No último dia 19 de junho, durante a Rio+20, tive a oportunidade de entrevistar Philippe Cousteau Jr., correspondente especial da CNN internacional e defensor especializado em meio ambiente que está no Rio de Janeiro para moderar um painel com o nome The Road to Rio, que será exibido sexta-feira, 29/06 às 12:30 pela CNN.
Também participaram da conversa os blogs Meu Mundo Sustentável, Química Sustentável, Carol Daemon, EcoDesenvolvimento e Ideias.

Durante a conversa foram feitas perguntas sobre diversos temas, abordando a questão dos oceanos, juventude, engajamento, Código Florestal e, claro, a Rio+20.
Balanço sobre a Rio+20
A opinião de Cousteau sobre a Rio+20 é positiva e, apesar de verificar uma série de retrocessos na agenda governamental, entende que a sociedade está participando mais dos processos de decisão que estão acontecendo no Rio.

“Elas estão mais engajadas e se sentem parte do processo de mudança que está acontecendo agora no Rio. Daqui um tempo nós veremos o efeito disso”, afirma Cousteau.
Os 3 fatores que afetam a vida nos oceanos
Cousteau é um especialista em oceanos e comentou um pouco sobre a preocupante situação desse ecossistema. Para ele, existem três grandes fatores que estão afetando a vida nos oceanos: o carbono, a pesca excessiva e os resíduos sólidos.

O carbono é o mais preocupante pois é um dos fatores relacionados à elevação da temperatura do planeta e contribui para a acidificação das águas, interferindo nas formas de vida do todo o oceano e, consequentemente, do planeta. Mais de 70% do planeta é coberto por oceanos e grande parte do nosso oxigênio da terra é liberado pelas algas marinhas.

“Carbono é um problema pois afeta a sua temperatura e acidez, o que por sua vez afeta toda a vida neste ambiente. As pescas excessivas também são um problema. A pesca fornece proteína para mais de um bilhão de pessoas no mundo e não podemos exaurir esse recurso por conta do mau uso”, comenta rapidamente Cousteau.
Garantindo a sustentabilidade da vida marinha

Segundo Cousteau, uma das soluções plausíveis para a questão da pesca excessiva seria a criação de uma lei de oceanos que garantisse a sustentabilidade da vida marinha.
“Infelizmente não há uma governança sobre o oceano aberto. É uma terra sem lei, então as pessoas podem jogar lixo e pescar sem que haja fiscalização. Temos que pensar numa forma de proteger o oceano aberto. É preciso criar as leis e fazer com que elas funcionem.”

Além disso, Cousteau afirmou que os governos e empresas precisam parar de financiar a indústria da pesca por meio de subsídios. “Esses subsídios podem vir de empresas ou governos e essa prática é péssima para a saúde do planeta. Se continuarmos com os subsídios, os peixes vão sumir e em breve não teremos o que pescar.”
Para Cousteau, os jovens tem o poder de mudar o mundo pois conseguem influenciar nas decisões e tem vitalidade para lutar por um futuro melhor. Reforçou que os governos não tem interesse em mudar essas práticas e a pressão da sociedade é de suma importância para a mudança desses paradigmas.

Fotos: Earthshots / Nghphoto / Vebidoo















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