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Zilah Rodrigues

Economia Solidária – Unindo e valorizando as pessoas

21 jan 2012 - Por em Vida Verde

Quando escrevo um artigo para o Coletivo Verde e busco as imagens para ilustrá-lo, na grande maioria das vezes essa procura resulta em algo bem semelhante. Poderia chamar isso de coincidência mas, não é!

Imagens como quebra cabeças, mãos unidas, bonecos dando as mãos podem até ser consideradas clichê mas, todas elas se referem a algo comum e que sem dúvidas precisa ser mais presente em nossas vidas. O grande sentido de todas estas imagens corriqueiras se resume em apenas uma palavra: união.

União, porque é isso que precisamos para nos fortalecermos. União porque precisamos deixar o individualismo de lado, agir e pensar mais no coletivo. União porque juntos somos mais e podemos mais! União para espalhar amor e fazer tudo mais o que for preciso, inclusive produzir, consumir e distribuir renda, na luta por um mundo de mais igualdade.

Economia Solidária

Ao falar em Economia Solidária, chegamos ao que interessa. Mas, como pensar em algo que hoje é intrinsecamente capitalista, como a economia de nosso sistema social, de forma solidária e não individualista? Sim, é possível driblar o egoísmo e a ganância e para isso, só é preciso união, aprendizado, bom senso e cooperação.

O conceito de Economia Solidária está ligado ao entendimento do trabalho como um meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, onde a igualdade de propriedade e trabalho guiam o crescimento coletivo. Em palavras objetivas, segue abaixo a definição de o que é Economia Solidária:

Compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.” Ministério do Trabalho e Emprego

Além disso, é possível identificar diversas formas deste tipo de economia também quando falamos de agricultura familiar, fundos solidários e rotativos de crédito, clubes e grupos de trocas solidárias, ecovilas, redes e articulações de comercialização e de cadeias produtivas solidárias, lojas de comércio justo, agências de turismo solidário e por aí vai. Formas de se fazer da economia um instrumento de progresso e fortalecimento social igualitário não faltam.

A Economia Solidária engloba em seu conceito e em sua prática as dimensões Social, Econômica, Política, Ecológica, Cultural e isso faz dela algo singular e ao mesmo tempo, pluridericional. Além de fortalecer diversas esferas, este tipo de economia enobrece o indivíduo ao lhe devolver o sentimento de autonomia e de igualdade, visto que não existe a espoliação por parte de um superior e os sujeitos têm direitos e deveres iguais dentro de um processo de produção e distribuição de renda.

Além de cultivar valores e atitudes primordiais, a Economia Solidária é uma grande aliada no combate à pobreza e ao desemprego, ao gerar oportunidades iguais aos envolvidos, distribuir renda e conhecimento e amplificar o sentido de coletividade, solidariedade e união.

Crescimento da Economia Solidária no Brasil

A origem da economia solidária remonta a história da humanidade. Através de estudos históricos é possível identificar a presença deste tipo de economia em sociedades indígenas da América pré-colombiana e também nos povos africanos, asiáticos e europeus.

O movimento econômico-solidário tomou uma forma parecida com a que conhecemos hoje após a primeira Revolução Industrial, por volta do ano de 1844, na Europa. Nesta época, surgem na Grã-Bretanha as primeiras Uniões de Ofícios (Trade Unions) e as primeiras cooperativas, para logo após estes movimentos se consolidarem como grandes empreendimentos sociais e se espalharem pela Europa e pelo mundo. É interessante ressaltar que essa organização se deve à reação dos artesãos expulsos dos mercados pelo advento das máquinas a vapor.

Hoje em dia, a Economia Solidária é um movimento que ultrapassa a dimensão de atitudes isoladas, orientando-se para uma forma articulada, estabelecida em uma plataforma nacional.

“Esta tendência dá um salto considerável a partir das várias edições do Fórum Social Mundial, espaço privilegiado onde diferentes atores, entidades, iniciativas e empreendimentos puderam construir uma integração que desembocou na demanda ao então recém-eleito presidente Lula pela criação de uma Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES).

Simultaneamente à criação desta Secretaria, foi criado, na III Plenária Nacional de Economia Solidária, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), representando este movimento no país. A criação dessas duas instâncias, somada ao fortalecimento do campo da economia solidária no interior da dinâmica do Fórum Social Mundial, consolida a recente ampliação e estruturação desse movimento.” Fonte

Entender o sentido de coletivo e fortalecer as relações

Entender o sentido de coletivo e fortalecer as relações humanas é algo que está muito próximo da realidade brasileira nos dias de hoje. Fica aqui a dica para que nós, meros consumidores, percebamos de forma mais atenta os benefícios da Economia Solidária e incentivemos este tipo de ação, que oferece a todos os envolvidos condições dignas de sobrevivência, baseadas em experiências enriquecedoras de coletividade e cooperação.

Importante também é lembrar dos ensinamentos ganhos dentro de movimentos como estes. É aquela velha história de que “mais importante do que dar o peixe, é ensinar a pescar”. E assim, unidos, somos capazes de construir um mundo mais justo, com o conhecimento compartilhado e com as próprias mãos.

Sobre o Autor: Zilah Rodrigues ( @Ziilah | G+ )

Zilah Rodrigues

Publicitária, assessora de projetos no 3º setor e crafteira nas horas vagas.

Site: http://www.donadascoisinhas.com.br/ - Veja todos os artigos de

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  • Josu Menezes

    muito bom o post, parabens Zilah… Ando estudando este assunto. Outro dia fiz um post a respeito de “cases” de economia criativa. No meu entendimento as abordagens são complementares e sinérgicas. Vc concorda? 
    http://www.mercadosdofuturo.com.br/cases-de-economia-criativa/

  • Anônimo

    Muito obrigada, Josué!
    Concordo muito com a sua abordagem e agora compreendi porque meu blog se encaixaria nos cases que você citou! 
    Sem dúvidas novas formas de se fazer economia vêm mudando a realidade de muita gente e sem dúvida os fatores união e compartilhamento são mais que presentes na grande maioria dessas formas.
    No meu blog (www.donadascoisinhas.com.br), acho que temos muito a aproveitar para falar sobre economia criativa! Bem interessante sua colocação!

    Abraço!

  • http://www.facebook.com/people/Danielle-Souza/100001739260845 Danielle Souza

    Adorei sua matéria e realmente precisamos mudar e pensar num futuro bem próximo…O que queremos para o fim de nossas vidas?

  • http://www.facebook.com/people/Danielle-Souza/100001739260845 Danielle Souza

    Meu blog: blogdatiadanitecnologica.blogspot.com

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