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Lucas Malaspina

Seus filhos sabem o que é uma berinjela? (POST COCRIADO)

17 out 2012 - Por em Vida Verde

[Lucas] Hoje estreamos um novo tipo de conteúdo aqui no Coletivo Verde: os posts COCRIADOS. 
Há algum tempo que estamos flertando com essa ideia de escrever textos colaborativamente, tudo isso fruto das nossas conversas, troca de informações, opiniões pessoais, etc. Enfim, cada um com o seu  próprio ponto de vista e sua maneira de enxergar o mundo, mas sempre orientados pela sustentabilidade, claro. Pois chegou o grande dia! Depois de muito debater sobre o formato deste post, optamos pela velha fórmula do aprender fazendo e decidimos soltar o post da maneira como ele foi concebido mesmo. Cada um com o seu espaços e seu dedinho no texto. O post a seguir foi pensado e escrito pelo Dan e a Carol Guillen em conjunto com a Zilah. No início de cada parágrafo estão os nomes, para facilitar esta identificação. Espero que gostem. =)

[Dan] E aí, pessoal?

[Dan] Noite dessas, eu e a Carol assistimos a um vídeo muito legal, ao mesmo tempo intrigante e assustador: Criança: a alma do negócio. Produzido pela empresa Maria Farinha e dirigido por Estela Renner, o ótimo vídeo aborda a temática da publicidade voltada para o público infantil. Se você tem ou pretende ter filhos, assista correndo. Não deixe de ver.

[Dan] Ficamos surpresos com o que vimos! De forma muito clara, o vídeo mostra como a indústria incute a lógica do consumismo nas crianças, de forma quase inconsciente – para elas e para nós, pais e educadores. Ficamos assustados de pensar que a nossa Júlia (que vai nascer em dezembro), vai crescer exposta a esse tipo de coisa… (que bom que, como optamos por não ter televisão em casa, o problema deve ser amenizado).

[Zilah] Acho que fica bem claro também que é preciso formar novos consumidores para que o sistema capitalista se sustente e se mantenha. É engraçado falar em sustentabilidade em meio a um texto crítico mas, nunca ninguém me disse que a sustentabilidade está associada somente a coisas boas, como costumamos a ver nas propagandas.

criança a alma do negócio

[Dan] O documentário mostra depoimentos de pais, pesquisadores e educadores comentando sobre como a propaganda direta e indiretamente influencia o comportamento das crianças. Um dos efeitos é o estímulo à competição entre colegas e a aceleração da vida adulta. Muitas propagandas, além de estimular o consumo, estimulam a sensualidade de maneira precoce, relativizam os valores morais e apresentam para as crianças um mundo falso e insustentável.

[Zilah] E para isso nada mais eficiente do que o uso dos veículos de comunicação, que muitas vezes só reforçam um modelo de vida que eles têm como referência dentro da própria casa. Os pais também têm uma grande parcela de culpa sobre como seus filhos são influenciados e também pelo fato de deixarem que essa influência aconteça sem que sejam estabelecidos limites.

[Dan] Uma parte chocante do vídeo é quando a jornalista mostra para as crianças um monte de verduras (chuchu, jiló, berinjela, etc.) e muitas das crianças não sabem o que é. Logo depois, ela mostra logomarcas de aparelhos celulares, e as crianças reconhecem todas!

[Dan] Juridicamente, as crianças são consideradas legalmente incapazes, não respondendo pelos atos da vida civil. Ou seja, entende-se que elas não têm condições de decidir o que é melhor para elas. Com base nisso, como justificar as propagandas voltadas para o público infantil?

[Dan] Deveria ser proibido fazer propaganda direcionada para o público infantil, mas até o Estado conseguir vencer a queda de braço com a indústria, e principalmente com a grande mídia, todos devemos ter mais atenção àquilo que as crianças estão assistindo. Outra grande opção é evitar resumir o lazer das crianças a idas no shopping. Existem tantas outras coisas que são divertidas, de graça e muito mais saudáveis. Vá passear em um parque, ande de bicicleta com os pequenos, leve-os ao zoológico, faça um piquenique, enfim, use a criatividade para dar novas atividades aos seus filhos, sem depender de compras.

[Zilah] É interessante abordar o caso dos pais que passam muito tempo fora de casa e têm poucos momentos de lazer com os filhos. Recentemente assisti a uma entrevista com um pediatra que citava casos de crianças que tem como referência de momentos de lazer passeios ao shopping e ao supermercado nos fins de semana. Certamente, compensar as falhas afetivas cedendo aos desejos de consumo dos filhos não é a melhor forma de educa-los para que sejam cidadãos conscientes de seus deveres com a sociedade e com o meio ambiente.

[Lucas] A entrevista citada pela Zilah você encontra aqui.

[Dan] A nossa cunhada adota uma medida simples e muito eficiente. Ela mostra para o Henrique (de sete anos) o real valor das coisas. Ela não sai comprando tudo que ele pede, procura sempre ponderar com ele se aquele brinquedo é realmente tão importante. Ela conversa, mostra o valor das coisas comparando com a quantidade de dias que ela terá de trabalhar para comprar determinado brinquedo, ou compara seu valor ao de um carrinho cheio de compras de comida. Assim, propõe um acordo, sugere que ele use suas economias, enfim, mostra que o ato de comprar não é tão simples assim como as crianças pensam. Pra muita gente pode parecer uma forma dura para as crianças, mas somos testemunhas de que isso não faz mal algum, muito pelo contrário. O Henrique está aprendendo a refletir antes de comprar, está muito mais seguro e com clareza do que ele realmente quer.

[Zilah] A postura da cunhada da Carol e do Dan é muito interessante também! A criança deve aprender desde cedo o real valor das coisas (tanto materiais quando subjetivas), que ter tudo o que é mostrado na TV e o que é moda entre os colegas não é condição para ser melhor que ninguém. A sensação de pertencimento deve estar desde cedo associada ao que a pessoa é, não ao que ela tem e acredito que essa é parte fundamental para a formação do caráter e da personalidade da criança.

[Zilah] Outra coisa que achei interessante comentar é que talvez pelo fato de o documentário ter sido feito em 2009, a questão da internet não foi tratada em momento algum. O uso da internet entre crianças e jovens é crescente no mundo inteiro e mais uma vez, devemos lembrar que é responsabilidade dos pais e da família filtrar as informações a que estas crianças têm acesso. Uma coisa preocupante é o conteúdo dos jogos online. É violência (comum nos jogos para meninos) e consumo (nos jogos para meninas). Benefícios exclusivos dados a quem tem a assinatura acabam formando grupos dentro do próprio joguinho online, tem objeto que só pode ser “comprado” por quem tem uma assinatura (falo isso como mãe de uma menina de 12 anos). Além disso, o fato de seu filho estar em contato alguém completamente desconhecido preocupa e requer ainda mais cuidado e atenção.

[Zilah] Mais uma vez, como mãe de uma menina, quero citar o exemplo das bonecas. As bonecas mais vendidas não são as com características infantis e sim as que fazem a projeção de uma adulta sensual, com o corpo perfeito, muitos amigos e provavelmente muito dinheiro, pois o tanto de roupas, acessórios e passeios ao shopping mostrados nas propagandas dessas bonecas é impressionante. Aproveito a deixa para mostrar um trabalho lindo que tenho tido a oportunidade de acompanhar de perto. É o projeto social Brincando …com Lola, que tem a proposta de resgatar a identidade, a criatividade e auto estima de meninas carentes através de um contato sensibilizado com bonecas que podem ser personalizadas de acordo com o gosto da criança.

[Lucas] Conheça o projeto Brincando com Lola, citado pela Zilah, aqui.

[Zilah] E agora, como profissional da comunicação, graduada em publicidade, digo que muito dessa responsabilidade em relação ao que chega até as crianças está na mão dos publicitários, que se subordinam ao pensamento do lucro acima de tudo adotado com frequencia na grande maioria das empresas. Conforme citado em um trecho do documentário, essa busca exclusiva pelo lucro e o incentivo ao consumismo desenfreado, vão na contramão da consciência ética social e ambiental.

[Zilah] É importante cada um pensar no seu papel e nos seus deveres a respeito disso tudo pois, “o fim da infância é o fim do futuro”. Estamos à beira de um colapso.

[Lucas] Você pode assistir ao documentário “Crança a Alma do Negócio” completo no Vimeo, clicando aqui e também as versões para download no site do Instituto Alana, aqui.

Sobre o Autor: Lucas Malaspina ( @lucasmalaspina | G+ )

Lucas Malaspina

Lucas Malaspina é formado em Marketing com especialização em Gestão Marcas e Sustentabilidade. É sócio da SustentaLab, viciado em criatividade, desafios e o pôr-do-sol.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • Bruna

    Baixar o Documentário – Criança, a Alma do Negócio – Trata sobre a publicidade que é dirigida às crianças no Brasil – http://mcaf.ee/dowg6

  • Clara Sol

    MIKAELLI.

    Eu não
    tenho filhos, mas meus sobrinhos adoram comer berinjela, apenas eles pedem que
    tirem os bicos.. Até eu também quando faço cato todos os bichos. Uso muito berinjela,
    principalmente para fazer lasanha, fica simplesmente deliciosa. Muito agradecida por compartilhar e
    sempre que

    postar
    receitas com toques e segredos tipo estes me

    indique,
    pois adoro apreciar os amigos e suas

    novidades.

    Abraços
    sempre.

    ClaraSol