Sempre fui uma pessoa muito observadora e nas minhas caminhadas diárias, estou sempre prestando atenção na paisagem urbana e no comportamento das pessoas.
Uma cena muito comum nas cidades, que me deixa indignado, é o comportamento dos fumantes ao volante dos automóveis.
Apesar de todos os carros contarem com cinzeiro, a grande maioria dos fumantes prefere jogar as bitucas de cigarro pela janela. É só observar, ao parar próximo a um semáforo, a quantidade de bitucas que são jogadas fora. É impressionante.

Experimente ficar por cinco minutos em frente a um cruzamento movimentado. Você vai se assustar com a falta de educação dos motoristas. Além dos cigarros, são jogados pela janela papéis, latas de refrigerante, embalagens de alimentos, só para citar alguns.
Atitudes e consequências

Não seria mais civilizado acondicionar seu lixo em uma sacolinha plástica e quando chegar em casa jogá-la no lixo? Mas poucas pessoas agem desta maneira, preferindo livrar-se de seu lixo rapidamente.
Não se importam com o lugar e tão pouco com as consequências que seu gesto irá provocar: entupimento de bueiros, ocasionando um difícil escoamento das águas das chuvas e consequentemente causando inundações; incêndios, principalmente nas áreas rurais, onde uma simples ponta de cigarro acesa pode provocar um incêndio na mata de grandes proporções.

Infelizmente, o nível de consciência da sociedade é desigual. Muitas pessoas ainda não têm acesso à informação e educação digna. Porém, ao observar a conduta das pessoas, podemos perceber que esses maus hábitos independem de classe social e poder aquisitivo. Canso de contar as vezes que flagrei motoristas em carros de luxo jogando lixo na rua.
Proposta de Lei
Atitude digna de elogios foi a aprovação na Câmara Municipal da Cidade de Guarulhos do projeto da Vereadora Luiza Cordeiro que prevê multa para quem joga lixo no chão.
Conforme a proposta, aguardando a sanção do Prefeito Sebastião Almeida para que se torne Lei Municipal, quem for pego jogando papel de bala, embalagens em geral, bitucas de cigarro ou qualquer outro tipo de lixo em espaços públicos, poderá ser multado em 40 unidades fiscais - atualmente cotadas em R$ 2,1062, cada. Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado.

“É um dos projetos mais complexos que esta casa já votou. É difícil de implementar, mas essa Lei vai ajudar a educar e promover um comportamento mais civilizado. Essa questão vai muito além de economia, poluição visual e saúde pública, trata-se inicialmente de boa educação”, argumenta a vereadora.
Na justificativa ao projeto, a vereadora faz um paralelo com a questão da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança em veículos.

“Até então, a população não havia entendido a importância da utilização do item de segurança. Mesmo diante dos exemplos de acidentes fatais que poderiam ser evitados, campanhas educativas e preventivas, os motoristas só passaram a utilizá-lo após a aplicação das multas.”
“Hoje a imensa maioria usa o cinto de segurança não por medo das multas, sim pela conscientização com relação aos benefícios, à preservação da vida.”

A vereadora ressalta que o mesmo caminho pode trilhar a Lei de sua autoria. No início, a punição deve auxiliar no cumprimento da determinação de não dispensar lixo em local inadequado.
Posteriormente, a população não mais jogará lixo no chão porque estará convencida dos danos que esta prática danosa causa ao meio ambiente e à sociedade como um todo.
Leis deste tipo já são adotadas em vários países há muito tempo

Em Cingapura, quem for flagrado jogando lixo na rua, paga multa altíssima e ainda deve, como pena, varrer a rua durante uma semana, usando um colete que o identifica como infrator.
Os chicletes são proibidos em Cingapura, pelo simples fato de que, se jogados no chão, sujam as calçadas da cidade. No país, também é proibida a distribuição de panfletos.

No Japão, quem infringe a Lei é multado e é obrigado a assistir palestras sobre o lixo e meio ambiente. Quem fiscaliza é a própria população, denunciando os indivíduos que jogam lixo nas ruas. Apesar do índice de criminalidade ser baixíssimo, há policiais espalhados por toda cidade, geralmente ocupados com problemas no trânsito.
Fotos: LuizaCordeiro / ClearImpression / NSS / EarthShots














