• FEED

Dan Lima e Carol Guilen

Como enfrentar a crise econômica mundial? Trabalhe menos

13 abr 2012 - Por em Vida Verde


….dinheiro que você não tem, para comprar coisas de que você não precisa, para impressionar por pouco tempo pessoas com quem você não se importa“.

Assim Tim Jackson traduz o infeliz objetivo da maioria das pessoas na nossa geração. E é a pura realidade. Veja o video abaixo:

Trabalhamos para manter as fábricas produzindo. Não apenas operando as máquinas, mas também fazendo horas extras para conseguir mais dinheiro para comprar coisas de que não precisamos realmente. A propaganda estimula o consumismo exagerado, e continuamos trabalhando cada vez mais para consumir cada vez mais. E com o aumento da demanda – por carros, sapatos de salto fino, depois de salto grosso, casas maiores, calças de marca, etc etc etc -, são necessários mais recursos, mais trabalho,e mais horas indo pelo ralo, para manter o sistema funcionando.

Mas o sistema é feito de gente. É feito de nós. Não é uma entidade sobrenatural. Está em nossas mãos quebrar esse ciclo vicioso. Nosso sistema desperdiça demais! Desperdiça matéria, energia, conhecimento, tempo e vidas humanas. Mesmo que quiséssemos manter essa roda gigante funcionando, não seria possível por muito tempo. Nosso planeta é finito, assim como seus recursos. A saúde humana também.

Trabalhar menos

Alguns pensadores têm defendido que, para enfrentar a crise econômica mundial, não precisamos trabalhar mais. Pelo contrário. Trabalhar menos horas poderia trazer diversos benefícios para a sociedade. Primeiramente, a qualidade de vida: as pessoas teriam mais tempo para dedicarem-se a suas famílias, amigos e hobbies. Todos os gráficos indicadores de saúde da população iriam disparar para cima. Em segundo lugar, haveria mais empregos.

Com cada pessoa trabalhando menos horas, seriam necessários turnos de trabalho, e onde havia um empregado em tempo integral, haveria dois empregados de meio período. O rendimento dessas pessoas por hora tende a ser maior, pois as pessoas conseguem se concentrar mais em menores períodos de tempo, e ficariam menos cansadas e entediadas. E, por fim, há quem diga que até benefícios ambientais seriam sentidos, com menos trânsito nas ruas, menor poluição, menos energia desperdiçada.

Trabalhar com propósito

Economistas como Ernst Fritz Schumacher e Vandana Shiva defendem que nós voltemos a olhar para o trabalho como algo bom, até sagrado. Algo com propósito. Um bom trabalho é aquele que dá prazer, e no qual você se sente útil para a comunidade. Seja sendo um cientista, um político, um cozinheiro, um marceneiro, um artista – afinal, beleza também é necessária e útil.

É claro que isso não quer dizer que todas as segundas-feiras você irá pular da cama sorridente e dizendo “mal posso esperar para retomar o trabalho!”. Mas pelo menos algumas segundas-feiras sim. A obrigação sempre cansa, por isso sempre será necessário lazer. Mas o trabalho pode ser mais leve, legítimo e interessante.

Divertir-se com liberdade

Já que falamos nele, outra coisa que devemos repensar é o lazer. Por ficarmos 40 horas por semana num trabalho maçante, estressante e até angustiante para alguns, a nossa forma de lazer é sentra na frente da TV – ou de outro aparelho e passivamente deixar as imagens entrarem pela retina.

Algumas vezes temos a impressão de que a única forma de diversão é aquela que é feita, industrializada e empacotada como entretenimento. Mas lavar o quintal, cuidar do jardim, fazer alongamento, correr, brincar de bola com as crianças, tocar um instrumento, cozinhar, costurar e bordar são formas de lazer gratuitos, produtivos e independentes de qualquer indústria.

Fazendo acontecer – a liberdade econômica

E aí, todo animado(a) que essa revolução aconteça, a gente precise trabalhar menos e com muito mais alegria, né? Mas isso parece tão distante de nossa realidade. Parece mesmo. Mas não está tão distante assim, e por incrível que pareça, podemos dar uma receita. Que eu aprendi com a amiga Isabela Menezes, que tem uma linda história de vida, largando um emprego de executiva de eventos para dedicar-se à educação para a sustentabilidade e ao movimento Cidades em Transição.

Ela se fez a seguinte pergunta: Quanto eu custo por mês? Depois de descobrir isso, observe seu comportamento de consumo. Do que você pode abrir mão sem perder qualidade de vida? Talvez passar a correr num parque ou praça em vez de fazer academia. Diminuir a frequência das idas a shopping, fazendo troca-troca de roupas e acessórios com os colegas para renovar o guarda-roupa sem consumir. Talvez comer mais em casa, aproveitar para tirar a poeira do avental e treinar suas habilidades culinárias. Fazer as unhas, precisa mesmo toda semana?


Saiba o que é importante para você, não para os outros. Se você gosta muito de viajar, por exemplo, permita-se gastar dinheiro com isso, e reduza gastos com coisas que não importam tanto para você. Além disso, procure conviver com pessoas que têm o salário menor que o seu e descubra formas de ter uma vida mais econômica e resiliente.

Reduzindo o “quanto você custa”, você pode dar-se ao luxo de procurar um emprego menos rentável, ou negociar trabalhar menos horas, se isso for lhe fazer mais feliz. Pode até mesmo dedicar-se à carreira artística com que sempre sonhou, se você conseguir se establizar com uma renda compatível com seu novo orçamento.

Você vai ver que custar pouco é bom não só para o planeta, mas para sua saúde e equilíbrio também. Conquiste sua liberdade econômica.

Assista ao vídeo “Why working 21 hours a week can creat more economically robust, low carbon world

Imagens: Camera factory 1966 – widelec / Consumerism the99percent / “Incognito” by David Eagleman / ColinBroug / linder6580

Sobre o Autor: Dan Lima e Carol Guilen ( @carol_guilen | G+ )

Dan Lima e Carol Guilen

Ele, advogado, ela, bióloga. Um casal de consultores em Sustentabilidade: dentro de casa é que começa o exemplo!

Site: http://donossoquintal.wordpress.com - Veja todos os artigos de

Faça seu Comentário

  • Felipefrigieri

    Muito bom o texto. Parabéns.
    Abraços!

    Felipe (plantandovida.wordpress.com)

  • Adorei, exatamente o que eu penso,  não sou muito consumista, acho que a qualidade de vida, são as pequenas coisas que nós podemos fazer sem gastar muito.

  • Antonio Luiz Dal Prá

    Verdade, vivemos uma geraçao que até Fidel Castro usa roupas de marca !

  • Excelente texto! Tomei a decisão de deixar o cargo de gestão, no qual trabalhei por anos, para assumir um cargo com menos responsabilidade e não me arrependo. Trabalho mais animado, perto de minha casa, me divirto e tenho menos stress na minha vida. Parabéns!

  • Humberto Raymundo de Souza

    Consumismo só carrega ansiedade! Obrigado pelo texto!