Uma das novidades que pretendemos implementar aqui no Coletivo Verde neste segundo semestre é ampliar a participação e o espaço para a divulgação das ideias e opiniões dos nossos leitores. Para começar, selecionamos um texto de um grande amigo que trata de um tema um tanto “mau cheiroso e indesejável” parafraseando o próprio autor.
O lixo, este troço mau cheiroso e indesejável que todos colocamos na calçada para que alguém nele dê fim.
Já não é de hoje, e nem só nas grandes cidades, que ouvimos falar do lixo e dos problemas associados a ele. Lixões mal dimensionados e gerenciados, coleta cara e ineficiente, toneladas de sacos e garrafas plásticas carreadas pelas águas entupindo os escoadouros das cidades, ou tamponando córregos e rios…
Isto para não falar do desdém das autoridades que esquivam-se a assumir o problema, ou das não raras ocasiões em que greves de lixeiros trouxeram o caos a uma cidade…
Mas será que o lixo é mesmo um problema dos outros? Será ele um aspecto mal gerenciado e negligenciado por autoridades incompetentes? É mesmo o lixo um produto natural da vida humana e que deve ser lançado longe de nossa convivência para que alguém, a quem elegemos para tal, dê conta de seu “sumimento”?
Por todo o mundo, desenvolvido ou em vias de, a produção, o transporte e a destinação do lixo trazem enormes desafios aos administradores públicos, que nem sempre conseguem atingir boas soluções, apesar dos incríveis esforços e recursos empenhados.
Não faltam excelentes exemplos, como os das cidades de Barcelona e Estocolmo, onde os moradores podem colocar seus sacos de resíduos em containeres especialmente projetados e excelentemente localizados, para vê-los sendo sugados para longe, por uma engenhosa rede de tubos de alta tecnologia.
No entanto, são sistemas que requerem investimentos e planejamento tão altos, que sua aplicação acaba limitando-se a locais cujas demais prioridades já tenham sido atendidas há tempos.
Para a maioria das regiões do mundo a melhor, e talvez única, solução para este gigantesco transtorno seja a compreensão da população de que o lixo é problema de quem o produz (nós), de que sua existência não é uma obrigatoriedade da vida humana e de que precisamos, urgentemente, reduzir sua produção.
Talvez não seja tarefa fácil, mas é perfeitamente tangível, desde que passemos a planejar melhor nossas vidas cotidianas.
• Reduzir o volume e o espaço de tempo entre as compras de perecíveis;
• Planejar o cardápio da família, de forma a não cozinhar mais do que aquilo que será consumido;
• Policiar-se, de maneira a reduzir as compras por impulso;
• Evitar correr atrás de cada novidade do mercado tecnológico;
• Recusar-se ao apelo irrecusável das promoções de final de estação;
• Evitar os descartáveis e observar o volume de embalagens de cada produto que compramos;
• Construir um minhocário e trocar a ardósia do piso do quintal por uma horta, onde se possa usar o húmus ali produzido…
Mil maneiras existem para que a comunidade assuma parte da responsabilidade pela geração, tratamento e disposição dos resíduos, deixando de depender, exclusivamente, de autoridades que demonstram, há muito, incapacidade para a boa gestão deste grande problema.
Aproveitem a vida, os artesanatos de recicláveis e curtam suas alfaces orgânicas e suas minhocas…
Fotos: stock.xchng















