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Guilherme Augusti Negri

O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas

21 ago 2010 - Por em Vida Verde

Fast-Fashion (moda rápida ) é um termo utilizado por marcas de roupa que possuem uma política de produção rápida e contínua de peças, trocando semanalmente ou até diariamente a suas coleções. O conceito foi criado por grandes varejistas da europa como H&M e Zara e basicamente prega a produção e o consumo rápido.

“- A loja cria uma relação mais intensa com o consumidor, porque educa o cliente a não esperar por liquidações. Se ele não comprar logo a peça de que gostou, semana que vem ela já pode ter sido vendida. O cliente passa a ir mais ao ponto de venda e, em conseqüência, compra mais.” Define alberto Serrentino, sócio-sênior da Gouvêa de Souza & MD, consultor especializado em varejo em uma matéria no site Mercado Competitivo postada no blog Fashion Bubbles.

Na mesma matéria João Bailey, sócio da Checklist diz que o aumento da produção garante preços mais acessíveis. Isso, além das novidades das araras, atrai os clientes às lojas: “- Essa estratégia do fast fashion atinge em especial a cliente que vai usar de três a cinco vezes as nossas peças. E, depois, quer novidades. “

Mas espere um pouco,  a conta simplesmente não fecha, como é possível aumentar absurdamente o número de peças e modelos e ainda diminuir o preço?

Por trás do slogan “sempre temos novidades” a verdadeira intenção do Fast Fashion é produzir e vender o mais rápido possível. Ele é um movimento liderado e forçado por grandes varejistas que movimentam milhões de doláres e consequemente milhões de pessoas, sim, as pessoas que não foram citadas em nem sequer uma linha da grande maioria das matérias que li sobre o assunto.

Foto: Eugene Hoshiko/Associated Press
Também questionando esta conta irracional a jornalista do Guardian Lucy Siegle escreveu uma matéria que investigou o impacto desta política  nas fábricas e nas pessoas que produzem estas roupas.

As fábricas destes grandes varejistas estão localizadas em países subdesenvolvidos como Cambodia, Bangladesh e Índia aonde é comum o trabalho análogo à escravidão infantil. É basicamente uma constante as pessoas que produzem estas peças tem péssimas condições de trabalho e salários baixíssimos.

Ela pede para visualizarmos: “Imagine uma fábrica  recebendo um fax de última hora ´pedindo´ para que uma peça seja modificada. Ela não tem capacidade, mas você acha que eles irão recusar um pedido de seu cliente? É claro que não, eles simplesmente vão dar um jeito de atender a este pedido”. Adivinhe quem sofre neste processo? Claro as pessoas que serão exploradas a trabalhar mais, em piores condições e com um prazo menor.

E os grandes varejistas aproveitando a posição de poder continuam a pressionar estes fornecedores exigindo prazos mais rápidos e preços mais baixos, as fábricas não querem perder os clientes e fazem tudo o que se pede e toda a “bomba” cai no colo destes trabalhadores que são explorados até o limite.

Neste rítimo frenético não há espaço para respeito, calma, qualidade e muito menos sustentabilidade.

E se você pensa que isto só acontece em países longe daqui ou é exceção é só lembrar o caso que relatamos aqui no blog sobre um dos maiores varejistas brasileiros a Marisa, ela contratou fornecedores que mantinham pessoas trabalhando em semi-escravidão.

O Fast Fashion é uma máxima do consumismo que nos diz: compre freneticamente, descarte o que puder e não pense sobre isto. Nós estamos justamente em um momento em que precisamos repensar as nossas atitudes e ter mais consciência de nossos atos. O planeta esta sofrendo e estamos caminhando rumo a um ecocídio, as mudanças precisam começar conosco.

O fast fashion é ruim para as pessoas e é ruim para o meio ambiente.

Na sua próxima compra pare e reflita alguns segundos, pense na história daquele produto,  quem o produziu e em quais condições?
De preferência a produtos com matérias primas sustentáveis e processos socialmente mais justos. Sim ainda eles são um pouco mais caros e difíceis de se encontrar, mas dê o primeiro passo, troque um produto de sua lista de compras por um produto mais consciente e vá fazendo aos poucos, sua atitude irá manter viva as empresas que fazem diferença e sua ação vai melhorar a vida de milhares de pessoas.

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • salvar o planeta

    para quem gosta do tema sustentabilidade @salvaroplaneta

  • http://www.coletivoverde.com.br/ Guilherme Augusti Negri

    Ola Afonso obrigado pela indicação vou conferir.
    Abraços

  • http://twitter.com/EcoBrindes EcoBrindes®

    Vivemos uma época de contradições….Como pode gastarmos tempo e dinheiro pregando a reciclagem, a redução do consumo e a reutilização como formas de conter o apocalipse ambiental se do lado de lá os apelos consumistas só tendem a crescer e se multiplicar?? Questão pra pensar!

  • http://http//apalavraesua.zip.net José Carlos Santana

    A humanidade tem assistido beneplacitamente ao drama da fome, descontadas algumas iniciativas episódicas. É irrefutável que parte da população abaixo da linha da pobreza precisa consumir mais, porém se os modelos de consumo do chamado Primeiro Mundo forem inplatados em todos os países, rapidamenteos recursos naturais estariam exauridos e o mundo entraria numa fase lúgubre de escuridão, poluição e escassez generalizada. Eis um grande paradoxo do modelo capitalista!

  • Jocasantana

    A humanidade tem assistido beneplacitamente ao drama da fome, descontadas algumas iniciativas episódicas. É irrefutável que parte da população abaixo da linha da pobreza precisa consumir mais, porém se os modelos de consumo do chamado Primeiro Mundo forem inplatados em todos os países, rapidamenteos recursos naturais estariam exauridos e o mundo entraria numa fase lúgubre de escuridão, poluição e escassez generalizada. Eis um grande paradoxo do modelo capitalista!

  • http://www.coletivoverde.com.br/ Guilherme Augusti Negri

    Com certeza Joca. A chave esta em repensar o por quê e como nós consumimos.
    Abraços e muito obrigado pelo comentário

  • http://oecourbanista.blogspot.com/ Tom

    No mundo de hoje, onde o pacote é que faz tudo, parece que o consumismo passou até para as pessoas que não possuem condições de consumir tanto – e isso é péssimo para todos!
    A “melhor”? Ninguém repara que aquela peça AB-SO-LU-TA-MEN-TE NE-CES-SÁ-RIA ficará desatualizada e encostada em semanas (quando não em dias!). Onde está o bom senso e a correção ecológica em tudo isso?

  • http://twitter.com/sobrecomum sobrecomum

    O jogo de oferta e procura da economia sempre foi desequilibrado. Mas conforme se prega, a propaganda é a alma do negócio. E não tenho visto propagandas que falem sobre a sustentabilidade no sentido de oferecer produtos realmente verdes. O que tenho visto são ongs sem muito alcance mas com bastante vontade de mudar o planeta, empresas multinacionais tentando vender como se fosse verde um produto que na verdade não é e várias propagandas institucionais colocando a culpa toda nos consumidores.

    É preciso antes de mais nada educar as pessoas e depois colocar os produtos sustentáveis visíveis ou em destaque nos locais de venda. O que na maioria das lojas isso não acontece.

  • http://www.coletivoverde.com.br/ Guilherme Augusti Negri

    Ola Sobrecomum, é uma verdade ainda é um jogo de gato e rato né? As grandes
    empresas perdidas e lideradas pelo marketing tentam pintar sua imagem de
    verde e as ongs acabam possuindo uma ação limitada por sua estrutura. A
    saída é ligar os consumidores, empresas verdes e as ongs num movimento único
    que exija produtos verdes de verdade e que criem os padrões desta nova
    economia só assim o movimento do consumo consciente e verde terá impactos
    profundos.

    Acredito que o caminho é este e nós estamos fazendo a nossa parte! Vamos
    juntos =))
    Abraços e obrigado pelo comentário

  • Cathy Henry

    Sim Guilherme, mas além das roupas novas ecologicamente corretas, não se esqueça das roupas de segunda mão. A prática de comprar em brechós tb faz parte das ferramentas que temos contra os produtos socialmente irresponsáveis. Abs

  • http://www.coletivoverde.com.br/ Guilherme Augusti Negri

    Ola Cathy, concordo plenamente. Reutilizar é essencial.
    Nos próximos artigos vou salientar este ponto também, muito obrigado =))
    Se tiver materiais bacanas sobre brechós ou até mesmo quiser escrever um
    artigo sobre seria super bacana.
    Vamos juntos, obrigado pelo comentário

  • http://twitter.com/Babyalicious Yaya * in wonderland

    muito bom!!!!! parabens belo texto

  • http://twitter.com/LisaSimpsons21 Elisabeth Simpsons

    Fast Fashion Kiiilllllllllllsss! o//

  • Pingback: Zara e o trabalho escravo -Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava | Coletivo Verde - Produtos Ecológicos

  • http://www.facebook.com/people/Soraia-Ferreira-de-Souza/100000454704267 Soraia Ferreira de Souza

    Totalmente apoiado Guilherme. Só daremos um basta a tudo isso, qdo avaliarmos melhor os produtos que estamos comprando. O poder está nas nossas mãos. A decisão é nossa. Se queremos um mundo realmente melhor, temos que mudar a nossa atitude primeiro. Valeu pela dica. Forte abraço Equipe Recipano

  • http://www.coletivoverde.com.br/ Guilherme Augusti Negri

    Ola Soraia é verdade! Toda mudança começa com nós, vamos juntos =) Abraços

  • Pingback: Mulheres, costura e feminismo « Cynthia Semíramis

  • Reginagineste

    Quando compramos uma fast fashion estamos financiando a exploração de pessoas, na grande maioria mulheres, de sociedades patriarcais, o que explica o baixíssimo salário delas. Em Bangladesh, por exemplo, 3º lugar mais explorado no ramo do vestuário, algumas trabalhadoras recebem 27 euros mês para trabalhar das 8 hs da manhã até meia-noite! E tem marca famosa lá!

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