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Dan Lima e Carol Guilen

Transition Towns – cidades no mundo todo rumam a sustentabilidade! E a sua?

27 out 2011 - Por em Vida Verde

No último final de semana estivemos em São Paulo, participando do treinamento de Transition Towns, ou Cidades em Transição, para nós brasileiros. Foram três dias de imersão, com cerca de trinta pessoas que assim como nós desejam ver um mundo mais ecológico, igualitário e feliz. Realmente inspirador!

Para quem não conhece, o movimento tem como objetivo tornar comunidades mais e mais sustentáveis, e começou há cerca de seis anos no Reino unido, idealizado por Rob Hopkins e Naresh Giangrande. O movimento baseia-se na filosofia da Permacultura, uma técnica que se inspira na natureza para planejar comunidades, hortas e outros espaços de forma sustentável. Tem como motivador a consciência de duas grandes crises que se acredita que estamos começando a viver: o pico do petróleo e as mudanças climáticas.

Quando às mudanças climáticas, nem precisamos falar muito, pois está todos os dias na mídia e todos já estão se perguntando, a cada chuva fora de hora e a cada tsunami devastador, se já são ‘”sinais dos tempos”. Já não se fala muito por aqui que estamos vivendo provavelmente o pico – e portanto o começo do fim – da era do petróleo. Difícil pensar nisso por aqui, principalmente em tempos de euforia pela recém-descoberta reserva na Bacia de Santos. Porém Cuba já está vivendo uma séria crise de petróleo, e não demora muito para que esse problema seja sentido em escala global. E que baita problema! Já imaginou sua vida sem petróleo? Sem gasolina, sem diesel para transporte de cargas em caminhões e navios ou mesmo para vôos. Pior, já imaginou sua vida sem plástico? Sem tupperwares, sem computadores leves, sem componentes de carro, e até mesmo sem tubulação de painéis solares? Complicado, né? Você nem imagina o quanto!

Dependência de petróleo e seus derivados

Segundo defende o pessoal do Transition, o modo de vida da nossa e da última geração é todo baseado na dependência de petróleo e seus derivados. Sem ele, nossa comunidade está fadada a falir? Será que conseguiremos suportar uma população mundial tão grande? ( detalhe, nos próximos dez dias devemos ultrapassar a marca dos 7 bilhões de terráqueos no planeta azul!)

Pelo contrário, a Transição que o movimento propõe não tem nada de apocalíptica ou sombria. Pelo contrário, nas palavras do Rob Hopkins, em seu livro Transition Handbook, seria como uma família ocupada que redescobre a convivência ao se ver sem energia elétrica em casa por algumas horas. Vislumbramos então um futuro com comunidades mais humanas, com mais tempo para si e para suas famílias, com sistemas de organização em escalas menores, vivendo em maior harmonia com a natureza.

Ok, mas… como conseguir um futuro assim feliz? – você deve estar pensando. Não sabemos. Ninguém sabe. Mas transiteiros no mundo todo estão fazendo o exercício mental de imaginar o futuro que queremos, e começar a trabalhar por ele já. Uma palavrinha mágica nessa busca da Transição é resiliência, um conceito da ecologia que caracteriza sistemas capazes de resistir e se adaptar a crises sem sucumbir. Quer um exemplo? O Cerrado é pouco resistente a incêndios, por outro lado várias plantas e sementes são adaptadas a essa perturbação, rebrotando logo em seguida ao primeiro sinal de chuva.

O Cerrado é resiliente. E nossas comunidades deviam ser também. para conseguir a resiliência, a ecologia ensina que diversidade e autonomia são importantes. Por isso, devíamos cada vez mais produzir localmente comida, vestuário e outros itens básicos de sobrevivência. Depender menos de coisas importadas de fora nos torna mais capazes de sobreviver – e muito bem, obrigado – mesmo em situações de crises econômicas, por exemplo.

Cidades em Transição – movimento positivo e prático

O movimento de transição é um movimento positivo e prático. Diferencia-se do ativismo tradicional por não focar no que “não queremos”, mas sim no que queremos, e sem esperar por governos ou empresas, tomamos a responsabilidade e com alegria e desprendimento começamos a dar os primeiros passos. Sem ansiedade, reconhecendo que estamos em transição, e que devemos mudar aos poucos, mas sempre.

Transiteiros no mundo todo juntam suas comunidades para assistir a documentários sobre meio ambiente, promovem feiras de trocas, dinheiros locais, encorajam a produção de agricultura orgânica e oficinas de arte espalhadas pelos bairros e cidades. Atualmente, com apenas seis anos, o movimento já se espalhou para 34 países, 38 oficiais e 458 em mulling.

Faça a diferença em sua casa e em sua cidade!


Ficou inspirado(a)? Então venha também! Procure um movimento perto de onde você mora aqui.

Acha que ainda precisa de se preparar antes de partir para o coletivo? Certíssimo! É por isso que criamos o Lares em Transição, para inspirar e compartilhar com vizinhos virtuais que estejam mudando, antes de mais nada, os próprios hábitos dentro da sua família. Afinal, sustentabilidade – e transição – começa em casa! Visite o Nosso Quintal, mande-nos um e-mail e comece a participar dos desafios mensais, que aos poucos vão lhe orientando a dar passos em direção a uma vida mais resiliente – e feliz!

Foto: Ale Paiva

Sobre o Autor: Dan Lima e Carol Guilen ( @carol_guilen | G+ )

Dan Lima e Carol Guilen

Ele, advogado, ela, bióloga. Um casal de consultores em Sustentabilidade: dentro de casa é que começa o exemplo!

Site: http://donossoquintal.wordpress.com - Veja todos os artigos de

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  • Arthur Cavalcante Rocha

    O cerrado é realmente menos resistente a queimadas, não é ao contrário? Se ele fosse menos resistente ele já tinha se transformado num deserto não? Acho que ele está mais sujeito a queimadas por diversos fatores mais não menos resistente e sim mais resistente, já que resiste a esses eventos por muitas vezes anuais. Sei lá, alvez eu esteja errado. Mesmo assim, vou divulgar, pq acho esse sitio o máximo.

  • Ocelomendonca

    Acho que vc está certo sim Arthur. Vi um professor de Biologia falando exatamente o que vc disse. O cerrado tem a capacidade de resistir e “renascer” das queimadas. Algumas plantas queimadas ficam com as raízes intactas e conseguem crescer novamente. Pelo que entendi, essa é uma característica do cerrado. 
    Em tempo, encontrei isso na web:

    “A causa do surgimento deste tipo de vegetação é explicada por vários motivos, conforme os autores: Vão desde a pobreza do solo, normalmente muito ácido; passando pela irregularidade das chuvas, com longos períodos de seca; até a freqüência de queimadas. Realmente no Cerrado as queimadas são comuns em determinada época do ano, e surgem até espontaneamente, devido principalmente a raios (que nesta região são também muito freqüentes), sem contar as provocadas pelo homem.
    Estudam-se fatores na vegetação que estariam adaptados por seleção natural a conviver bem com as queimadas, como a dureza e rusticidade de folhas e tronco, sementes que resistem bem ao fogo, e até mesmo aquelas que dependem dele para a quebra de dormência, de forma que estariam prontas a germinar após a queimada, aproveitando o terreno limpo para seu desenvolvimento.” Fonte: http://www.arvores.brasil.nom.br/cerrd/texto.htm 

  • É isso mesmo, Arthur. Minha área é ecologia e não me engaria a respeito disso. Os conceitos de resiliência e resistência muitas vezes se misturam, principalmente para o público leigo. Mas o que importa é: o cerrado é suscetível a mudanças, mas retorna rapidamente ao seu estado original. Isso é resiliência, digamos que uma forma de resistência a longo prazo. Sofre a alteração, mas retorna à mesma estrutura. Já para queimar a Mata Atlântica da Serra do mar seria muito mais difícil, pois esse ecossistema tem alta resistência imediata, devido a sua umidade. Por outro lado, se queimar, levará muito, mas muito mais tempo para retornar ao seu estado original. ;)

  • Leonardo

    Transition Towns: a foto é da Praça Raul Soares,BH/M.G