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Clovis Akira

Cidade Lixo Zero – É possível criar uma cidade que reduz, reutiliza e recicla? Veja exemplos bacanas de Tokyo

18 set 2011 - Por em Vida Verde

O Japão há muito tempo serve de exemplo a outros países, na coleta e reciclagem de lixo. Apesar da separação e coleta seletiva do lixo ser feita corretamente, o governo japonês ainda considera muita alta a produção de lixo. Baseado em dados de uma pesquisa realizada no ano de 2007 pela Prefeitura de Tokyo, o Japão inicia uma campanha nacional intitulada “Gomi-zero”, que em português significa, campanha do lixo zero.

A campanha tem o objetivo de diminuir ao mínimo a produção de lixo, através de campanhas publicitárias agressivas, utilizando todos os meios de comunicação para alertar o impacto que o lixo tem no meio ambiente. Em todo o país foram distribuídas cartilhas com dicas mostrando como produzir menos lixo. Nas cidades com grande concentração de estrangeiros também foram impressas cartilhas em vários idiomas, inclusive o português.

O Japão tem o costume de utilizar em suas campanhas publicitárias, as junções entre ideogramas e números. Na campanha do lixo zero foi adotado como símbolo o número 530, que ao pronunciar os três números têm-se o significado – gomi zero.

Como a campanha obteve grande êxito, o governo instituiu no calendário oficial o “Dia do Lixo Zero”. A data escolhida, foi o dia 30 de maio, que a junção dos números significa justamente, gomi zero.

Nesta data é realizado um grande mutirão de limpeza, nas indústrias, nos parques, nos condomínios, etc. Todo esforço é feito para deixar o ambiente mais limpo.

Conheça os bacanas exemplos de Tokyo – Japão


Uma das verdadeiras campeãs do lixo são as sacolinhas plásticas. Nas lojas de roupas dos shoppings centers as sacolinhas estão praticamente extintas, agora usam as sacolas de papel, que além de serem mais bonitas, podem ser reaproveitadas.

O uso da sacola retornável já é uma realidade na maioria dos supermercados, são vendidos a um custo bem baixo, ou trocadas na compra de um determinado produto, fazendo assim uma promoção para um produto que está com pouca saída.

Os supermercados também colocam a disposição, caixas de papelão de diversos tamanhos, para que os clientes a utilizem no lugar das sacolinhas, quando for fazer uma compra grande.

As embalagens plásticas, de shampoos, detergentes, produtos de limpeza em geral, todos esses produtos são disponíveis em refil, compra-se o produto na primeira vez e depois só o refil, além de ser mais barato, contribui para diminuição das embalagens plásticas.

No Japão é feito de tudo para tornar a vida mais prática possível, e no preparo das refeições também é assim, tudo embalado em porções de diversos tamanhos, em bandejas de isopor. Imagine a quantidade de bandejas que circulam, mas tudo é reaproveitado novamente, nos supermercados existem pontos de coleta das bandejas de isopor e de ovos. Após consumir os alimentos, as japonesas lavam as bandejas e ao ir novamente ao supermercado depositam nos pontos de coleta, e posteriormente são enviadas novamente para a indústria onde são trituradas, virando matéria prima novamente.

As donas de casa japonesas, vão ao supermercado todos os dias, e compram sempre o que vão consumir no dia, evitando fazer grandes compras do mês e comprar algum produto desnecessário que vai acabar estragando e tendo que jogar fora.

Ao ir ao açougue ou peixaria, procurar levar um pote plástico para acondicionar o produto, evitando o uso de embalagens.

O Japão é um dos países com maior índice de fumantes, e apesar do alto número não se vê uma ponta de cigarro jogada no chão. Existem cinzeiros espalhados por vários pontos, geralmente o fumante não anda fumando, ele para perto de um local onde tenha cinzeiro, fuma seu cigarro e joga a bituca no cinzeiro. No carro, as cinzas são depositadas no cinzeiro, que é descartado quando chega a um posto de gasolina, onde é limpo e aspirado.

O papel higiênico é biodegradável, joga-se dentro do vaso sanitário e dá a descarga, muito mais higiênico, aliás, esse método é usado em vários países, aqui no Brasil, em alguns shoppings centers de São Paulo já adotam esse tipo de papel.

Uma grande dificuldade que os japoneses enfrentam é diminuir as embalagens plásticas, principalmente nos gêneros alimentícios. Tudo é muito bem embalado, os biscoitos, por exemplo, são embalados um a um, imagine um pacote com 20 unidades, todas embaladas. Os fabricantes seguem as rígidas normas de higiene do país, mas isso tudo tem uma consequência, que é o aumento da produção de lixo.

Apesar das dificuldades, a produção de lixo diminuiu bastante, afirma o governo, que solicita ainda que a população continue colaborando, procurando novas formas para se produzir menos lixo.

Foto: NGO / Tokyo / Treehugher / Guardian

Sobre o Autor: Clovis Akira ( @clovisakira | G+ )

Clovis Akira

Contabilista, Consultor em sustentabilidade , Articulista do Jornal Sete e admirador da cultura japonesa.

Site: http://clovisakira.blogspot.com - Veja todos os artigos de

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  • Estamos juntos nesta luta

  • E o Brasil quando teremos “lixo zero”?
    Vai depender não só dos órgãos governamentais mas tmabém de toda a população!

  • Melissa Onuma

    Se as crianças fossem devidamente educadas na escola e pelos pais, como é feito no Japão, o Brasil seria uma cidade mais limpa.
    E no Japão a coleta do lixo é feita por partes. Cada dia da semana é recolhido um tipo de lixo (um dia plastico, o outro latas, entulho…) e nas escolas recolhem latas que no final do ano é convertido em cadeira de roda ou outro equipamento para ajudar pessoas que necessitam. O legal é que para estimular é feito como uma competição entre os alunos que é usado como pontuação na gincana que acontece no meio do ano.

  • Podemos ajudar nosso planeta a ficar mais limpo, basta ter censo de educação e consciencia para fazermos o melhor para o planeta que tem dificuldades em coleta de lixo, o Brasil é um desses países que precisar. Se todos nós termos um previlégio na coleta conserteza teremos um país muito mas “Melhor”.

  • duda miller

    tudo culpa das criança neah,vai cata e o lixo e para de comer de comer biscoitos ‘-‘