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Guilherme Augusti Negri

Como o consumidor consciente e as pequenas empresas vão revolucionar o mercado verde

Uma das grandes reclamações que ouço das pessoas que querem consumir produtos verdes é que simplesmente não os encontram. E é verdade, existem poucos produtos disponíveis para compra e eles são muito difíceis de encontrar. Mas por que isto ocorre?

Estamos vivendo uma transformação, descobrindo a nossa inteligência ecológica e reavaliando a maneira como consumimos, estamos engatinhando rumo ao consumo consciente e esta transição leva tempo.

Empresas também são formadas de pessoas e estão exatamente na mesma situação, elas ainda estão aprendendo sobre sustentabilidade. Escrevi sobre o assunto no artigo:“Sustentabilidade nos negócios: Em essência uma nova maneira de se relacionar com as pessoas e o meio ambiente” e lá contei em que momento vive o mercado verde.

Mas quem são os agentes transformadores que hoje trabalham para criar produtos mais verdes?

Em minha análise pessoal, acredito que as pequenas empresas que nasceram com o DNA da sustentabilidade serão as grandes precursoras deste novo mercado. São estas empresas que transformarão este momento de reflexão em ações, são elas que viabilizarão produtos e serviços que equilibram o lucro, a natureza e as pessoas.

O que potencializa esta vanguarda é que os fundadores destas novas empresas em sua grande maioria são apaixonados pelo seu negócio e extremamente ligados à natureza, muitos deles criam produtos e serviços verdes porque simplesmente não os acham no mercado e inconformados trazem pra sua vida o desafio de criá-los e disponibilizá-los.

Este forte significado pessoal gera uma clareza de objetivos para a empresa, ela já nasce profundamente comprometida a ser uma empresa verde de verdade. Produzir produtos verdes será pré-requisito, será obrigatório e não uma informação vazia na missão da empresa.

Outra grande vantagem é que a estrutura de uma pequena empresa é perfeita para este tipo de desafio, devido a seu pequeno porte ela é flexível e próxima aos consumidores,ela pode avançar e recuar com rapidez, pode, por exemplo, lançar uma linha de produtos, pegar um feedback do cliente e transformá-los, ou descobrir um processo mais sustentável, testá-lo e já colocá-lo em prática. É exatamente isto que o mercado verde precisa, inovar com rapidez e com objetivo claros.

Para ilustrar o conceito da flexibilidade e parceria, gostaria de contar o e exemplo do desenvolvimento da embalagem sustentável para as camisetas ecológicas do Coletivo Verde. Assista ao vídeo:

O Coletivo Verde gerou uma idéia inicial de embalagem e contratou o escritório de design Design simples para desenvolve-la. Após meses de estudos o escritório apresentou soluções super bacanas e sustentáveis de embalagem, entre elas a solução da embalagem-floreira do video.

E este é apenas um dentre os milhares de exemplos de parcerias e empreitadas que as pequenas empresas verdes estão liderando. Acredito que 2011 será o ano dos lançamentos, nós mesmo estamos preparando boas surpresas.

Se você quiser ler toda a história do desenvolvimento da embalagem e o desfecho do projeto acesse o post sobre a embalagem sustentável..

As grandes empresas também investem em pesquisa e desenvolvimento mas possuem uma grande desvantagem que é o seu tamanho. Por incrível que pareça o fato de serem gigantes no mercado impedem uma atuação com expressão, estas empresas enxergam o mercado verde como um mercado de futuro que hoje é fragmentado e com poucos dados confiáveis.

O risco de investir em um produto inovador para um mercado desconhecido é muito alto e poucas empresas estão dispostas a corrê-lo. É por isto que a grande maioria dos produtos lançados por grandes empresas são conceituais, superficiais ou até mesmo ações de greenwash (atitude de burlar, maquiar ou enganar o consumidor sobre a sustentabilidade do produto).

Outro ponto não menos importante é que a sustentabilidade exige a flexibilidade e uma intimidade com a natureza que uma sociedade anônima só consegue com um esforço bastante grande.

É claro que as grandes empresas e o Estado terão papéis importantíssimos nesta transição, mas acredito que será a médio prazo, quem desbravará e criará os produtos e serviços verdes de verdade, serão as pequenas empresas verdes e valentes.

Mas como eu consumidor, posso fazer parte da construção desta nova era?

O consumidor é quem decide se uma empresa deve crescer ou falir, quem esta no comando é você, a força de seu consumo e de sua opinião é que vai decidir se as políticas de uma empresa e a sua postura em relação a natureza e as pessoas devem continuar ou deixar de existir.

O maior desafio de uma empresa verde hoje é ter sustentabilidade financeira, muita delas foram construidas com capital do próprio empreendedor e muitas delas operam no vermelho, investindo seus recursos em pesquisa e desenvolvimento para melhorar processos e produtos e torná-los mais verdes.

Isto no dia a dia é muito complicado, está tudo ali e é fácil pegar o “atalho” e lançar um produto igual ao que todos fazem, mas não, estas empresas sacrificam o lucro e o caminho convencional acreditando que é possível fazer melhor.

É um caminho duro, mas recompensador, você pode ter certeza: independente do segmento esta empreitada vale a pena, a única incógnita é o tempo necessário para que os frutos emadureçam e a empresa comece a operar com sustentabilidade financeira.

E é ai que o consumidor inovador pode fazer a diferença. Se a empresa está em fase de desenvolver um produto, você pode participar em pesquisas, testes e se envolver com o processo. Se ela já possuir um produto no mercado, compre-o e dê a sua mais sincera opinião.

Para ficar mais fácil e objetivo, criei uma listinha de 4 dicas rápidas para ajudar uma empresa verde:

Compre!
A compra é o ato mais concreto de apoio que você pode dar a uma empresa verde, é o que vai fazer a empresa sobreviver, crescer e continuar com seu trabalho. Consuma de maneira consciente e se estiver em dúvida mande um e-mail para o dono do negócio, bata um papo e tire suas dúvidas.

Elogie ou “desça a lenha”
Se a empresa fez um bom trabalho, elogie e conte porque gostou. Se foi um trabalho ruim e você não ficou satisfeito, desça a lenha. Seja duro e conte a verdade. Só com a sua opinião sincera os empreendedores poderão visualizar seus problemas, resolvê-los e oferecer um produto e serviço melhor.

Se envolva, faça parte espalhe a mensagem
O que mais impede o consumo de produtos ecológicos é a falta de informação, por isso, escreva sua opinião nas redes sociais, debata com seus amigos da faculdade, escola, trabalho e espalhe a mensagem. Não se importe com o nível de conhecimento que você possui sobre sustentabilidade, todos nós temos muito a aprender, o importante é trazer a sustentabilidade para o nosso dia a dia.

Tenha certeza de que sua ação faz a diferença
Eu cansei de ouvir pessoas dizendo que a compra de um produto ecológico não faz diferença, isso é papo furado. Acredite, para nós, que estamos todo os dias lutando para crescer e construir empresas verdes, toda compra e todo feedback é uma vitória, ele é o combustível e força para continuarmos.

Vamos juntos!

Este post foi originalmente escrito para o blog Greenvana Style no qual escrevo semanalmente.

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • Bruna Lucianer

    Guilherme, peço sua autorização para publicar o final deste artigo, o subtítulo “Mas como eu consumidor, posso fazer parte da construção desta nova era?”, no Caderno de Ecologia onde trabalho. Será publicado como artigo de opinião, assinado por você. Tem tudo a ver com o tema de capa desta edição, que são dicas de novas atitudes a serem tomadas no novo ano.
    O Caderno será publicado na próxima terça-feira.
    Tudo bem?

  • Boa tarde Bruna como esta?
    Super bacana, fico super feliz e é claro que você pode publicar o artigo só
    peço por favor para indicar o endereço do blog =)
    Depois você pode me mandar uma cópia digitalizada?
    Qualquer outra informação fico a disposição =)
    Abraços

  • o único problema que eu vejo é que alguns produtos são muito caros, e pra gente que quer fazer a nossa parte, mas tá com a grana meio curta, fica difícil =/

  • É verdade Pamela, infelizmente ainda o preço dificulta um pouco, escrevi um
    artigo que fala exatamente sobre isto:
    Me diz oque acha: http://www.coletivoverde.com.br/revolucao-mercado-verde/
    Abraços

  • Adoro seu blog!! Muito bom este texto!

  • Muito obrigado Sarah =)))
    Vamos juntos!!

  • Gicervo

    Oi Guilherme!
    Excelente texto, parabéns!
    Gostei tanto que postei no meu twitter para o pessoal que gosta de estar informado sobre ações ecológicas como eu.
    Boa sorte, sucesso com o Coletivo Verde e espero postar ainda mais textos teus.

  • Ola Gi, muito obrigado pelas palavras e pela divulgação.

    Vamos juntos =)

  • Produtos “verdes” são puro marketing.

    Primeiro porque praticamente ninguém sabe o que significa algo sustentável, e compra o produto apenas pq tem o “selinho verde”. Vale lembrar que a Petrobrás é considerada uma empresa VERDE (!), apesar de trabalhar retirando carbono do solo para queimarmos no ar.
    Segundo que não basta apenas o produto em si: temos a embalagem, o rótulo, o transporte, a fábrica, tudo está interligado na cadeia da Sustentabilidade, portanto não basta comprar um palmito replantado sendo que a cadeia de produção dele é insustentável – e normalmente é terceirizada, livrando a marca do produto de tais responsabilidade.
    Terceiro pq não se fala em Ecologia sem diminuir o consumo. O primeiro papel do consumidor é justamente diminuir o consumo, não comprar!!! Principalmente o consumo desenfreado de bens superfluos que só servem para a manutenção de egos.
    Nunca se falou tanto em ecologia como nos dias de hoje, e paradoxalmente também nunca se poluiu tanto!

    No final das contas você para mais caro pela Publicidade Verde do produto, sem nem saber de onde veio!

  • Produtos “verdes” são puro marketing.

    Primeiro porque praticamente ninguém sabe o que significa algo sustentável, e compra o produto apenas pq tem o “selinho verde”. Vale lembrar que a Petrobrás é considerada uma empresa VERDE (!), apesar de trabalhar retirando carbono do solo para queimarmos no ar.
    Segundo que não basta apenas o produto em si: temos a embalagem, o rótulo, o transporte, a fábrica, tudo está interligado na cadeia da Sustentabilidade, portanto não basta comprar um palmito replantado sendo que a cadeia de produção dele é insustentável – e normalmente é terceirizada, livrando a marca do produto de tais responsabilidade.
    Terceiro pq não se fala em Ecologia sem diminuir o consumo. O primeiro papel do consumidor é justamente diminuir o consumo, não comprar!!! Principalmente o consumo desenfreado de bens superfluos que só servem para a manutenção de egos.
    Nunca se falou tanto em ecologia como nos dias de hoje, e paradoxalmente também nunca se poluiu tanto!

    No final das contas você para mais caro pela Publicidade Verde do produto, sem nem saber de onde veio!

  • Produtos “verdes” são puro marketing.

    Primeiro porque praticamente ninguém sabe o que significa algo sustentável, e compra o produto apenas pq tem o “selinho verde”. Vale lembrar que a Petrobrás é considerada uma empresa VERDE (!), apesar de trabalhar retirando carbono do solo para queimarmos no ar.
    Segundo que não basta apenas o produto em si: temos a embalagem, o rótulo, o transporte, a fábrica, tudo está interligado na cadeia da Sustentabilidade, portanto não basta comprar um palmito replantado sendo que a cadeia de produção dele é insustentável – e normalmente é terceirizada, livrando a marca do produto de tais responsabilidade.
    Terceiro pq não se fala em Ecologia sem diminuir o consumo. O primeiro papel do consumidor é justamente diminuir o consumo, não comprar!!! Principalmente o consumo desenfreado de bens superfluos que só servem para a manutenção de egos.
    Nunca se falou tanto em ecologia como nos dias de hoje, e paradoxalmente também nunca se poluiu tanto!

    No final das contas você para mais caro pela Publicidade Verde do produto, sem nem saber de onde veio!

  • Vanessa

    Oi Guilherme,
    Pela primeira vez tenho a oportunidade de ler um artigo dando atenção a verdadeira realidade das empresas verdes e sua relação com o consumidor consciente. Também sou uma empreendedora social e, atuando há mais de 08 anos no mercado de Comércio Justo, vejo o quão importante é a divulgação deste cenário. Venho assistindo diversas iniciativas pioneiras nesta área abandonarem, pela inviabilidade financeira, o atendimento ao consumidor final e buscarem novos mercados, que é o caso do corporativo. Infelizmente a grande maioria não tem mais fôlego financeiro para aguardar que o consumidor passe a apoiar estas iniciativas através de efetivas decisões de compra e não apenas de elogios as iniciativas. É fundamental o entendimento de que a sustentabilidade só será realmente alcançada com um comprometimento coletivo e um trabalho colaborativo – todos os agentes transformadores envolvidos. Por fim espero que a Casa da Vila – empresa que idealizei com todos os elementos mencionados acima em seu artigo – consiga dar continuidade ao seu trabalho junto as 350 comunidades hoje atendidas.
    Um enorme abraço,
    Vanessa Gomes
    http://www.casadavila.com.br