas com instruções expressas da Marisa e relatório de controle de recusas de peças confeccionadas pela Dranys para a Marisa. Um dos lotes foi reprovado pela Marisa por causa de problemas na costura e no zíper. Todas essas constatações, no entender da fiscalização, comprovam a total ingerência da Marisa no que se refere aos outros elos da cadeia produtiva.

Os auditores fiscais se deslocaram, em 1º de março, para a sede da Marisa e colheram um conjunto de informações que reforçam o diagnóstico do vínculo existente entre a empresa e todas suas “fornecedoras”, vínculo esse que passa pela especificação das peças até a definição dos preços.

Equipe de auditores montou um organograma da cadeia produtiva rastreada (Fonte: SRTE/SP)

Para quantificar o grau de dependência entre as partes, a SRTE-SP apurou que 94,5% do faturamento da Dranys, no período de janeiro de 2009 a fevereiro de 2010, foram obtidos em encomendas da Marisa.

“Após toda a análise dos locais de trabalho, das entrevistas realizadas e dos documentos auditados, concluímos tratar-se de uma rede de empresas a fundamentar a subordinação reticular”, definem os autores do relatório de fiscalização. A GSV, segundo a SRTE/SP, “presta serviços de costura, com mão de obra escrava, com total exclusividade para a empresa Marisa Lojas S.A”.

Para a equipe fiscal, a Marisa é “inteiramente responsável pela situação encontrada” e ”comanda e exerce seu poder de direção e ingerência de diversas formas sempre no sentido de adequar a produção de peças de vestuário à sua demanda, com exclusividade, a seu preço e à sua clientela”.

Durante a fiscalização, Valboa confidenciou à reportagem que buscava “vales” (com metade do valor final das encomendas) junto às empresas intermediárias, antes mesmo de terminar o serviço, para poder pagar aluguel e comida. Esses adiantamentos confirmam a falta de autonomia financeira do dono da oficina para manter negócio próprio.

Caracterizadas como “pseudoempresas interpostas” pela fiscalização, as fornecedoras Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete funcionam, na visão dos auditores, “como verdadeiras células de produção da empresa Marisa Lojas S/A, todas interligadas em rede por contratos simulando de prestação de serviço, mas que, na realidade, encobertam nítida relação de emprego entre todos os obreiros das empresas interpostas e a empresa autuada”.

Peças recebiam etiquetas com preços finais na empresa Gerson de Almeida ME (Foto: SRTE/SP)

O relatório chama atenção para o nível de dependência da rede varejista à sua “marca própria”: 88% dos produtos vendidos são da marca própria “Marisa”. O elevado nível de participação exige, de acordo com a SRTE/SP, forte gestão de fornecedores – em termos de definição de peças, qualidade, logística e preço.

Sonho e partilha
A reportagem conversou com alguns dos trabalhadores que costuravam na oficina CSV. A maioria dos bolivianos vinha de El Alto, no altiplano andino, cidade com cerca de 1 milhão de habitantes, vizinha à capital La Paz, marcada por ser ponto de convergência de migrantes camponeses e indígenas. Eles dizem ter sido atraídos pelos relatos de parentes que migraram anteriormente para o Brasil e têm receio de fornecer qualquer tipo de informação sobre como entraram no país e de como vivem atualmente. O único peruano declarou ser de Cusco e sequer portava o visto temporário concedido pela Polícia Federal.

A maior parte deles cultiva o sonho de retonar em melhores condições à terra natal. Formado em Educação Física, um dos jovens jurou um dia voltar para dar aulas aos pequenos e pequenas de sua comunidade. Um dos mais velhos na oficina de Valboa disse que está no Brasil há três anos, pensa sempre em rever a família na Bolívia, mas nunca conseguiu materializar o seu intento. “Mas este ano eu voltarei”, declarou, esperançoso.

Durante inspeção na sede da Marisa, auditores encontraram as mesmas peças (Foto: SRTE/SP)

Em depoimentos à reportagem (vigiados de perto pelo irmão do dono da oficina de costura), disseram receber receber de R$ 500 até R$ 700 por mês, em períodos de maior intensidade do trabalho. Segundo eles, com o que recebem, é possível, pelo menos em alguns meses ao longo do ano, enviar remessas de US$ 100 para parentes na Bolívia.

Registros dos cadernos apreendidos ajudam a desvendar, porém, os reais beneficiários do empenho dos imigrantes sul-americanos. Anotações mostram que Valboa chegara a pagar, em empreitada recente, míseros R$ 1,33 por peça aos trabalhadores de sua oficina. Para o lote da Marisa/Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete, os costureiros e costureiras declararam que receberiam cerca de R$ 2 por blusa.

Em depoimento, Valboa, dono da CSV, declarou que receberia das intermediárias Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete efetivamente R$ 4 por cada peça costurada. A nota fiscal emitida pela Elle Sete apresenta, porém, o valor de R$ 7 por blusa costurada. Deduz-se, por conseguinte, que essa diferença de R$ 3 por peça entre o que aparece na nota e o que seria pago à oficina de costura era embolsada pelas intermediárias.

Partilha do valor pago por uma peça vendida pela Marisa
R$  2,00 (4%) – Trabalhador
R$  2,00 (4%) – Dono da oficina (CSV)
R$ 17,00 (34%) – Intermediárias (Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete)
R$ 28,99 (58%) – Lojas Marisa
R$ 49,99 – Preço Final

As “fornecedoras”, por sua vez, receberiam, conforme outra nota apreendida, R$ 21 por peça da Marisa. Durante a inspeção dos auditores à sede da Gerson de Almeida, no bairro do Bom Retiro, as mesmas blusas estavam recebendo etiquetas com o preço final ao consumidor de R$ 49,99.

Grosso modo, os R$ 49,99 que porventura vierem a ser pagos por uma cliente da Marisa estão assim repartidos: R$ 2 para o trabalhador (4%), R$ 2 para o dono da oficina (4%), R$ 17 para os intermediários (34%) e R$ 28,99 (58%) com a Marisa.

Questionada pela reportagem, a Marisa afirma que, inicialmente, o preço indicado nas etiquetas não é necessariamente o preço final de venda, podendo a peça ser vendida a preços inferiores devido a diversas circunstâncias de mercado (giro de produtos, aceitação do consumidor, mudança de estação, etc). “Em segundo lugar, os preços praticados pelos fornecedores diretos da Marisa junto aos demais elos da cadeia produtiva escapam a qualquer ingerência de sua parte. Por fim, vale observar que o custo com a mão de obra (distribuído nos diversos elos da cadeia) é apenas um dos vários componentes formadores do custo final (tributos, marketing, modelagem, distribuição, matéria prima etc.)”, complementa a rede varejista, por meio de advogado.

Blusa exposta para a venda em unidade da Marisa na capital paulista (Foto: Maurício Hashizume)


Notificações e dificuldades
A SRTE/SP notificou a Marisa a proceder o registro imediato dos 17 trabalhadores e trabalhadoras encontrados na oficina de costura CSV, efeturar a rescisão indireta e pagar as verbas rescisórias, na presença dos auditores fiscais responsáveis pela ação, no próximo dia 5 de abril 2010.

“Faremos a assistência a essa rescisão. Se não houver, na ocasião, a apresentação de todos os documentos que propiciem a conferência dos cálculos e a completa quitação dos valores rescisórios, a empresa será notificada a apresentar rescisão complementar e fazer o pagamento suplementar, tantas vezes quantas forem necesárias para a conferência e quitação”, afirma Luís Alexandre, da SRTE-SP, que também atuou no caso.

Famílias de bolivianos viviam em alojamentos  inadequados (Foto: Maurício Hashizume)

A Marisa foi avisada do envio do relatório da fiscalização à Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE), bem como aos demais órgãos, como a Polícia Federal (PF), para apuração dos indícios de tráfico de pessoas, às Receitas Federal e Estadual, em virtude de sonegação de tributos, e a representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público Federal (MPF).

O auditor Renato Bignami enumera uma série de motivos pelos quais a equipe optou por não promover o resgate dos trabalhadores, como ocorre nas libertações de condições análogas à escravidão no meio rural promovidas pelo grupo móvel de fiscalização.

Primeiro, os nacionais dos países que fazem parte do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), Bolívia e Chile, por força do Decreto n. 6975, de outubro de 2009, têm direito a permanecer provisoriamente no Brasil. Neste caso, o único impedimento para a concessão do visto de dois anos é a existência de antecedentes penais ou policiais. Sendo assim, o resgate com consequente reenvio de bolivianos estaria descartado.

Sete pessoas dormiam num cômodo construído para ser uma cozinha (Foto: Maurício Hashizume)

Segundo, muitos dos trabalhadores da oficina CSV vivem no Brasil acompanhados de suas famílias (com esposas e filhos, que não raro frequentam escolas e já foram alfabetizados em Português), diferentemente dos libertados das fazendas brasileiras mantêm famílias em suas cidades de origem. O reenvio desses sul-americanos aos países de origem poderia causar “um trauma maior”, na visão de Renato.

Terceiro, esses trabalhadores têm pertences pessoais como eletrodomésticos, roupas, móveis etc. O transporte desses bens para os países de origem seria inviável. E quarto, não há estrutura pública de abrigo provisório que pudesse acolher essas famílias caso houvesse de fato o resgate.

Renato ressalta que não existem procedimentos definidos para o resgate em ambiente urbano, específico para trabalhadores estrangeiros. Faltam ainda dados confiáveis a respeito desses trabalhadores (Onde estão? Quantos são? Para quem trabalham? Quem os trouxe? Como vieram?).

Refeições eram preparadas em local improvisado, sem obediência às normas (Fonte: SRTE/SP)

O auditor pede uma articulação mais efetiva dos órgãos públicos em torno da questão e destaca os problemas da falta de confiança nos agentes do poder público (“pacto de silêncio”) e da baixa conscientização do consumidor brasileiro.

Acordo e posição
Pressionada por denúncias anteriores, a Marisa – assim como as outros magazines do setor – já tinha assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2007. No documento proposto pela Procuradoria Regional do Trabalho da 2a Região (PRT-2), a rede varejista se compromete a tomar providências (por meio de advertências no site, cláusulas em contratos comerciais e de visitas periódicas a fornecedores) no sentido de evitar ligações com oficinas com trabalho ilegal.

Quadro de luz da oficina resume o estado das instalações elétricas (Fonte: SRTE/SP)

Em resposta à Repórter Brasil, a Marisa insiste que “não mantém e nunca manteve vínculos com trabalhadores estrangeiros em situação de vulnerabilidade ou trabalhadores contratados com condições de irregularidade” e que ”a situação detectada pelos auditores não é de responsabilidade direta ou indireta da Marisa”.

“É importante registrar que a Marisa cumpre rigorosamente o TAC celebrado com o Ministério Público do Trabalho”, completa o advogado José Luis Oliveira Lima, que respondeu em nome da empresa. “Pelo TAC, a Marisa não ficou responsável pela cadeia produtiva, mas sim pelos fornecedores devidamente credenciados, e não há no relatório de inspeção nenhuma constatação de trabalho [escravo] nesses fornecedores”.

Segundo o advogado, a Marisa foi “além no cumprimento do TAC” e ”solicitou auditoria não apenas nos seus fornecedores credenciados, mas também nos fornecedores destes”. A empresa não esclarece, porém, nem quais são os critérios adotados e nem se as subcontratadas da Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete, caso da CSV, foram em algum momento auditadas.

Extintor vencido era usado para pendurar objetos como cadeados, arame e cabides (Foto: SRTE/SP)

A empresa, que alega ter investido cerca de R$ 30 milhões nos últimos três anos em responsabilidade social, sustenta que não existe conivência ou incentivo à subcontratação. “Cada contratado se organiza segundo critérios próprios, inerentes a particularidade de cada segmento. A Marisa não tem acesso ou ingerência à estrutura de custo de seus fornecedores”, acrescenta a rede varejista, que nega ter controle do conjunto do processo produtivo, como afirmam os auditores fiscais.

Por iniciativa da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim) – que engloba outras redes como C&A, Riachuelo e Renner -, a Marisa anuncia que a implantação de um novo modelo de certificação voluntária para combater condições degradantes de trabalho já está em fase avançada de negociações.

Detalhe de uma das infiltrações em quarto utilizado como alojamento (Foto: SRTE/SP)

“A Marisa, sempre com o intuito de aperfeiçoar o seu controle aos fornecedores, encampou a iniciativa da Abeim. Esse sistema vem sendo desenvolvido desde agosto de 2009, sendo um processo complexo que envolve várias empresas do mercado, inclusive, empresas certificadoras”, adianta. A grande novidade, confirma o advogado, é a união de forças com a finalidade de aumentar o controle no setor. “O modelo proposto visa atingir a cadeia produtiva numa maior profundidade, considerando sua enorme pulverização”.

Para a Marisa, “o mercado não pode prescindir de ações de fiscalização conjunta envolvendo os aparatos de fiscalização dos fiscos Federal e Estaduais”, com a finalidade de alcançar ”todos os atores econômicos pelos quais se encontra pulverizada a cadeia produtiva do setor”.

Pacto e mercado
As posições apresentadas pela Marisa não convenem Eunice Cabral, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco. Segundo ela, os grandes magazines têm responsabilidade e “querem se omitir”. ”Não estamos falando de lojinhas de fundo de quintal”, emenda a dirigente. A denúncia que suscitou a fiscalização doi encaminhada pela entidade de Eunice.

O próprio preço praticado pelas redes varejistas, na análise da sindicalista, não reflete os custos de produção e embute a conivência com a precariedade negada pela Marisa. “É impossível comercializar produtos a preços tão baixos cumprindo tudo o que a lei determina. Isso é concorrência desleal”, prossegue. “Quem faz tudo direitinho acaba sendo prejudicado”.

O número de costureiras na região caiu de 180 mil, na década de 1990, para cerca de 80 mil, em 2006. Como a demanda do setor de confecções aumentou durante esse mesmo período, a situação flagrada na oficina de costura CSV seria, para Eunice, um dos principais motivos para a redução drásticas de empregos formais no setor. “O Brasil é grande e estamos de portas abertas para receber gente de outros países. Mas as leis precisam ser cumpridas e todos precisam ser tratados com dignidade”, conclui.

Os auditores fiscais responsáveis pelo caso reconhecem que, diante do emaranhado de pessoas jurídicas intermediárias resultantes da subcontratação (terceirização, quarteirização, quinteirização etc.), a empresa tomadora principal acaba perdendo o controle da mão de obra que está “na ponta”. “Mas no caso específico da Marisa, o que se verificou foi a simulação de contrato de fornecimento, sendo que a empresa mantém a ingerência sobre todos processos que envolvem a produção”, reitera Luís Alexandre.

“Não existe, ainda, um diploma legal que discipline de maneira adequada e suficiente a terceirização de serviços, deixando essa questão inteiramente para o mercado – leia-se, a ´lei do mais forte´”, complementa o auditor.

Os integrantes do Grupo de Combate à Fraude nas Relações de Trabalho e à Terceirização Irregular da SRTE/SP avaliam que a Lei de Anistia Migratória, ao facilitar a concessão de vistos provisórios durante o segundo semestre do ano passado, criou um ambiente favorável à regularização, inclusive do ponto de vista trabalhista. No entendimento deles, o empoderamento dos imigrantes (com a conscientização sobre direitos, a qualificação profissional e a eliminação de aliciadorees que atuam no tráfico de pessoas) é essencial.

Ainda nesse sentido, a SRTE/SP recomenda, por parte das empresa, o cumprimento integral do disposto no Anexo I do Pacto Contra a Precarização e Pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Setor das Confecções. “Uma parte importante do empresariado ainda não aderiu”, conta Renato.

A Marisa e outras redes magazines da Abeim foram convidadas a aderir ao Pacto Municipal Tripartite, mas declinaram. Aos auditores, a Marisa declarou entender que, por já possuir um TAC firmado com o MPT, não lhe competia ir além dos estritamente acordado nesse âmbito. Já o advogado da empresa declara que as negociações envolveram entidades associativas (e não empresas individualmente consideradas) e a divergência “envolveu a oposição à terceirização de forma geral manifestada no pacto”.

Em 2009, a Marisa teve aumento de 7,4% da receita líquida que, projetada pelo alto consumo da classe C, saltou para R$ 1,5 bilhão. A empresa deve abrir 39 novas unidades em 2010. A rede está investindo pesado nas vendas pela internet. E apesar de todos os problemas apontados pela fiscalização, a reportagem registrou (veja foto acima) exemplares da mesma blusa fabricada pelos imigrantes latino-americanos submetidos à escravidão sendo vendidos, nesta terça-feira (16), em loja da Marisa na capital paulista.

Consultas feitas pelos auditores ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) permitem inferir que as outras seis oficinas de costura (cinco delas também pertencentes a bolivianos) que fabricavam a mesma blusa para a Dranys/Gerson de Almeida/Elle Sete não proporcionavam condições de trabalho muito superiores às encontradas na CSV.

Todas elas jamais tiveram movimentação de empregados, o que, segundo os auditores, denota “a imensa informalidade e precariedade das condições de trabalho nesses locais”. Um dos proprietários dessas oficinas se superou: “emprestou” o Cadastro de Pessoa Física (CPF) de uma outra pessoa no preenchimento de nota emitida para as intermediárias.

*O jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções

Fonte: ONG Repórter Brasil

Tags:bolivianos, exploração de mão de obra, indústrita têxtil, sweatshops, trabalho escravo no brasil
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O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas

sábado, 21 de agosto de 2010

Fast-Fashion (moda rápida ) é um termo utilizado por marcas de roupa que possuem uma política de produção rápida e contínua de peças, trocando semanalmente ou até diariamente a suas coleções. O conceito foi criado por grandes varejistas da europa como H&M e Zara e basicamente prega a produção e o consumo rápido.

“- A loja cria uma relação mais intensa com o consumidor, porque educa o cliente a não esperar por liquidações. Se ele não comprar logo a peça de que gostou, semana que vem ela já pode ter sido vendida. O cliente passa a ir mais ao ponto de venda e, em conseqüência, compra mais.” Define alberto Serrentino, sócio-sênior da Gouvêa de Souza & MD, consultor especializado em varejo em uma matéria no site Mercado Competitivo postada no blog Fashion Bubbles.

Na mesma matéria João Bailey, sócio da Checklist diz que o aumento da produção garante preços mais acessíveis. Isso, além das novidades das araras, atrai os clientes às lojas: “- Essa estratégia do fast fashion atinge em especial a cliente que vai usar de três a cinco vezes as nossas peças. E, depois, quer novidades. “

Mas espere um pouco,  a conta simplesmente não fecha, como é possível aumentar absurdamente o número de peças e modelos e ainda diminuir o preço?

Por trás do slogan “sempre temos novidades” a verdadeira intenção do Fast Fashion é produzir e vender o mais rápido possível. Ele é um movimento liderado e forçado por grandes varejistas que movimentam milhões de doláres e consequemente milhões de pessoas, sim, as pessoas que não foram citadas em nem sequer uma linha da grande maioria das matérias que li sobre o assunto.

Foto: Eugene Hoshiko/Associated Press

Também questionando esta conta irracional a jornalista do Guardian Lucy Siegle escreveu uma matéria que investigou o impacto desta política  nas fábricas e nas pessoas que produzem estas roupas.

As fábricas destes grandes varejistas estão localizadas em países subdesenvolvidos como Cambodia, Bangladesh e Índia aonde é comum o trabalho análogo à escravidão infantil. É basicamente uma constante as pessoas que produzem estas peças tem péssimas condições de trabalho e salários baixíssimos.

Ela pede para visualizarmos: “Imagine uma fábrica  recebendo um fax de última hora ´pedindo´ para que uma peça seja modificada. Ela não tem capacidade, mas você acha que eles irão recusar um pedido de seu cliente? É claro que não, eles simplesmente vão dar um jeito de atender a este pedido”. Adivinhe quem sofre neste processo? Claro as pessoas que serão exploradas a trabalhar mais, em piores condições e com um prazo menor.

E os grandes varejistas aproveitando a posição de poder continuam a pressionar estes fornecedores exigindo prazos mais rápidos e preços mais baixos, as fábricas não querem perder os clientes e fazem tudo o que se pede e toda a “bomba” cai no colo destes trabalhadores que são explorados até o limite.

Neste rítimo frenético não há espaço para respeito, calma, qualidade e muito menos sustentabilidade.

E se você pensa que isto só acontece em países longe daqui ou é exceção é só lembrar o caso que relatamos aqui no blog sobre um dos maiores varejistas brasileiros a Marisa, ela contratou fornecedores que mantinham pessoas trabalhando em semi-escravidão.

O Fast Fashion é uma máxima do consumismo que nos diz: compre freneticamente, descarte o que puder e não pense sobre isto. Nós estamos justamente em um momento em que precisamos repensar as nossas atitudes e ter mais consciência de nossos atos. O planeta esta sofrendo e estamos caminhando rumo a um ecocídio, as mudanças precisam começar conosco.

O fast fashion é ruim para as pessoas e é ruim para o meio ambiente.

Na sua próxima compra pare e reflita alguns segundos, pense na história daquele produto,  quem o produziu e em quais condições?
De preferência a produtos com matérias primas sustentáveis e processos socialmente mais justos. Sim ainda eles são um pouco mais caros e difíceis de se encontrar, mas dê o primeiro passo, troque um produto de sua lista de compras por um produto mais consciente e vá fazendo aos poucos, sua atitude irá manter viva as empresas que fazem diferença e sua ação vai melhorar a vida de milhares de pessoas.

Tags:comércio justo, Consumo Consciente, fast fashion, moda rápida
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A História dos Cosméticos

quinta-feira, 29 de julho de 2010


Confira em primeira mão o novo video da série “Story of Stuff Project” chamado “A história dos Cosméticos“  legendado em português.

Muito obrigado ao Guilherme Machado e toda a sua equipe por legendar este ótimo video!

The Story of Stuff é uma série de animações que trata de temas como consumo consciente e sustentabilidade de uma maneira bem direta e dinâmica.

Já postamos aqui no blog os episódios: “Conheça o passado de suas roupas” e “A Terrível História das Gárrafas de agua“.

Neste episódio você vai conhecer a verdade história da produção de cosméticos., será que estamos utilizando estes produtos de maneira segura e saudável? Eles são livres de químicos que prejudicam a sua saúde? Assista e descubra!

Tradução: Fernando Soares, Guilherme Machado, Patrícia Fish. Apoio de  Michèle Sato.
Muito obrigado Guilherme e equipe!

Se você estiver lendo o artigo pelo e-mail será necessário clicar aqui para ver o video.

Mais: Story of Stuff Project / Free Range Studio

Tags:a história dos cosméticos, cosméticos sustentáveis
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Moda Sustentável no Programa Login da Tv Cultura

sexta-feira, 9 de julho de 2010

No dia 7 de Julho o programa  Login da Tv Cultura falou sobre  moda sustentável e moda plus. O programa foi fantástico e contou com a presença da Carla Manso e da Alice Lobo (@alicelobo) do ótimo blog Verdinho Básico. O programa contou com entrevistas e possui muitas informações e dicas bacanas sobre moda sustentável , vale muito a pena assistir.

Se você perdeu o programa  assista ele na integra clicando aqui!

O Coletivo Verde fez uma participação especial sendo indicado na lista de sites que divulgam a moda sustentável. Ficamos muito honrados e agradecemos a produção e aos apresentadores do Login pela indicação =))

O programa Login vai ao ar de segunda a sexta das 19:00 as 20:00.

Altamente recomendado =)

Tags:entrevista sustentabilidade, moda ecológica, moda sustentável, reportagem sustentabilidade
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Eco Choice – Loja virtual de produtos Sustentáveis

sábado, 19 de junho de 2010

É sempre muito difícil encontrar produtos sustentáveis e bacanas para comprar na internet, não é? Percebendo este problema as curitibanas Janete e Carol criaram a loja virtual multimarcas Eco Choice.

A fim de facilitar a vida dos sustentáveis e disseminar o consumo consciente a Eco Choice faz uma seleção de produtos sustentáveis bacanas e os disponibiliza em sua loja virtual.

A loja foi lançada no dia 16/06/2010 e já possui  uma gama de produtos bastante interessante e variada como bolsas, sapatos, blusas, vestidos e acessórios e contém marcas super bacanas, vale a visita e uma comprinha =)

Visite o site: http://www.ecochoice.com.br

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Tags:ecochoice, Produtos Ecológicos, produtos sustentáveis
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