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Nadia Cozzi

Profissão Mamãe: Maternidade, Sustentabilidade e Alimentação

16 jan 2012 - Por em Casa Verde

A maternidade nos últimos tempos vem sendo encarada de forma diferente pelas mamães desta nova geração. Tornou-se comum vê-las permanecer em casa cuidando de seus filhos pequenos, em vez de utilizarem escolinhas, babás ou uma vovó disponível.

Não é uma decisão fácil escolher entre a maternidade e a carreira, mesmo que por um tempo determinado. É uma tortura ficar em casa, é uma tortura sair de casa, com um agravante, serem ainda recriminadas por terem assumido a maternidade, como se estivessem contribuindo para um retrocesso no Movimento Feminista conquistado a duras penas pelas gerações anteriores.

Claro que as conquistas foram muito importantes, passamos a ter voz, independência, respeito pessoal e profissional, mas exatamente por tudo isso é hora de conquistar também as delícias de ser mãe, curtir as fases da criança, estar presente nas suas primeiras palavras, decidir sobre sua alimentação, educar, ensinar e sonhar seu futuro. A saída da concha, do lar, dos afazeres intermináveis, da falta de meta foi muito importante, entendo o receio de retroceder no tempo e voltar a ser “Amélia”, mas é preciso ter direito às escolhas, ao que faz bem,ao que deixa feliz. Isso inclui tudo, desde as suas essências femininas até o respeito pelo Planeta.

Retomar, repensar as atitudes. Não precisa ser um gênio para entender que o caminho que estávamos seguindo não nos priorizava como seres e sim como coisas. Por isso aceitávamos o uso indiscriminado de venenos em nossa alimentação, dos materiais descartáveis em nossa vida, da falta de tempo para nossa família, o culto do ter em vez do ser.

Profissão: Mamãe



Esta semana estava lendo uma reportagem sobre uma jornalista e mãe americana chamada Ann Crittenden, autora do livro “Liderança começa em casa” que defende a idéia de se colocar no Curriculum o fato de ser mãe e dona de casa, pois as qualidades que se desenvolve com as experiência na criação dos filhos são as mesmas exigidas em situações profissionais. A jornalista defende que ser mãe deveria ser um ponto positivo a ser analisado pelos empregadores.

Uma pesquisa intitulada “Mães Magnatas” feita pela Rede BBC, apontou que 40% das mães que criaram seu próprio negócio, desenvolveram a idéia quando estavam grávidas ou um ano após o nascimento do bebê.

Outro dado legal: 92% das empresárias com filhos conferem seu sucesso profissional por terem desenvolvido várias habilidades durante a maternidade. Coisas como a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, planejamento de atividades, eficiência, liderança, capacidade para lidar com personalidades diferentes, entre outras.

Não é preciso ter medo de voltar a ser Amélia, nosso lugar já foi conquistado, essas novas mamães são filhas dessas gerações que brigaram, estudaram, trabalharam. Abrem seus próprios negócios ou atuam como autônomas, conciliam família e trabalho. São mães, profissionais, resgataram sua essência feminina, entenderam a importância do parto humanizado, do leite materno. Não querem mais criar gerações vindas de cesarianas desnecessárias ou filhos do leite em pó, entenderam que maternidade não é um produto descartável e que terceirizar a criação de filhos cria seres humanos frios, inconseqüentes e “desamados”.

Vivemos uma fase especial a da mulher retomando seu lugar na família, consciente de que ser mãe exige amor, tempo, adaptação e conciliação de desejos. Colocar um ser no mundo é uma responsabilidade de quem o coloca, e aí entram os homens, frutos dessa nova geração que partilham igualmente as responsabilidades e alegrias de cuidar dos filhos. Necessário dizer que filhos provocam mudanças e se não estamos dispostos a aceitá-las, melhor repensar se temos ou não o perfil de pais e parar de aceitar as pressões da Sociedade que nos cobra esse papel.

A maternidade precisa ser plena, atuante, afinal estamos apostando no futuro, formando um novo Ser Humano, uma Nova geração. Isso me lembra o livro Quero mesmo ser Mãe? co-escrito por Maristela Tesseroli, que diz não ser honesto fazer a mulher acreditar que ela pode ser “super” em todas as áreas da vida, conciliando uma jornada de trabalho de 8 horas, com a academia, a organização da casa, a atenção ao marido e a vivência da maternidade em sua plenitude. Se na vida afetiva já descobrimos que sapos não viram príncipes, que tal destruir este mito também?

O que maternidade tem a ver com sustentabilidade?

E agora uma pergunta: o que maternidade tem a ver com sustentabilidade? Aí eu chamo a minha amiga Simone de Carvalho do AMS – Aleitamento Materno Solidário para explicar.

Às “novas amélias” de plantão eu faço um convite. Vamos fazer biscoitos? Achei uma receitinha prática e fácil como nossa vida exige.

Biscoitos amanteigados

Ingredientes:

  • ½ caixa de farinha de arroz (100g) cuidado para não comprar marcas transgênicas
  • 1 xícara rasa de farinha de trigo
  • ½ xícara de açúcar orgânico
  • 4 colheres de sopa cheias de manteiga

Modo de Preparar
Em um recipiente misture todos os ingredientes, amassando com as mãos para formar uma farofa grossa. Modele os biscoitinhos apertando bem uma porção de massa com as mãos. Coloque os biscoitos em assadeira untada e enfarinhada, com pouco espaço entre eles, pois não crescem muito. Forno (pré-aquecido) em temperatura de média para baixa por aproximadamente 15 minutos. Deixe esfriar e passe ou no açúcar com canela.

Variações:

  • Cítrico: coloque raspas de ½ limão, laranja ou tangerina na massa. Prefira as frutas orgânicas
  • Chocolate: coloque 1 colher de sopa de cacau em pó na receita completa.
  • Nozes ou castanhas: acrescente 1 colher de sopa de nozes picadinhas à massa.
  • Goiabada: antes de levar ao forno, faça um buraquinho com o dedo no meio de cada biscoito e coloque um pedacinho de goiabada. Pode colocar um pedacinho de chocolate meio amargo também.

Moldes: sabe aquelas forminhas de acetato para fazer chocolate, pegue um pouquinho da massa, aperte bem no molde e deixe gelar por 20 minutos, desenforme e coloque na forma untada e enfarinhada para assar. Pode também usar cortadores, é só abrir a massa e ir cortando.

Fáceis, livres de aditivos químicos e da famigerada gordura vegetal hidrogenada, trans, gordura vegetal, margarina ou qualquer outro apelido que lhe caiba.

Fotos: mummau55 / cvrcak1 / batluck

Sobre o Autor: Nadia Cozzi ( @nadiacozzi | G+ )

Nadia Cozzi

* Consultora de Alimentação Consciente e Desenvolvimento Pessoal. * Pesquisa desde 1994 a Agricultura livre de Agrotóxicos e o Ato de se alimentar e a Consciência de quanto ele interfere na Saúde Física, Emocional e Mental do Ser Humano e os efeitos da produção de alimentos para o Meio Ambiente. * Idealizadora do Instituto Pedro Cozzi - Espaço DAR VIDA – (institutopedrocozzi.blogspot.com.br) * Livros sobre uma nova consciência ecológica: (http://alimentopuro.synthasite.com/livros.php) * Blogs: Alimento Puro: alimentopuro.blogspot.com Bio Culinária: bioculinaria.blogspot.com

Site: http://nadiacozzi.yolasite.com - Veja todos os artigos de

Faça seu Comentário

  • Anônimo

    Mais um texto lindo e sensível! 
    Parabéns e obrigada, Nádia!

  • Anônimo

    Obrigada minha linda. Beijo.

  • Daniela

    Nádia, ótimo texto. Gostei muito da relação mãe profissional em casa e os dados que vc colocou. Um abraço

  • Anônimo

    Outro querida.

  • Barbara Cvitoriano

    Posso publicar o texto em meu blog com os devidos crédito? 

  • Anônimo

    Claro que sim Barbara, fique á vontade. Beijo

  • Nádia, seu texto é maravilhoso! De forma simples e clara,  você foi capaz de retratar com muita beleza essa “profissão” nobre e tão pouco valorizada. Uma “profissão” que necessita de muita vocação e muito amor, e eu até diria…muita coragem também…rsrsrs
    Adorei o vídeo com  a Simone também…amamentar é a melhor coisa do mundo e o planeta agradece!!! Beijos

  • Anônimo

    Obrigada Elizabeth eu concordo com vc no quesito coragem, rsss. Bjo

  • Patricia

    Adorei o artigo, parabéns!

  • Anônimo

    Obrigada Patrícia

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