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Guilherme Augusti Negri

Sustentabilidade nos negócios: Em essência uma nova maneira de se relacionar com as pessoas e o meio ambiente

Foto por Cuba Gallery

Todos os empreendedores e consumidores conscientes que estudam produtos ou serviços sustentáveis se deparam com uma série de desafios, o mais recorrente deles é a  escassez de informações. Em todo bate papo sobre o assunto ouço a reclamação  de que é um mercado extremamente fechado, ninguém disponibiliza informações e de que  é super complicado e confuso. De certa forma é verdade, eu mesmo sendo um consumidor consciente a muito tempo e um participante ativo do “mundo sustentável” sempre me surgem dúvidas e é comum eu não saber a quem recorrer, por isto resolvi escrever uma série de artigos sobre a minha interpretação do mercado e levantar a bola para debatermos e trocarmos idéias.

Um novo mercado, sem padrões, emocional e exigente

Em primeiro lugar precisamos entender que o mercado da sustentabilidade é completamente novo,  ele ainda não possue padrões, métricas e não possui líderes,  até mesmo o termo “sustentável” é  passível de diversas interpretações, imagine quando ele se aprofunda e se estende para certificações, comércio justo, orgânico e diversos outros conceitos complexos , é simplesmente complicado.

Mas não se engane, apesar de ser novo e não possuir padrões estabilizados ele é um um mercado extremamente exigente, o que ocorre é que há diversas correntes e interpretações para definir oque é um produto ou serviço sustentável e irá levar um tempo até que estas informações se cruzem e se crie um padrão do que é realmente sustentável.

Atualmente os consumidores do mercado sustentável  são os consumidores conscientes iniciantes e os “comprometidos” que são ativistas de proteção ambiental e animal, vegetarianos, biólogos, gestores e educadores ambientais e outros profissionais que estão extremamente informados e emocionalmente ligados a causa ambiental e social e são formadores de opinião para os consumidores conscientes iniciantes. Para se ter uma idéia da quantidade de pessoas que já encaram o consumo de maneira diferenciada, a pesquisa “Oque pensam e como agem consumidores conscientes” de 2005 do Instituto Akatu afirma que 43% das pessoas em regiões metropolitanas já possuem hábitos de um consumidor comprometido e consciente.

Contrariando oque muitas pessoas pensam  o consumidor verde não segue a lógica de comportamento dos consumidores de nicho convencionais, a velha lógica da campanha de marketing agregando valor ao produto não vai funcionar. Só propaganda não consegue convencer. Nós consumidores conscientes temos convicção de nossa escolha e vamos consumir com critério. É uma questão pessoal e quase religiosa, se busca a verdade e não se admite o greenwash (atitude de burlar, maquiar ou enganar o consumidor sobre a sustentabilidade do produto).

Um exemplo recente que esta fórmula não funciona foi o evento musical  SWU. A organização do evento levantou a bandeira da sustentabilidade com vigor e  investiu pesado em uma campanha de marketing para agregar o “conceito da sustentabilidade” o resultado?  Basta uma rápida busca no Google:  nenhum blog com conteúdo verde  elogiou o evento, pelo contrário ele foi massacrado e definido como um fiasco em sustentabilidade, o sentimento e o buzz que foi gerado foi exatamente o contrário do esperado. É simples: não adianta só parecer, é preciso ser.

Foto por Jack Bloom

Eu pessoalmente acredito que uma empresa sustentável é aquela que esta profundamente empenhada em minimizar o seu impacto ambiental e maximizar o seu impacto social. É uma empresa que enraiza em sua cultura corporativa esta missão e se compromete a colocar a mesma importância na natureza e nas pessoas a importância que coloca no lucro.

A transparência é o termômetro pra medir este compromisso, é a ferramenta que dispomos para e analisar uma empresa. Para ser transparente ela precisa disponibilizar todas as informações possíveis de seus serviços e produtos. Demonstrar a sua cadeia-produtiva e fornecedores e divulgar estudos sobre o impacto dos produtos no meio ambiente e nas pessoas.  Além de disponibilizar informações escutar é a palavra chave, a empresa precisa dar espaço para o consumidor opinar e estar disposta a tomar ações com estas opiniões, inclusive chegando a situações de desistir ou reformular completamente um produto.

A empresa verde precisa estar com a cabeça aberta e aprender a se relacionar com um novo consumidor, mais informado e consciente e entender que a natureza e as pessoas são tão importantes quanto seu lucro.

No próximo artigo vou fala sobre os atores do mercado sustentável e o por que é tão difícil encontrar informações para abrir e desenvolver uma empresa sustentável, o algodão orgânico será o protagonista.

Quer saber mais e debater? Junte-se a nós na comunidade Moda Verde ww.modaverde.com.br

Vamos que vamos e até a próxima =)

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • Suelen Trevizan

    Olá!

    Hoje é fundamental discutir a questão da sustentabilidade nas empresas. No mundo dos negócios os conceitos mudaram. Não se fala mais (abertamente pelo menos) em obter lucros, mas em proporcionar uma experiência ao consumidor. Se a indústria quer se adequar a essa nova realidade, não basta fazer um marketing verde, é preciso também modernizar suas ações, tanto na linha de produção, quanto nas vendas e na relação de seus funcionários.

    Falando em sustentabilidade, aproveito para divulgar tb uma iniciativa interessante em São Paulo: o Projeto Urbano Córrego do Antonico, localizado em Paraisópolis, segunda maior favela da cidade (são 60 mil habitantes). Lá eles transformaram a relação da população com o córrego, que antes só trazia problemas, como inundações e mal cheiro. Acho que vale a pena ler esta matéria: http://migre.me/2a49B

    Abs.

  • Jack-Bloom

    Hey,
    I’m very glad to see my pic in your blog and of course you have my permission.

    By the way, the topic is very interesting, since i am a student of “Environmental Engineering/Renewable Energies”. Even if Google had to translate the text for me

    If u find some spelling-mistakes, you can keep them..cuz my english isn’t the best

    greetings from germany

  • Pingback: Cinco maneiras de perder peso – Basta Slimming | pt.slimming.host4rich.net()

  • Excelente texto e percepção Guilherme!!! D+ ;)

  • Excelente post, Gui!! A única maneira de educar para o consumo consciente é trazendo para a luz tudo o que há por trás de cada produto consumido. A transparência, a informação clara e séria circulando, são as bases para reflexão, identificação real do cenário e estratégias para mudança. Adorei o texto! Necessidades econômicas, ambientais e humanas, precisam andar juntas dentro de um processo correto de fabricação e comercialização de produtos. Vivemos hoje um modelo econômico continuamente alimentado por um consumo cada vez maior de recursos. A insustentabilidade deste modelo é amplamente reconhecida. Agora é urgente a organização de padrões que permitam a criação de um modelo econômico sustentável. Matérias como essa, são o caminho… Informação, informação e informação.

  • Naná Hayne

    Oi Guilherme, post muito legal =)
    Acho que uma das coisas mais óbvias (por isso mesmo difícil de ser vista) no consumo consciente/produtos ou serviços sustentáveis…é a ÉTICA!
    Exato isto que aos poucos foi desaparecendo, desaparecendo até quase que sumir do mercado.
    Quem tem ética, tem automaticamente consciência sobre seus atos.
    Como disse vc o greenwash não é aceito, porque as pessoas estão + exigentes, mais bem informadas e acima de tudo têm ética.

    Seja como for, a preocupação e modificação conceitual sobre sustentabilidade DEVE ser global, caso contrário não adiantará nada…se, somente alguns fizerem ( ainda que muito) se a ação não for de todos. Pois não haverá para onde escapar… Bem, parece que já começaram a planejar viagens para Marte, só se for…rs
    Pensemos:
    Ainda que, eu, que reutilizo lixo eletrônico há 8 anos, tento elucidar muitas pessoas sobre tantos problemas que pode causar o descarte irresponsável, também serei contaminada e estaremos todos, (quem faz e quem não faz) correndo o mesmo perigo. Porque se este descarte continuar acontecendo e metais pesados forem parar nos lençóis freáticos não haverá COMO separar o “joio do trigo”… Quem sabe hj em dia de onde vem o alimento que está colocando na boca? Poucos eu diria…e ainda assim, existem coisas quase que impossíveis de saber com a segurança necessária, veja-se a questão do leite com soda cáustica, agrotóxicos que ainda ontem vi no noticiário, estão sendo vendidos e enviados pelo correio.

    O conceito = educação é o que precisa ser mudado e ele é ético.

    Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.

  • Guilherme, muito bom artigo, parabéns.

    Estou começando meu trabalho final do curso de comunicação exatamente nessa relação das empresas com essa “nova sustentabilidade”. Sou editor-chefe do “E esse tal Meio Ambiente?” (essetalmeioambiente.com) e recebo muitas propsotas realmente “indecentes” de empresas querendo que eu as divulgue. Elas estão querendo se inserir a qualquer custo e construir uma imagem de ambientalmente responsáveis…
    Acho que esse é um assunto ainda pouco discutido, mas que merece bastante atenção, principalmente de líderes de opinião como nós.

    Muito obrigado, vou continuar seguindo… e se tiver uma oportunidade, gostaria de te pedir mais referências.

    abs,
    Diêgo Lôbo

  • Fala Diêgo como esta? Que coincidência ontem conversei com a Aline
    publicitária e leitora do blog exatamente sobre o assunto.

    Você tem toda a razão, nós temos que nos posicionar e criar uma situação
    diferente, hoje existe uma sensação de impotência de submissão por parte dos
    blogueiros que precisa mudar. Nós temos que criar valores, as pessoas que
    querem criar uma mudança concreta e positiva.

    É um assunto tão bacana e tão vasto que merece uma boa conversa ao vivo ou
    por voz. Vamos bater um papo via skype? Me adicione: guilherme.coletivoverde

    Me manda um e-mail também no guilherme@coletivoverde.com.br

    Vamos que vamos.

  • Paulo D2005

    Alô Guilherme
    Me sinto privilegiado tendo descoberto seu blog. Obridado. Algum tempo trabalhando com educação e, reaproveitamento de materiais para arte,  “tentando” ter uma escolha consciente no meu consumo pessoal. Valeu garoto.
    Paulo Gomes
    http://paulogomes-artistaplastico.blogspot.com/

  • Ola Paulo, muito obrigado pelas palavras.
    Acho que este é o caminho! Todo dia buscar e fazer um pouquinho rumo a uma vida mais verde, é um aprendizado contínuo =))Parabéns pelo seu blog! Já estou seguindo por aqui!Abraços e vamos juntos

  • Oi Amigo, eu gosto muito do seu blog é muito legal! Parabens, acho ótimo um espaço como este. Sou mexicano e com uns amigos vamos começar uma publicação, a gente vai escrever sobre muitos topicos  e uma parte importante deles é a sustentabilidade, gostaria saber se você deixa publicar este artigo em nossa publicação. Eu quero fazer a tradução e escrever o link daqui e seu dados de contato.  

    Obrigado.
    Eduardo Aguilar.

  • Ola Eduardo como esta? Muito obrigado pelas palavras!
    É claro, será um prazer colaborar com a publicação de vocês. Conte mais sobre ela, fiquei super curioso.
    Vocês topam também escrever artigos aqui para o Coletivo Verde contando como a sociedade do México esta lidando com a sustentabilidade? Abraços e vamos juntos =)

  • Pingback: Anônimo()

  • Enio Cascarelio

    Tenho lido muito sobre desenvolvimento sustentável. Encontrei este artigo, e achei muito esclarecedor e ao mesmo tempo engajador. Continuarei sempre por aqui! Enio Cascarelio/ Professor de Geografia.