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Designer transforma embalagens usadas em Toy Arts incríveis

03 fev 2011 - Por em Arte e Design

Já ouviu a expressão “retrorreciclagem”? O publicitário, ilustrador e artista plástico Bruno Honda em entrevista ao Coletivo Verde explica: é a reciclagem com caneta de retroprojetor, podendo transformar o que seria descartado em divertidos toys.

Buscando uma plataforma diferente para trabalhar, Bruno percebeu que os resíduos que ele separava como lixo reciclável em sua casa, poderiam ser reaproveitados para transformar o que seria descartado em arte. Uma embalagem de xampu, por exemplo, sem o rótulo é um molde perfeito para transformar o recipiente usado em um personagem com nome e história própria, afirma o ilustrador.

Com base no reaproveitamento, Bruno trabalha suas ilustrações em embalagens de desodorante, caixas de papelão, tubos de papel higiênico, relógios, sacos de papel e tudo aquilo que vê como potencial para reaproveitar e transformar em arte, comprovando que com criatividade podemos dar grandes avanços para um planeta mais sustentável.

Confira abaixo mais trabalhos de Bruno Honda e sua entrevista na integra.

Coletivo Verde: Bruno, como você define o termo que inventou, retrorreciclagem?

Bruno Honda: Retrorreciclagem é simplesmente a reciclagem com caneta de retro-projetor. Aqueles marcadores permanentes, sabe? A famosa canetinha de escrever em cd. Reciclagem, que por definição é um reaproveitamento, caiu como uma luva no tipo de trabalho que eu faço, que é tirar uma nova interpretação de um objeto ou idéia. Sempre lembrando que, mesmo preferindo usar materiais usados, a retrorreciclagem poder ser feita também em objetos novos, certo?

Coletivo Verde: A quanto tempo você usa essa técnica? Tem uma idéia de quanto material você já reaproveitou de maneira criativa?

Bruno Honda: Comecei há três ou quatro anos, quando procurava novas plataformas, em especial em três dimensões. Na época, estava interessado em toy arts, mas no final a retrorreciclagem acabou transcendendo esse nicho, o que acho bem bacana. Olhando minha produção nesses últimos 4 anos, acredito que tenha retrorreciclado uma ou duas centenas de objetos, que estão espalhados por aí.

Coletivo Verde: Você acredita que é possível usar qualquer tipo de resíduo que seria descartado para transformá-lo em um de seus toys?

Bruno Honda: A grande vantagem da canetinha de retro é que dá pra desenhar com ela em virtualmente qualquer superfície. Óbvio que, em alguns materiais, o resultado fica menos interessante, mas acho que há personagens para quantos formatos existirem. Já desenhei sobre relógios, banquetas, caixas de todos os tipos, computadores, celulares, copos, saleiros, garrafas, lixeiras… até agora não achei muita coisa na qual eu não pudesse desenhar.

Coletivo Verde: Cada vez mais aparecem idéias como a sua que reaproveitam materiais para transformar em arte. Você acredita que isso é uma tendência ou uma necessidade?

Bruno Honda: Apesar de ser muito lúcido ao concluir que meu método é vagaroso – não consigo retrorreciclar nem 10% do lixo que eu mesmo produzo, por exemplo – tenho certeza de que o mais valioso no que eu faço é tentar instalar um debate. A arte, mesmo a mais despretensiosa, é uma ferramenta de transformação da realidade. E o material descartado é muito rico, quando você vê com outros olhos, o lixo limpo é uma plataforma de texturas infinitas, impossível não se empolgar com a quantidade de possibilidades. No meu caso, gosto demais de dar uma segunda chance e vida nova pra cada um desses potes e caixa, é um exercício de imaginação divertido. Como sempre digo, nem sempre o descartado é descartável, de tubos de papel a pessoas.

Coletivo Verde: Muitas pessoas pensam que produzir arte, principalmente no Brasil, é um trabalho que na maioria das vezes não depende apenas do talento do artista, mas sim também de dinheiro para investir em material necessário e tempo para procurar a plataforma certa para se trabalhar. Para quem está iniciando projetos artísticos, que dicas daria para essas pessoas?

Bruno Honda: Eu sei que o que eu faço está longe de ser considerada arte acadêmica. Também não me considero um artesão ou um ilustrador. O que eu sei é que consigo recolher impressões e opiniões através do meu trabalho e sei que, quando você entra em uma exposição, ou em um cinema, ou mesmo em uma conversa, você sempre sai diferente do como entrou. Não acho que para produzir arte se precise de altos investimentos, mas também não acho que quem pensa assim esteja errado. Seu estilo procura você e, uma hora, acaba te encontrando. E pode ser esculpindo em lápis ou fazendo esculturas de ouro branco cravejadas de diamante. O que movimenta a arte da boa são, sempre, as idéias. Idéias consistentes sobrevivem em qualquer plataforma. E com qualquer traço, independente da técnica ou coordenação. Não existe desenho feio, existe desenho descontextualizado. Mas essa é a opinião de um cara só, que passa boa parte do seu tempo livre rabiscando em potes de xampu.

Mais: Bruno Honda Leite

Sobre o Autor: Laercio Bizzarri ( @bizzarrilaercio | G+ )

Diretor de arte da agência M51 Criatividade Estratégica. Apaixonado pelo design que inspira, transmite e transforma.

Site: http://laerciobizzarri.com.br - Veja todos os artigos de

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