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Nadia Cozzi

Finados dia de fazer a memória sorrir

31 out 2011 - Por em Casa Verde


Drão
Gilberto Gil

Drão o amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Dura caminhada pela estrada escura
Drão não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão, estende-se, infinito
Imenso monolito, nossa arquitetura
Quem poderá fazer aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Cama de tatame pela vida afora
Drão os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morre nasce, trigo, vive morre, pão
Drão.

Esta música do Gil, fala de transformações, de morrer e renascer, fala de Vida. Embalada por ela eu gostaria de combinar com vocês como comemorar no próximo dia 02 os Finados. Não, eu não fiquei maluca não! Esse dia deve ser um dia de homenagens, de reencontros, um dia de muito amor.

Família – Devemos cuidar de nossas raízes


O amor nos faz entender que a outra pessoa nunca morre, apenas passa a habitar um mundo diferente, o das nossas lembranças. Uma família é como uma árvore, as raízes são os que já não estão visíveis e sem elas a árvore não para em pé. Quanto mais fortes as raízes de uma árvore mais saudáveis estarão seu tronco, galhos, folhas, flores e frutos. Por isso devemos cuidar de nossas raízes.

Vamos então pensar em como fazer uma festa para os nossos Antepassados. Nas religiões orientais o Dia de Finados, é chamado assim, porque se acredita que nesse dia o Mundo Espiritual abre suas portas e permite que todos os Antepassados possam visitar seus descendentes e matar as saudades.

Assim em vez de lágrimas seria bem melhor homenageá-los com alegria, com gratidão pelos exemplos que eles deixaram e porque não com seus quitutes favoritos. Na minha família de tradições portuguesas do lado de minha mãe e italianas do lado de meu pai a mesa sempre foi o lugar dos encontros, em volta dela sempre se passaram momentos de felicidade, de se saber do outro e até de uma ou outra discussão. A gente até brincava que quando a família toda se reunia quem estava de fora pensava que havia uma briga, tal a algazarra. Minha avó paterna a Dona Zilpa teve 12 filhos, era pequenininha de tamanho, mas enorme de coração. A alegria dela era ver os filhos reunidos e os mimava tanto que era capaz de fazer o prato favorito de cada um deles numa mesma refeição.

Já a minha avó materna, a Dona Justina era muito parecida comigo, adorava festas em sua casa, todos os aniversários, Natal, Páscoa, tudo era na casa dela. Gostava de ver a casa cheia de amigos, os netos à sua volta e foi com ela que dei as minhas primeiras pinceladas na arte da culinária.

Dia dos finados

Com estes exemplos e estas lembranças todas é claro que o Dia de Finados em minha casa tem que ser uma festa, e já começa no café da manhã com o arroz doce e o ovo frito na manteiga da minha avó e do meu avô paternos respectivamente. Tem também a paçoca dos meus tios, (eles se revezavam em volta de um pilão enorme e socavam o amendoim até virar a melhor paçoca que vocês possam imaginar) e claro, na hora do almoço, não pode faltar o bacalhau com muito azeite e batatas à moda portuguesa, dos meus avós maternos. Mais recentemente o cuscuz do meu pai e de sobremesa seu doce favorito: pudim de leite. O alimento por sua característica de nutrir corpo e alma se presta muito bem a esses carinhos.

A casa iluminada, limpinha, cheirosa, arrumada com flores. A mesa posta, uma música bonita. Perceberam com quantas coisas podemos homenagear nossos Antepassados? Tinha uma avó que gostava de deixar a casa limpinha? Então quando estiver fazendo a limpeza agradeça a ela por ter tido esses carinho com a família. Tinha uma tia que gostava de flores? Se souber qual era a sua favorita, enfeite a casa com ela. Seu pai amava música … e assim por diante, em cada detalhe podemos homenagear alguém.

Sentamos à mesa, e sem grande esforço as lembranças começam a aparecer, coisas engraçadas que vivemos juntos, manias e até mesmo as “ranhetices”. E aí dá uma alegria interior, um entrosamento entre as pessoas que participam e a refeição termina como se nossas forças tivessem sido renovadas. Estamos nutridos novamente do carinho daquelas pessoas que marcaram nossa Vida. Um sopro de felicidade passou por ali.
Sendo assim não posso deixar de passar a vocês a receita de Cuscuz que meu pai adorava e que seguia fielmente, não podia mudar nadinha, talvez porque assim ele sentisse o gostinho do carinho da minha avó, que fazia essa receita para ele.

Muitos devem se lembrar do Livro Dona Benta, de onde essa receita foi tirada. A capa tem a vovó e o netinho preparando um bolo, baseia-se na personagem de Monteiro Lobato, Dona Benta. O livro ensina, há muitos anos, desde o uso de utensílios de copa e cozinha, forno, fogão, pesos, medidas, conteúdos, cardápios, passando pelos arranjos de mesa, guarnições e combinações usuais, tabelas de alcoolização dos aperitivos, licores, etc., temperos, condimentos, molhos, verduras, legumes, frutos, sementes, grãos, até a preparação de salgados, doces, bebidas e gelados em geral. É um livro clássico de culinária, em linguagem simples e acessível a todos os que se interessam por bons pratos e boas bebidas. Recomendo.

Cuscuz da Dona Zilpa

Ingredientes:

  • 01 kilo de farinha de milho
  • 1 xícara de farinha de mandioca
  • 100gr de manteiga
  • 250ml de azeite extra virgem
  • 12 tomates orgânicos
  • 08 ovos tipo caipira cozidos
  • 01 vidro de palmito
  • ½ kilo do peixe de sua preferência, de preferência em postas e sem espinhas
  • 1 lata sardinha
  • 1 kilo de camarão fresco
  • 1 maço de cheiro verde orgânico picadinho
  • 3 cebolas orgânicas
  • Pimenta se gostar na quantidade preferida
  • Azeitonas pretas a gosto
  • Algumas folhas de couve orgânica
  • Sal marinho

Modo de Preparar:
Pique bem picadinhos ½ cebola e 05 tomates e leve ao fogo numa panela com a manteiga. Refogue bem, tempere com o sal e a pimenta. Junte o peixe já temperado com sal e limão. Coloque um pouco de água e deixe cozinhar. Reserve.
Em outra panela leve ao fogo rodelas de 01 cebola e 05 tomates e quando estiver bem refogado junte os camarões bem limpos e temperados com sal e limão. Deixe refogar e junte um pouquinho de água e deixe o camarão cozinhar. Lembre-se que camarão cozinha bem rapidinho. Reserve.

Numa tigela bem grande coloque a farinha de milho e esfarele com as mãos, junte a farinha de mandioca, misture bem e umedeça ligeiramente com água fria. Escorra o molho do peixe sobre essa farinha. Misture bem e acrescente os camarões com o seu respectivo molho. Misture bem e tome cuidado para não esmigalhar os camarões. Quando éramos pequenos, eu e meus primos fazíamos competição para quem achava mais camarão no prato.
Junte as azeitonas e todo o cheiro verde picado.

Pegue o cuscuzeiro, ponha água na parte reservada a ela, deixando sempre uns 4 dedos entre a água e o recipiente que leva o cuscuz.
Vamos começar a arrumar o cuscuz, essa é a parte mais gostosa. Coloque no fundo do recipiente, rodelas de tomate, rodelas de ovo cozido e umas 02 sardinhas, algumas vocês colocam em pé na lateral do cuscuzeiro, com rodelas de ovos também.

Ponha uma camada da mistura, arrume por cima alguns pedaços de peixe e de palmito. Outra camada da mistura, outra de peixe, de palmito, ovos, azeitonas, sardinhas e assim por diante vá arrumando todos os ingredientes, sempre com uma camada de farinha e outra de recheio. Termina com a camada de farinha. Cubra com as folhas de couve, mas sem apertar muito. Cubra com um guardanapo de pano.
Tampe o cuscuzeiro e leve ao fogo para cozinhar. Quando as folhas de couve estiverem amareladas está pronto.
Retire o recipiente do cuscuzeiro e vire num prato bem bonito. Enfeite com ramos de salsinha, rodelas de laranja, folhas de alface crespa ou como sua imaginação desejar.
Sirva com um molho de pimenta vermelha para quem gostar.

Uma boa semana a todos e lembrem-se parodiando o Gil “Quem poderá fazer aquele amor morrer, se o amor é como um grão! Morre nasce, trigo, vive morre, pão.

Quem quiser conhecer melhor esse pai que eu falo sempre visite o Blog do Instituto Pedro Cozzi, nessa semana vou dar muitas dicas de receitas e mimos para homenagear as pessoas que gostamos. http://institutopedrocozzi.blogspot.com

Sobre o Autor: Nadia Cozzi ( @nadiacozzi | G+ )

Nadia Cozzi

* Consultora de Alimentação Consciente e Desenvolvimento Pessoal. * Pesquisa desde 1994 a Agricultura livre de Agrotóxicos e o Ato de se alimentar e a Consciência de quanto ele interfere na Saúde Física, Emocional e Mental do Ser Humano e os efeitos da produção de alimentos para o Meio Ambiente. * Idealizadora do Instituto Pedro Cozzi - Espaço DAR VIDA – (institutopedrocozzi.blogspot.com.br) * Livros sobre uma nova consciência ecológica: (http://alimentopuro.synthasite.com/livros.php) * Blogs: Alimento Puro: alimentopuro.blogspot.com Bio Culinária: bioculinaria.blogspot.com

Site: http://alimentopuro.synthasite.com - Veja todos os artigos de

Faça seu Comentário

  • PARABÉNS Nadia pelo post, muito bom.
    PARABÉNS equipe Coletivo Verde pelas publicações e divulgação.

    e minha amiga Nadia pelas otimas ideias rsss sempre na luta hein
    abraço a todos
    Ricardo Faria

  • Josiana Leite – Decorafino

    Lindo post, que olhar cuidadoso e carinhoso que devemos ter com nossas casa, esse sabor de reunir a família e fazer de um dia que poderia ser triste um dia de festa, gostei, boa semana.
    josiana leite
    http://www.decorafino.com.br

  • Isabela

    Nadia, fiquei encantada com sua homenagem aos nosssos queridos, me fez sentir os carinhos que minha linda vózinha fazia em meus cabelos, o cheiro do arroz doce, e particularmente a torta de nozes que ela escondia a receita rsrsrs, bem hoje a receita está com minha mãe, vou seguir seu conselho e fazer uma bela torta de nozes com cheirinho de vó!!! Obrigada vc mudou a minha visão de um dia triste para um dia lindo e feliz!!!! Isabela

  • Isabela obrigada pelo seu carinho, e curta seu cheirinho de vó. Vamos compartilhar essa ideía e deixar o Mundo mais feliz nesse dia. Quer homenagem melhor? Beijos.

  • Querida Josiana, obrigada. Precisamos ver o mundo mais colorido e feliz. Beijos.

  • Obrigada Ricardo, fico muito feliz ao receber seus votos de Bom Dia. Beijos em seu coração.