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Zilah Rodrigues

Comunicação ambiental: você sabe o que é isso?

Comunicação ambiental parece uma coisa simples, mas não é. Não se trata do fato de simplesmente usar uma mídia e falar sobre meio ambiente. A Comunicação Ambiental envolve universos distintos e dentre eles, os principais são o da comunicação, com suas mídias e todo seu alcance, e o meio ambiente, com suas particularidades.

Quando falamos em comunicação ambiental não temos a exata noção da proporção do que ela é capaz de abranger.  Ela certamente não se refere somente à comunicação que vemos nas grandes mídias, feita por grandes empresas. Este tipo de comunicação está inserido em cada setor da sociedade das mais diversas formas. Dentro de casa, na escola, no bairro e em boa parte dos lugares por onde circulamos, se repararmos bem, tem sempre alguém querendo dar uma atenção a mais à questão ambiental.

Para termos uma noção do que a Comunicação Ambiental é capaz de abranger, podemos notar que ela está diretamente ligada a atuação de órgãos governamentais como a Defesa Civil, empresas cujo atividades impactam o meio ambiente, órgãos reguladores, políticas públicas, enfim, é uma gama de setores e atividades que tentam promover a interlocução entre organizações governamentais ou não e sociedade.

Hoje em dia está na moda falar sobre meio ambiente. Mas, até que ponto esse monte de informação está ajudando a promover a mudança de atitude nas pessoas em prol de um mundo mais sustentável? Até que ponto a comunicação ambiental empresarial não passa de um greenwash?

união coletivo rede

Nesse caso, é intrínseca a diferenciação entre o que é de fato comunicação, o que se caracteriza pela bilateralidade e troca de informações e o que é propaganda, o que visa a promoção de uma marca ou produto, muitas vezes não levando em conta a opinião do receptor.

Sem dúvida o tema meio ambiente ocupa hoje um lugar de destaque na mídia mundial. Independentemente de qual for o enfoque, falar de meio ambiente hoje requer muito cuidado. As pessoas não admitem informações distorcidas e tendenciosas, sobretudo quando se fala de meio ambiente.

ciclo verde

Exemplo disso foi a mineradora Vale, que no início do ano de 2012 recebeu o título de pior empresa do mundo. Apesar de todos os esforços da comunicação para que a Vale parecesse uma empresa ambientalmente e socialmente responsável, nada substitui ações de caráter verdadeiro quando se diz respeito aos direitos humanos, condições de trabalho e exploração da natureza. Para ler mais sobre o assunto, acesse: Estadão e G1

A comunicação ambiental pode causar um estrago ou pode contribuir para a construção de pessoas ambientalmente mais conscientes. Depende de como ela é feita e de quais os interesses estão por trás.

A comunicação ambiental, assim como a comunicação como um todo, só depende do modo como é feita e utilizada. Quando respaldada por ações consistentes, pode ser a garantia de sucesso de uma empresa.

No mês passado, o Dan e a Zilah, colegas e colunistas do Coletivo Verde, participaram do V Congresso Brasileiro de Comunicação Ambiental em Belo Horizonte. Após uma série de debates sobre comunicação ambiental os dois deram seus depoimentos sobre o assunto:

Dan Lima, Advogado e Consultor em Sustentabilidade

“O Congresso foi legal, mas deixou claro o quanto precisamos avançar neste assunto. Todo mundo está tentando fazer comunicação ambiental. A preocupação é que ainda estamos reproduzindo velhos formatos que não trazem qualquer ganho ambiental. As empresas e os órgãos públicos continuam fazendo propaganda. As empresas insistem em fazer os imensos, enfadonhos e desnecessários relatórios anuais de sustentabilidade. Livros bonitos, bem encadernados com fotos maravilhosas, tudo para dizer que a nossa empresa leva um grupo de crianças para plantar árvores. Francamente, comunicação ambiental não pode ser apenas isso. A comunicação ambiental pressupõe um trabalho contínuo de conscientização de todas as pessoas envolvidas.”

Zilah Rodrigues, 27 anos, publicitária, assessora de projetos no Terceiro Setor

“O lado mais interessante de participar desse congresso foi ver que a comunicação ambiental não se limita a profissionais de comunicação, é praticamente indispensável que profissionais de outras áreas acompanhem o processo que envolve conhecimento técnico sobre diversos assuntos.

Durante os dias em que estive presente no evento, a principal conclusão a qual cheguei foi que para trabalhar com comunicação ambiental ou com qualquer outra coisa, antes de tudo, é preciso acreditar no que você faz. Foi decepcionante ver um colega de profissão (não me lembro o nome e acho que não caberia citar aqui) com opiniões tão divergentes, acreditando que a comunicação não é capaz de cumprir seu papel de informar as pessoas e gerar mudanças de comportamento.

Como dito antes, a comunicação ambiental envolve uma série de conhecimentos técnicos que não são de domínio exclusivo dos comunicadores. Se um profissional de comunicação não acredita naquilo que faz, me resta pensar que um de nós dois está no lugar errado. Ou ele, ou eu.”

Leia mais em http://www.escritorvilmarberna.com.br/artigos/comunicacao-ambiental/dez-mandamentos-da-comunicacao-ambiental.html

Sobre Dan Lima e Carol Guilen ( @carol_guilen )

Dan Lima e Carol Guilen

Ele, advogado, ela, bióloga. Um casal de consultores em Sustentabilidade: dentro de casa é que começa o exemplo!

Site: http://donossoquintal.wordpress.com -Veja todos os artigos de Dan Lima e Carol Guilen

Sobre o Autor: Zilah Rodrigues ( @Ziilah | G+ )

Zilah Rodrigues

Publicitária, assessora de projetos no 3º setor e crafteira nas horas vagas.

Site: http://www.donadascoisinhas.com.br/ - Veja todos os artigos de

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  • é muito importante o resultado deste trabalho pois leva as pessoas a refletirem sobre as práticas do dia-a-dia, que levam a ótimos resultados contribuindo com o meio ambiente.
    Temos que mudar.
    http://energiamaiseficiente.blogspot.com.br/

  • Apenas uma ressalva: já trabalhei em projetos para a Vale e eles têm excelentes programas ambientais, modelo para outras empresas, principalmente de recuperação de campos rupestres e compensação ambiental (além de financeira, melhoria de conectividade florestal, por exemplo). Acontece que nós, a sociedade, demandamos muuuito minério, e essa demanda leva a muito impacto, não tem jeito. Na minha opinião, o título de pior empresa não foi uma decisão anda justa, pois tem muitas empresas que não estão preocupadas com ecologia quanto essa.