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Guilherme Augusti Negri

Conheça o passado de suas roupas

24 mar 2010 - Por em Vida Verde

Todo mundo é questionado sobre o seu passado, qual é a sua formação? Casou-se? Tem filhos? Quais foram suas realizações? Em todos os momentos de sua vida as pessoas querem ter uma referência de sua história pessoal para ter uma idéia de quem você é.

Podemos fazer uma analogia com os produtos que consumimos, eles também tem uma história e passam por diversas etapas de produção e pelas mãos de muitas pessoas antes de chegar a sua casa. É uma longa história mas que infelizmente as vezes se confunde com um filme de terror.

Qual será a história daquele tênis da moda da Nike,Adidas ou de outra grande marca que estampa as maiores celebridades do esporte? Será que a produção e os seus trabalhadores compartilham de todo o glamour do marketing? A resposta é não.

As grandes marcas da moda foram flagradas explorando seus funcionários em situações de escravidão, familias inteiras inclusive crianças trabalhando em estafantes cargas horárias e em péssimas condições.

É algo chocante, parece até uma história de fantasia beirando a conspiração mas as notícias não param de aparecer inclusive aqui no Brasil.

O Escândalo mais recente foi a autuação de R$ 633,67 mil imposta pelo Ministério do Trabalho de São Paulo a rede varejista Marisa após auditores fiscais encontrarem funcionários estrangeiros em condições consideradas análogas à escravidão, conforme reportagem publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

A situação existe, mas oque nós consumidores podemos fazer?

O grande problema reside em ignorarmos a procedência do produto, não colocarmos peso nestes fatos, se as informações não tem peso na decisão do consumidor não irá ter peso para indústria, na prática quem produz simplesmente irá ignorar ou deixar em baixíssima prioridade ações para mudar esta situação degradante.

O  mini-documentário “A história das Coisas” apresenta exatamente esta reflexão, vale muito a pena ver.Assista a versão legendada abaixo:

 

Acredito que a soluçaõ esta no consumo consciente. Se conseguirmos inserir em nosso dia dia a consciência ao consumir o impacto no mundo será enorme, a mudança de hábito e consequentemente a de valores é a maneira mais duradoura e eficiente  para mudar este quadro. Faça, você irá se surpreender como as pessoas ao seu redor irão se inspirar.

Você pode começar a fazer um exercício nesta semana:

Quando for comprar algum produto observe a etiqueta e descubra em que país ele foi fabricado e pense rapidamente qual é a história do produto:

  • Como será a produção deste produto?
  • Quem fabricou o produto?
  • Em qual condição a pessoa fabricou este produto? Será que ela recebe um salário digno para esta função?

Reflita e pesquise na internet os produtos que mais chamaram a atenção ou geraram mais dúvidas, o resultado é muito interessante.Depois da experiência compartilhe conosco aqui no blog.

Ao longo da semana irei escrever sobre o Comércio Justo, que é uma idéia que combate e propõe uma mudança no ato de consumir e outras ações positivas que nós como consumidores podemos fazer para que este planeta seja transformado em um lugar mais justo e sustentável.

Mais: Story of Stuff
Fotos julosstock (sxc.hu)

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • guilhermerodriguesmachado

    Bom dia pessoal,

    Um projeto da comunidade PERMACULTURA no Orkut, realizou
    a dublagem do vídeo. A versão para download pode ser vista em:

    http://sununga.com.br/HDC/

    Ou também no Youtube:
    http://video.google.com/videoplay?docid=-756866

    Grande abraço,
    Guilherme Rodrigues Machado
    Curitiba, PR

  • Marina

    Realmente estava dias atrás pensando que deveria pesquisar o que eu estava comprando. Fui atás de calçados, e OK, sei de onde eles vêm (matéria prima pelo menos, e lugar). Mas a produção? Já ajudei a fazer calçados qdo eu era criança, me divertia em casa com a minha babá, mas enfim.
    Tenho uma amiga que trouxe um dilema para nossos colegas outro dia: precisávamos de camisetas para uma campanha de Ongs, um evento muito legal que estávamos promovendo. Ela nos falou “gente, não pude aceitar, as camisetas eram de trabalho escravo na China! Desculpem!!!” E ela contou sobre o trabalho do ex-marido (na época estavam juntos). Ele foi para a China a trabalho e foi visitar um fábrica de malha, roupas… Todos os trabalhadores uniformizados, muito bonito. Só que da cintura para cima. Quando ele olhava para baixo da mesa, via pés descalços, ou quase, e sujeira. Fora a presença de crianças…
    Nos voltamos para ela e falamos que nós também nunca vestiríamos camisetas vindas de trabalho escravo…
    Mas voltando ao meu pensamento de dias atrás, como sabemos agora se não estamos fazendo isso? Como sabemos o que estamos usando? Aparelhos eletrônicos (meu marido adora!!!), roupas, calçados, etc! Tudo é trocado o tempo todo. Eu sou um tanto resistente, evito desperdício de dinheiro e produtos, principalmente em função do lixo.
    Parabéns Coletivo Verde pela matéria. Chocante. Para pensar por muito tempo. Refletir e refletir.

  • Marina

    Queridos,
    Terei que comentar novamente a matéria.
    Enviei o link para vários amigos e familiares que não estão acostumados a pensar ou se preocupar em/com meio ambiente. E recebi várias respostas de comoção.
    Novamente venho parabenizar o Coletivo Verde pela postagem!!!
    E gente, não consegui achar o pasado das roupas íntimas da marca que comprei. Sei que a fábrica é no Brasil, pelo que consta na etiqueta, mas só isso!!! Internet não ajudou…

  • Olá Marina como vai? Fantástico o seu depoimento. É realmente
    preucupante a situação das pessoas que trabalham na China, o acesso de
    Ongs de direitos humanos é barrado pelo estado e muito pouco se sabe
    sobre as condições destas pessoas. É triste perceber que as empresas
    que produzem seus produtos desta maneira não se importam e não se
    mobilizam.
    Cabe a nós consumidores boicotar estas empresas que utilizam mão de
    obra exploratória e apoiar as que respeitam a dignidade humana.

    Você conhece o conceito do Comércio Justo? Você vai amar!!

    Abraços e muito obrigado pelo ótimo comentário

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  • Pingback: Abertura de Simpsons assinada por Banksy protesta contra o trabalho escravo | Coletivo Verde - Produtos Ecológicos()

  • No livro “A vida social das coisas” (Arjun Appadurai), apresetnam uma abordagem biográfica das ‘coisas’, pelo ponto de vista antropológico, abordando não só dados t´scnicos, mas culturais, sociais etc. Acho que vale a leitura.

  • Que bacana Débora, vou pesquisar sobre o livro.
    Muito obrigado pela dica =)
    Abraços

  • Sialvs

    É muito bom Guilherme, saber que existem pessoas que se preocupam com o bem estar de pessoas que nem se conhece e realmente contribuem para a concientização de todos nós, pois muitas vezes agimos de maneira irracional e compulsiva, acordamos, deixamos a torneira ligada ao escovar os dentes, sem saber que na África existem pessoas que tomam urina de vaca para matar a sede, jogamos comida fora e deixamos vencer o prazo de validade das mesmas, quando existem crianças no Haiti que comem um “biscoito” feito à base de água, barro e sal, usamos cosméticos testados dermatologicamente em animais, que causam dor e sofrimento e usamos a “roupa da moda” às custas do trabalho quase escravo das pessoas; não é nossa intenção, é claro , causar o sofrimento de pessoas ou animais; queremos usar roupas bonitas,andar perfumados, comer bem, só que as empresas não nos passam o outro lado da história, com isso viramos cúmplices sem saber, de coisas muito tristes, das quais não gostaríamos de participar, portanto precisamos ler mais e não ter preguiça ou comodismo para tentar fazer o certo, parabéns por não guardar o seu esclarecimento só para si mesmo.

  • Ola Sialvs, ótimo comentário.
    Você tem razão, as empresas “escondem” com o marketing o passado dos
    produtos, cabe a nós consumidores investigarmos o passado do que compramos.
    Uma vez sabendo que consumimos produtos danosos a natureza temos que
    boicota-los e divulgar a mensagem e decobrirmos produtos de empresas
    responsáveis espalharmos a mensagem e apoiar esta empresa.

    Vamos juntos!! Valeu pelo comentário =))

  • Cris Borges

    Pois é, Guilherme! Há alguns anos eu soube por fontes muito seguras que a C&A explorava trabalhadores também aqui no Brasil. Fiquei horrorizada! Passei muito tempo sem por meus pés nas lojas da rede. Mas tudo gira em torno realmente do que você disse, sobre consumo consciente. Não há muito o que nós, consumidores, possamos fazer legalmente em uma situação dessas, mas consumir de modo consciente já é o primeiro passo! Parabéns pelo texto!

  • Ola Cris, infelizmente é comum este absurdo acontecer e o mais complicado é
    que ninguém divulga, e as violações da dignidade humana passam
    desapercebidas pelo consumidor. Mas nós podemos começar o movimento e fazer
    diferente! vamos juntos =))
    Obrigado pelo comentário

  • Pingback: De onde vem seus brindes? | Tekoha Blog()

  • Julianabutteri

    simplesmente indispensável essa leitura, obrigada.

    uma coisa, alguem sabe de alguma lista ou site que liste as empresas suspeitas de explorarem seus funcionarios? ou melhor alguma lista ou site que contenha empresas que comprovadamente são responsáveis e produzem de forma legal e sustentável?!

  • Julia Salgado

    Guilherme,

    muito bacana esse texto, assim como o do fast fashion. Além da questão da justiça e humanidade do trabalho, tem questões relacionadas como:

    – é preciso valorizar a produção local, evitando grandes deslocamentos de mercadoria (como acontece no fast fashion);
    – é preciso dar mais segurança e respaldo para que os pequenos produtores locais possam negociar de forma justa com os grandes grupos comerciais;
    – precisamos valorizar mais as materias primas naturais e orgânicas, que poluem e consequentemente matam menos;
    – é preciso criar selos e certificações que atestem a sustentabilidade e a ética dos produtos, assim como já acontece por exemplo com alguns eletrodomésticos…

    São questões complexas, e de fato é preciso haver mudanças de valores para que esse tipo de coisa que você descreveu não aconteça mais… No caso da moda, são muitas mudanças: comprar menos, comprar melhor, reaproveitar mais, reciclar…

    Escrevi sobre isso (junto com o colega Diego Rebouças) no portal O Eco, uma matéria sobre tecidos reciclados. Depois veja e dê sua opinião!
    http://www.oeco.com.br/reportagens/24862-moda-feita-com-reciclagem

  • Ola Juliana, ainda não existe um indice de fácil acesso para pesquisa, oque
    existem são certificações e padrões de selos infelizmente ainda são raras
    empresas que o adotam. Nós do Coletivo Verde temos como meta nos certificar
    com selos dentro do padrão GOTS ( Global Organic Textile Standard) a
    certificação mais bacana na área da sustentabilidade e em selos com base nos
    padrões FLO (Fairtrade Label Organzations).

    Eu sempre acesso o site da Ong Repórter Brasil para conferir o trabalho
    contra a exploração de trabalho, que alias esta semana denunciou trabalho
    escravo na cadeia das Lojas Pernambucanas olha só:
    http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1874

    Convido você a participar da rede Moda Verde, podemos iniciar um debate
    sobre selos e certificações, oque acha? É só acessar: http://www.modaverde.com.br

    Muito obrigado pelo ótimo comentário

  • Ola Júlia, concordo plenamente com os pontos que você levantou e você tem
    razão a moda é em especial mais complicado pois estamos tratando de produtos
    que muitas vezes são considerados descartáveis né?
    Sou fã dos seus artigos, fui o primeiro a comentar neste que você linkou!
    Gosto muito, parabéns.

    Alias ainda nao vi o seu cadastro la na comunidade Moda Verde, seria bem
    bacana você participar e ajudar a crescer a comunidade! Vamos participar?
    http://www.modaverde.com.br

    Abraços e vamos manter contato =))

  • Excelente post, Guilherme!Eu também tenho conscientizado as pessoas de que elas precisam obter informações do que consomem. Somente adquirindo essas informações podemos garantir um futuro mais sustentável, pois está nas mãos do consumidor o poder de nivelar o mercado e colocar para fora empresas que não se adequam a exigências mínimas de respeito à natureza e ao ser humano. Convido você a acessar nosso blog, sobre arquitetura sustentável e eco atitudes:www.ecodhome.wordpress.com.brTambém postamos sobre consumo consciente!

  • Flávia

    Oi Guilherme,
    Quero te parabenizar pelo site. MUITO BOM!
    Achei ele fazendo uma pesquisa de eco móveis. Estou estudando designer de interiores e acho que é um dever de qualquer profissional, de qualquer área, se aprofundar na questão da sustentabilidade. Deveria ser uma ética em qualquer trabalho.
    Assistindo o filme e pensando na concepção atual de produção e consumo, me perguntei como começou isso tudo. Nessa linha de raciocínio me lembrei que antigamente o dinheiro não existia e as pessoas trocavam um produto por outro. Eureca!
    Você não acha que seria legal criar um canal de trocas? Pessoas trocando objetos que não precisem mais ou não queiram mais por outros que necessitem e queiram? Achei uma idéia muito ecológica e divertida. Quem sabe essa moda pega?

  • Ola Carine como esta?
    É verdade, gostei muito do termo “nivelar” é exatamente isto, a impunidade é a indiferença dos consumidores.

    Adorei o blog parabéns!!Te mandei um e-mail para conversarmos
    Abraços =)

  • Ola Flávia como esta? Muito obrigado pelas palavras =)
    Estou pesquisando exatamente isto, comecei pesquisando sites para troca de
    livros mas já pensou que legal um site com troca de vários produtos?

    Acabo de perguntar no Twitter se o pessoal conhece um site bacana, se
    descobrir eu conto pra você!
    Vamos que vamos =))

  • Pingback: Fast Fashion Kills « Publicidade Verde =)()

  • Este site é ótimo! Além dele conscientizar as pessoas do consumo consciente, ele mostra maneiras de ajudar o planeta de uma forma moderna, criativa, e o mais importante é uma forma que não polui tanto! Por isso quero parabenizar o site! Ótimo!

  • Pingback: Livro: A História das Coisas – O que acontece com tudo que consumimos | Coletivo Verde - Produtos Ecológicos()

  • Muito Obrigado pela palavras Isabella =)
    Vamos juntos

  • Pingback: Zara e o trabalho escravo -Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava | Coletivo Verde()