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Carine Nath

O edifício em que você vive ou trabalha pode estar doente e fazendo mal para sua saúde

21 jun 2012 - Por em Vida Verde

A falta de qualidade de vida dentro dos edifícios deu origem à Síndrome do Edifício Enfermo. Hoje, no Brasil, 30% dos edifícios apresentam a síndrome, expondo os seus moradores a respirarem um ar viciado, cheio de componentes químicos insalubres e mofo (ANAB, 2007).

A Síndrome do Edifício Enfermo (SEE) foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde desde 1982 e corresponde a um conjunto de sinais e sintomas originados pelos ambientes corporativos.

A má ventilação, existência de cargas iônicas e eletromagnéticas, partículas em suspensão, alteração de temperatura, gases e vapores de origem química e outros agentes estão entre os causadores da SEE identificados. O ambiente construído é grande gerador de emissões de poluentes em todo seu ciclo de vida.

Os poluentes do ar no interior dos edifícios afetam de forma muito negativa a vida das pessoas nas grandes cidades, principalmente das que trabalham em ambientes corporativos fechados e com pouca troca de ar. Seus efeitos sobre a saúde humana podem ser sérios, e os sintomas iniciais de contaminação são parecidos com um resfriado, por isso, são pouco detectados.

Como saber se um edifício está doente?


Considera-se que, se mais de 30% dos ocupantes de um edifício possui sintomas da SEE, o edifício está doente. Os sintomas frequentes são: irritação nos olhos e garganta, tosse, dor de cabeça crônica, coriza constante, cansaço e problemas respiratórios. Alguns outros sintomas que podem ser detectados: infertilidade, desordens hormonais, desordens hepáticas.

Como identificar os poluentes do ar interno

Os maiores poluentes do ambiente construído são: material particulado, monóxido de carbono, amianto e os Componentes Orgânicos Voláteis (VOC), tais como Benzeno e Formaldeído. Veja esta listagem desses poluentes, sua fonte de emanação e seus efeitos para o ser humano, baseada em alguns autores da área:

Os Compostos Orgânicos Voláteis (VOC)

Os compostos orgânicos voláteis são uma ampla gama de substâncias capazes de se desprender dos materiais e constituem uma séria fonte de poluição atmosférica.

Sua fonte está nos solventes de tintas, vernizes, colas entre outros produtos da construção de edifícios. A emissão ocorre tanto na aplicação de um produto (tintas, vernizes) como em todo o período de ocupação de um edifício, diminuindo, de forma significativa, a qualidade do ar interior.

Hoje existe ainda uma lacuna de dados sobre as taxas de emissões dos materiais, o que torna difícil o seu controle no ambiente interno.

Nos EUA, o o Environmental Protection Agency criou um relatório que categoriza dos VOC, disponível para consulta aqui. A melhor forma para se evitar os poluentes com VOC é diminuir o uso de materiais que contêm as seguintes substâncias: Benzeno, Tolueno e Xileno, Formaldeído, Butano, Estireno, Etanol, Tetra e Tricloroetileno.

Como ter um ambiente livre de poluentes?

Um ambiente urbano nunca será completamente livre de poluentes, mas é possível tomar algumas medidas para que a concentração das substâncias nocivas no ar seja mínima. Algumas dicas são:

1. Tenha sempre plantas dentro de casa ou do escritório, algumas espécies possuem a capacidade de absorver poluentes do ar (como formaldeído e benzeno). São elas: palmeira Areca, Aglaonema, Lírio da Paz, Dracenas, Fícus e Samambaias;

2. Procure sempre deixar janelas abertas para ventilação natural. Se o ar condicionado fica sempre ligado, limpe ou troque o filtro regularmente;

3. Evite usar materiais que tenham substâncias que contenham poluentes como as tintas e vernizes com solventes, colas com formaldeído, os plásticos em geral usam solventes e emitem VOC;

4. Prefira materiais naturais e não processados, como a madeira, bambu (sem verniz) tintas a base de cal ou terra. Ou procure usar materiais que tenham certificados de baixa emissão, algumas empresas de tintas e vernizes e de compensados de madeira já estão procurando certificações;

5. Evite os sprays aerosol de tinta, pesticidas ou aromatizadores de ambientes, já que todos eles contém VOC. Procure utilizar desinfetantes e repelentes naturais contra insetos e que dão um cheirinho agradável na casa, como velas aromáticas de citronela. Cravos nos armários evitam formigas, grãos de pimenta nas roupas evitam traças – procure por alternativas naturais;

6. Não lave suas roupas a seco, o produto da lavação a seco é um VOC que emana da sua roupa e pode te fazer mal;

7. Procure usar materiais de limpeza mais leves e atóxicos, com receitas naturais à base, por exemplo, de limão, bicarbonato de sódio, sabão de côco, etc.

Lembrando que não é apenas um fator que gera a Síndrome do Edifício Enfermo e sim o conjunto de coisas ao seu redor e seu estilo de vida. Portanto, a busca por uma vida mais natural leva a uma vida mais saudável e longe de componentes que podem afetar você e suas próximas gerações.

 

Fotos: Hyperscience / Mazzeigroup /Imovelweb /Dreamstime

Sobre o Autor: Carine Nath ( | G+ )

Carine Nath

Arquiteta fundadora do escritório Ecodhome, desenvolve projetos e consultorias em arquitetura sustentável.

Site: http://www.ecodhome.com.br - Veja todos os artigos de

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