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Guilherme Augusti Negri

Zara e o trabalho escravo -Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

17 ago 2011 - Por em Vida Verde

Vocês se lembram do artigo O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas em que conto a origem do termo fast-fashion e o impacto real na vida de milhares de pessoas?

Bom, ontem foi divulgado mais uma das consequências que esta política insana causa: a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) flagrou diversas oficinas contratadas pela Zara com trabalhadores em situações análogas a escravidão.

Para você entender melhor a situação assista o programa a Liga da Tv Bandeirantes que fez uma excelente matéria sobre o tema e filmou uma das oficinas flagradas:


Para mais detalhes, segue abaixo uma reportagem completa da Ong Repórter Brasil que é uma das mais importantes organizações de combate ao trabalho escravo no Brasil.

Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

Em recente operação que fiscalizou oficinas subcontratadas de fabricante de roupas da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, foram libertadas de trabalho escravo contemporâneo em plena capital paulista

Por Bianca Pyl* e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) - Nem uma, nem duas. Por três vezes, equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.

Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas - uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte.

Para sair da oficina que também era moradia, era preciso pedir autorização (Foto: Fernanda Foroni)

A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) – que culminou na inspeção realizada no final de junho - se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara.

“Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”, coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. Foi a maior operação do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano da SRTE/SP, desde que começou os trabalhos de rastreamento de cadeias produtivas a partir da criação do Pacto Contra a Precarização e Pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções.

A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo”.


O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pelaRepórter Brasil, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo entre as vítimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico.

Quem vê as blusas de tecidos finos e as calças da estação nas vitrines das lojas da Zara não imagina que, algumas delas, foram feitas em ambientes apertados, sem ventilação, sujos, com crianças circulando entre as máquinas de costura e a fiação elétrica toda exposta. Principalmente porque as peças custam caro. Por fora, as oficinas parecem residências, mas todas têm em comum as poucas janelas sempre fechadas e com tecidos escuros para impedir a visão do que acontece do lado de dentro das oficinas improvisadas.

As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países em busca do “sonho brasileiro”. Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Durante a operação, auditores fiscais apreenderam dois cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram alguns dos salários recebidos pelos empregados: de R$ 274 a R$ 460, bem menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$ 545.

As oficinas de costura inspecionadas não respeitavam nenhuma norma referente à Saúde e Segurança do Trabalho. Além da sujeira, os trabalhadores conviviam com o perigo iminente de incêndio, que poderia tomar grandes proporções devido a quantidade de tecidos espalhados pelo chão e à ausência de janelas, além da falta de extintores de incêndio. Após um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados por conta da sobrecarga nas instalações elétricas, feitas sem nenhum cuidado, que aumentavam os riscos de incêndio.

As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas (dedos ddas mãos decepados ou até escalpelamento).

Para Giuliana, a superexploração dos empregados, que têm seus direitos laborais e previdenciários negados, tem o aumento das margens de lucro como motivação. “Com isso, há uma redução do preço dos produtos, caracterizando odumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal”.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infração contra a Zara devido as irregularidades nas duas oficinas. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas quéchua e aimará. De acordo com a análise feita pelos auditores, restou claro que o tratamento dispensado aos indígenas era bem pior que ao dirigido aos não-indígenas.

“Observa-se com nitidez a atitude empresarial de discriminação. Todos os trabalhadores brasileiros encontrados trabalhando em qualquer um dos pontos da cadeia produtiva estavam devidamente registrados em CTPS [Carteira de Trabalho e Previdência Social], com jornadas de trabalho condizentes com a lei, e garantidos em seus direitos trabalhistas e previdenciários”, destaca o relatório da fiscalização. ”Por outro lado, os trabalhadores imigrantes indígenas encontram-se em situação de trabalho deplorável e indigno, em absoluta informalidade, jornadas extenuantes e meio ambiente de trabalho degradante”.

 

A equipe de fiscalização foi composta por dois agentes da Polícia Federal (PF), integrantes do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas – da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, auditores da SRTE/SP e dirigente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco.

Blusas e vestidos

A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condições de trabalho escravo. No momento da fiscalização, os empregados finalizavam blusas da Coleção Primavera-Verão da Zara, na cor azul e laranja (fotos acima). Para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada. No dia seguinte à ação, 27 de junho, a reportagem foi até uma loja da Zara na Zona Oeste de São Paulo (SP), e encontrou uma blusa semelhante, fabricada originalmente na Espanha, sendo vendida por R$ 139.

A oficina funcionava em um cômodo de uma casa pequena – na parte de cima de um sobrado. Seis máquinas de costura ocupavam uma pequena sala. Dois quartos abrigavam todos os trabalhadores, inclusive casais com filhos. O espaço era dividido por guarda-roupas e panos. No banheiro, não havia água banho quente, pois o chuveiro estava desligado para reduzir o consumo de energia elétrica, que era totalmente destinada à produção.

A adolescente de 14 anos tomava conta das duas crianças enquanto as mães trabalhavam. Ela ajudava também na limpeza da casa e no preparo das refeições. No Brasil desde 2010, não está estudava. Seu irmão juntou dinheiro e foi buscá-la na capital boliviana de La Paz.

A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores.

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Prédio onde ficava oficina, condições degradantes, precariedades e etiquetas (Fotos: SRTE/SP e BP)

Da outra oficina localizada em movimentada avenida do Centro, foram resgatadas nove pessoas que produziam uma blusa feminina e vestidos para a mesma coleção Primavera-Verão da Zara.

A intermediária AHA pagava cerca de R$ 7 por cada peça para a dona da oficina, que repassava R$ 2 aos trabalhadores. Peça semelhante a que estava sendo confeccionada foi encontrada em loja da marca com o preço de venda de R$ 139.

Uma jovem de 20 anos, vinda do Peru, disse à reportagem que chegou a costurar 50 vestidos em um único dia. Em condições normais, estimou com Maria Susicléia Assis, do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, seria preciso um tempo muito maior para que a mesma quantidade da difícil peça de vestuário fosse toda costurada.

Há 19 anos no Brasil, a boliviana que era dona da oficina teve todos os seus oito filhos (entre 5 meses e 15 anos) nasceram aqui. Ela sonha em dar um futuro melhor aos rebentos, para que não tenham que trabalhar “nas máquinas, com costura”. “Todo mundo na minha terra que vinha para o Brasil dizia que aqui era bom. E eu vim”, contou a senhora.

Parte da produção foi apreendida, assim como as peças pilotos, que carregavam instruções da Zara de como confecionar a peça de acordo com o padrão definido pela varejista multinacional. “Isso demonstra a subordinação das oficinas e da Aha em relação à Zara”, realça Giuliana. A oficina e um dos quartos, onde dormiam dois trabalhadores e duas crianças, foram interditados. A fiação elétrica estava totalmente exposta e havia possibilidade de curto-circuito.

Os trabalhadores declararam trabalhar das 7h30 às 20h, com uma hora de almoço, de segunda à sexta-feira. Aos sábados, o trabalho seguia até às 13 h. Um trabalhador chegou a relatar que há dias em que o trabalho se estende até às 22h.

O local funciona em um sobrado de dois andares (foto ao lado), com muitos cômodos. O maior deles, onde os trabalhadores passavam a maior parte do dia, acomodava as máquinas. Os cinco banheiros estavam muito sujos. Somente três possuíam chuveiros, mas todos também estavam desligados.

Um dos trabalhadores, irmão da dona da oficina, está no Brasil há sete anos e já possui os documentos e até CTPS. “Eu trabalho na costura desde que cheguei. Mas eu queria mesmo era trabalhar com música. Eu consegui comprar algum equipamento já”.

Outro jovem, de 21 anos, disse que não gosta muito do trabalho porque é “cansativo”. Ele recebe, em média, R$ 500 por mês. “Eu vou voltar para a Bolívia. Queria estudar Turismo e trabalhar com isso. A costura é só para sobreviver”, projetou.

A Zara foi avisada do flagrante no momento da ação pelos auditores fiscais e convidada a ir até a oficina de costura, mas não compareceu.

No dia seguinte, compareceram à sede da SRTE/SP dois diretores, que não quiseram participar da reunião de exposição dos fatos,. Até o advogado da empresa foi embora sem ver as fotos da situação encontrada. Somente duas advogadas da intermediária Aha (que no início da reunião se apresentaram inicialmente como advogadas dos donos das oficinas e até dos trabalhadores) participaram da reunião com os auditores fiscais. A empresa não providenciou sequer alimentação às vítimas, que ficou a cargo do sindicato da categoria.

Fluxograma

A intermediária na contratação das duas oficinas em que houve libertações é a AHA Indústria e Comércio de Roupas Ltda. No período de abril a junho deste ano, a produção de peças para a Zara chegou a 91% do total. A SRTE/SP descobriu que há 33 oficinas sem constituição formal, com empregados sem registros e sem recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) contratadas pela AHA para a executar a atividade de costura.

Por meio de análises de documentos da empresa AHA, incluindo contábeis, a fiscalização verificou que, neste mesmo período, mais de 46 mil peças foram produzidas para a Zara sem nenhuma formalização.

Durante o período auditado pela fiscalização (julho de 2010 a maio deste ano), a AHA foi a fabricante da Zara que mais cresceu em faturamento e número de peças de roupas faturadas para a marca, a ponto, na descrição da SRTE/SP, de se tornar a maior fornecedora da Zara na área de tecidos planos. Entretanto, chamou a atenção dos agentes que, nesse mesmo período, a empresa diminuiu o número de empregados formalizados. Os contratados diretamente da AHA passaram de 100 funcionários para apenas 20 (gráfico abaixo). A redução do  de trabalhadores na função de costureiros foi ainda mais drástica: dos anteriores 30 para cinco funcionários exercendo a função.

“O nível de dependência econômica deste fornecedor para com a Zara ficou claro para a fiscalização. A empresa funciona, na prática, como extensão de logística de sua cliente preponderante, Zara Brasil Ltda.”, sustentam os auditores fiscais do trabalho que estiveram à frente da investigação.

Foi apurado que até a escolha dos tecidos era feita pelo Departamento de Produtos da Zara. Mas o fabricante terceirizado encaminhava peças piloto por conta própria para a matriz da Zara (Inditex) na Espanha, após a aprovação de um piloto pela gerente da Zara Brasil. Somente após a anuência final da Europa, o pedido oficial era emitido para o recebimento das etiquetas. Na opinião de Luís Alexandre Faria, auditor fiscal que comandou as investigações, a empresa faz de tudo, porém, para não “aparecer” no processo.

Para a fiscalização trabalhista, não pairam dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram “ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc.”

Os 52 autos de infração foram lavrados em nome da Zara. “A empresa tem responsabilidade por quem trabalha para ela. Esses trabalhadores estavam produzindo peças da Zara, e seguindo determinações da empresa”, coloca Giuliana. É a chamada responsabilização estrutural, completa Luís. “Essa é a atividade fim da empresa, a razão de sua existência. Portanto, é dever dela saber como suas peças estão sendo produzidas”.

A confecção de uma calça gerava ao dono da oficina terceirizada R$ 6, em média. Este valor era dividido em três partes: R$ 2 para os trabalhadores; R$ 2 para as despesas com alimentação, moradia e outros custos; e R$ 2 para o dono da oficina. Após a produção na oficina, a intermediária (AHA) recolhia a produção e encaminhava as peças à lavanderia, também terceirizada. Depois, o produto ainda era acabado e embalado para ser entregue à Zara.

Após os flagrantes, os trabalhadores compareceram à SRTE/SP, onde foram colhidos depoimentos e emitidas as carteiras e as guias de Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. Parte das vítimas já havia dado entrada na documentação obter o visto de permanência no Brasil.

As verbas rescisórias, que acabaram sendo pagas pela intermediária AHA, totalizaram mais de R$ 140 mil. As contribuições previdenciárias sonegadas e pagas a posteriori somaram cerca de R$ 7,2 mil. Já as contribuições sociais e ao FGTS sonegadas chegaram à R$ 16.,3 mil


Primeiro flagrante de trabalho escravo na cadeia produtiva da Zara foi em Americana (Fotos: BP)

Repórter Brasil entrou em contato com a AHA, que preferiu não responder especificamente ao conjunto de perguntas enviadas. A advogada da fornecedora da Zara enviou apenas uma nota escrita em que declarou que a emrpesa “jamais teve conhecimento da utilização, pelas oficinas contratadas, de mão de obra escrava; jamais teve qualquer participação na contratação dos funcionários de referidas oficinas; e, assim que tomou conhecimento de irregularidades constatadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, imediatamente adotou todas as providências necessárias à regularização”.

A intermediária alega ainda que “prestou serviços não só à Zara, como a outras empresas” e “que repudia toda e qualquer utilização, por quem quer que seja”, de trabalho análogo à escravidão.

Calças

O primeiro flagrante de oficina em condições degradantes com pessoas costurando peças para a Zara se deu em Americana (SP), interior de São Paulo, no final de maio. Motivada pela denúncia de um trabalhador, a ação foi realizada pela Gerência Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) de Campinas (SP), pela Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região (PRT-15) e pela Polícia Federal (PF). A Vigilância Sanitária de Americana foi chamada a atuar e interditou os alojamentos. Os empregados não foram retirados por causa da inexistência de abrigos para este fim no município.

Foram encontrados 52 trabalhadores, sendo cinco deles brasileiros. O restante do grupo era formado por bolivianos. Na oficina de Narciso Atahuichy Choque, os empregados eram submetidos à jornada exaustiva e expostos a riscos. Além disso, muitos trabalhadores foram aliciados na Bolívia e chegaram ao Brasil devendo o valor da passagem.

O alojamento e o local de trabalho estavam em condições degradantes e insalubres. Havia risco de incêndio devido à sobrecarga nas precárias instalações elétricas. Poderia haver explosão, por causa dos botijões de gás de cozinha nos quartos.

A oficina funcionava em um imenso galpão de dois andares. No andar superior, ficavam os alojamentos e a cozinha. No inferior, as máquinas. A fiação elétrica estava exposta e o local era muito sujo. Havia um bebedouro, porém somente um copo plástico para todos dividirem. Os pequenos quartos abrigavam famílias inteiras e grupos de até cinco trabalhadores. Alguns cômodos tinham alimentos espalhados, armazenados de forma inadequada.

Um grupo de trabalhadores costurava uma calça jeans da Coleção Primavera-Verão da Zara. Cada trabalhador fazia uma parte da peça e o valor de, em média, R$ 1,80, era dividido pelo grupo todo, composto por sete pessoas. O dono da oficina afirmou que trabalha há cinco anos com a intermediária Rhodes e que aproximadamente 70% da sua produção é destinada à empresa. A oficina é especializada em calças e bermudas. Uma funcionária da Rhodes costuma visitar e verificar as condições e o ritmo de produção da oficina.

Após a fiscalização, a Rhodes pagou as verbas rescisórias de cada trabalhador. A fiscalização foi à nova oficina de Narciso, em 26 de junho, e constatou melhorias. Entre elas, o registro de todos os funcionários, regularização migratória, submissão de costureiros a exames médicos.




Mistura entre espaço familiar e de trabalho, instruções e peça piloto (Fotos: SRTE/SP e BP)
De acordo com auditores fiscais  da GRTE de Campinas (SP), houve adequação da instalação elétrica e melhora do espaçamento entre as máquinas. Os trabalhadores agora utilizam cadeiras com melhores condições ergonômicas e de conforto. A iluminação também foi melhorada e os equipamentos de incêndio estão todos válidos e sinalizados. As saídas de emergência foram demarcadas. “Com a mudança da oficina e a suspensão da interdição, grande parte dos trabalhadores voltaram a trabalhar de forma regular nas novas instalações da mesma oficina”, discorre a auditora Márcia Marques. Foram lavrados 30 autos de infração contra a intermediária Rhodes pelas irregularidades encontradas. Nove autos se referem às questões trabalhistas e as demais infrações estão relacionadas à saúde e segurança do trabalho. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a Rhodes pelos telefones da empresa.

Made in Brazil
Em resposta a questões sobre os ocorridos enviadas pela Repórter Brasil, a Inditex – que é dona da Zara e de outras marcas de roupa com milhares de lojas espalhadas mundo afora – classificou o caso envolvendo a AHA e as oficinas subcontratadas como “terceirização não autorizada” que “violou seriamente” o Código de Conduta para Fabricantes.

De acordo com a Inditex, o Código de Conduta determina que qualquer subcontração deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do Código do Conduta é obrigatória para todos os fornecedores da companhia e foi assumido pelo fornecedor em questão (AHA).

A empresa disse ter agido para que o fornecedor responsável pela “terceirização ão autorizada” pudesse “solucionar” a situação imediatamente, assumindo as compensações econômicas dos trabalhadores e comprometendo-se a corrigir as condições de trabalho da oficina flagrada com escravidão.

Haverá, segundo a Inditex, um reforço an revisão do sistema de produção da AHA, assim como das outras empresas no Brasil, para garantir que não exista outro caso como este. “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”.

Em 2010, a Inditex produziu mais de 7 milhões de unidades de peças no Brasil, desenvolvidas, segundo a empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam “mais de 7 mil trabalhadores”. O total de peças que estava sendo produzido irregularmente (algumas centenas de peças), adicionou a Inditex, representa “uma porcentagem inferior a 0,03%” da produção do grupo, que é um dos maiores do mundo no segmento, no país.

A maior parte dos produtos do grupo que comanda a Zara é feita na Europa. Metade é confeccionada em países como Espanha (onde a empresa mantém fábricas próprias) ou Portugal. Outros 14% são fabricados em outras nações europeias como Turquia e Itália. A produção no Brasil corresponde a algo inferior a 1% do total. Em 2010, 30 lojas da Zara já estavam em funcionamento no país. São cerca de 2 mil profissionais contratados diretamente.

“No que se refere à presença comercial, o Brasil é o terceiro mercado mais importante da Inditex no continente americano, ficando atrás somente dos Estados Unidos e do México”, colocou a empresa, que manifestou intenção de não abandonar a produção no país. “A Inditex prevê seguir crescendo no Brasil com a abertura de novas lojas a curto, médio e longo prazo”.

*A jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções

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Vocês acham que realmente é um caso isolado? Eu pessoalmente não acredito, basta fazer uma busca e encontrar denúncias de ONGs super sérias com mais denúncias contra a Zara e outros grandes magazines. Desde denúncias de utilização de algodão com trabalho escravo a exploração em países mais pobres ainda como Bangladesh.

Mais matérias sobre o assunto aqui no Coletivo Verde:

Conheça o passado de suas roupas
Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa – Reporter Brasil
O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas

Fontes: Video A Liga / Matéria Bianca Pyl e Maurício Hashizume – Ong Repórter Brasil

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • luciana

    Alex, esse assunto é realmente muito complexo, pois se pensarmos bem estamos rodiados de pessoas exploradas. Nos mesmos somos explorados diariamente (Não nessa proporção é claro).acabar com isso talvez não seja possivel pois como disse acima desde que o mundo é mundo existe explorados e exploradores, o que podemos fazer é usar nossa consciencia e tentar diminuir ao maximo nossa contribuição para a perpetuação dessa exploraçao. Agora não posso deixar de comentar. quando voce diz que achava que este problema era da China, me parece que quer dizer que ai tudo bem, não é problema nosso, mas na verdade é pois o mundo é globalizado e se existe exploração é porque existe mercado e quando voce compra um produto chines esta contribuindo para a exploração de alguem mesmo que não seja nosso vizinho.

  • Marcos Valentim

    Deixar de comprar sua “roupichia” da Zara, siguinifica dizer não a exploração! Você só está dizendo isso, pois nunca passou pela pele de um trabalhador explorado como esses, eu não passei também, mas pelo menos tento colocar-me no lugar dos próprios! É por pessoas com sua índole que o Brasil não se livra de problemas que poderiam ajudar o nosso país crescer moralmente e intelectualmente! Não pense nisso como um discurso comunista ou algo assim, muito pelo ao contrário, também compro roupas como todos, mas agora pensarei um pouco e terei um certo peso na consciência antes de comprar algo…
    Obg

  • Marcos Valentim

    #classemédiasofre Tenho pena de pessoas como você!

  • luciana

    Não to entendendo esses comentarios. Como é que voces podem falar da minha indole sem nem me conhecer. O que são voces? para apontar o dedo na cara dos outros e julgar indole carater…, comprar  roupa na zara,renner,nike ou na lojinha da esquina não é a questão, por favor deixem de ser simplistas. Acabar com a exploração aqui ou em qualquer lugar do mundo nunca vai acontecer pois o numero de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza é enorme e numa situaçao como essa sempre tem um esperto pdara oferecer a “salvação”. O que poderia diminuir  essa situação seria investimento em educação pois so assim as pessoas entenderiam o ciclo vicioso em que vivem e então poderiam reverter um pouco a situaçao. Mas sobre isso ninguem discute, é mais facil achar que deixar de comprar em determinado lugar o transforma no justiceiro do trabalho escravo. De qualquer maneira se faz  bem a sua consciencia, não compre, porque no final é so o que importa, ter a consciencia tranquila. Viu como é possivel discordar sem ofender?

  • http://www.facebook.com/people/Alex-Kessler-Affonso/100000930468840 Alex Kessler Affonso

    Concordo com você e acho que temos a obrigação de fazer a nossa parte para não contribuir com esse tipo de coisa. Acabar totalmente com o problema infelizmente parece ser impossível mas se cada um tiver consciência e respeito na hora de tomar pequenas e grandes atitudes no cotidiano, é possível minimizarmos e muito o problema.
    Quando disse que achava que esse problema era um problema “da” China, eu não quis dizer que não me importava, ao contrário, me importo muito e evito ao máximo comprar produtos feitos lá. O que eu quis dizer com “ser um problema da China” é que eu pensava que ao menos esse problema nós não tínhamos aqui.
    Agora, a minha dúvida é: Todos os produtos feitos na China usam esse tipo de mão-de-obra? Não existem lugares “corretos” onde os direitos dos seres humanos são respeitados?
    E uma coisa que me assusta muito é que a quantidade de roupas (já que estamos falando de roupas) produzidas na China e vendidas por aqui está cada vez maior, de maneira que fica até difícil encontrar uma alternativa pra esses produtos. Mas precisamos encontrar e reforço que acho que esse problema é de todos nós.

  • luciana

    Sabe, que hoje lendo um blog de moda, fiquei sabendo que algumas empresas usam produtos quimicos na produção de seus produtos e isso causa danos as pessoas. No texto a blogueira diz que seria interessante que houvesse um selo de qualidade nas roupas, atestando que tal produto segue regras rigidas de produção, evitando não so o problema com determinadas substancias como tambem com a utilização do trabalho escravo. Achei a ideia otima. e se fosse possivel teriamos alguma “garantia”  de que estamos comprando um produto confiavel.
    O link do blog está abaixo, caso queira ler o texto.
    http://tesreves.blogspot.com/

  • Dim_mytry

    minha duvida é saber:  quem trabalha no turno noturno   qual é o descanso dentro da lei e qual é o valor do adicional noturno?   Qual  é a carga diária  por noite ? e qual seria o descanso ?  seguem o meu e-mail pra resposta.

  • Flowerrose6000

    Estou morrendo de odio dessa zara !!!,n imaginei q pessoas estavam sob essas condicoes !!,e lamentavel uma empresa n pensar nos direitos dos trabalhadores , sempre comprei n loja do ibirapuera , pelo custo beneficio da marca q e quase o mesmo preco da europa !!lamentaveln, me doi saber do ocorrido !!

  • Flowerrose6000

    E isso ai saldao !!!e pagar direito todas as costreiras , pobrezinhas !!,q ofio dessa zara !!

  • Vanialopess

    Isso  tudo é uma questão de politica pública. O Brasil ainda produz muito, e agora é o momento dos nossos representantes parar tudo e  focar uma revisão tributária séria, antes que aconteça o que vem ocorrendo aqui na França. Fuga em massa da produção industrial para outros paises. Gerando com isso desemprego interno e contribuição  para o trabalho escravo  http://tesreves.blogspot.com/2011/06/ela-veste-moda-francesa-e-voce.html

  • Vanialopess

    Só quero deixar claro que eu não estou defendendo a Zara…agiu errado tem que arcar com as consequências. Porém acho que a Zara é só a ponta de  um grande  iceberg, pois o comércio mundial está agindo dessa forma.  Fico feliz quando vou ao Brasil e compro algo e vejo na etiqueta “Made in Brazil”, pois isso aqui na França está em extinção. E pelos  documentários que vejo por aqui, a maioria desses produtos são oriundos de trabalho escravo e  infantil.
    Aqui neste  texto tem um documentário grande super interessante http://tesreves.blogspot.com/2011/05/verdadeiro-falso-ou-meio-termo.html.
    Uma coisa que choca e saber que esses grandes grupos internacionais se instalaram no mercado, não dando espaço para os pequenos produzirem, falsificando, ganhando rios de dinheiro e  agora por último escravizando pessoas.http://tesreves.blogspot.com/2011/06/de-quem-e-ideia.html.  Esse pode ser o grande diferencial do Brasil, mostrar para o mundo que nós podemos produzir com qualidade,  respeitando o ser humano e o meio-ambiente. 

  • Julia33

    Eu já trabalhei nesse lixo de empresa trabalhavamos até 12 horas por dia em loja do shopping, descarregando mercadoria, alarmando, repito é um lixo. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1504073576 Maira Lima

    sacanagem isso viu ¬¬’

  • Cristina

    Acho que C&A também tá nessa “onda”,no bairro da Pavuna subúrbio do Rio de Janeiro tem uma fábrica que produz roupas para essa marca.As costureiras ganham centavos por peça e ainda tem que comprar os insumos deles próprios.

  • http://www.facebook.com/genynhamussua Eugenio Nhamussua

    grameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

  • A escravidão e o trabalho em condições análogas a de escravo é uma realidade cruel do Brasil. Apesar de toda esta reportagem, excelente por sinal, faltou um dado importantíssimo: quantos já foram efetivamente punidos por estas práticas? Em matéria da revista LTR deste ano, vi a resposta: 1 pessoa, em Marabá, condenada a pagamento de cestas básicas.
    As pessoas ficam impressionadas com a reportagem como se fosse algo inédito, mas e o caso José Pereira? Quem sabe dele? Quem lembra deste caso? Só quem estuda o direito do trabalho?
    Quero parabenizar a todos que contribuíram para essa denúncia, que é impactante sim e faz com que queiramos mudar de atitude. Agora a bola está conosco. Sigamos o exemplo dos whinstleblowers americanos (sopradores de apito), denunciemos. Eu mesma, como consumidora, preciso refletir se com uma simples compra em uma grande rede, como a mostrada nesta matéria, estou contribuindo para este mal se alastrar em meu país.
    Isso é ruim para trabalhadores e para a inicativa privada, que não terá concorrentes leais. Isso é dumping, e, no caso, dumping social.
    Queria que em algum tempo fosse feita nova matéria, para saber o que aconteceu com as oficinas, as terras, as construtoras objetos desta repostagem. Espero poder ver na matéria que a PEC do trabalho escravo virou EC e que está sendo cumprida.
    Somos cidadãos, do Brasil e do mundo, cuidemos deles então.

  • Andrefink

    Todos só ficaram revoltados com a Zara… Eu não vou deixar de comprar/usar coisas da Zara… Se cada um pensar assim, todo mundo pararia de usar e comprar roupas, pois, marcas mil vezes maiores como Nike, Adidas, entre outras, já tiveram várias denuncias de trabalho escravo, mas ninguém fez campanha no Twitter e no Facebook. E para deixar claro, não estou incitando o trabalho escravo, muito menos apoiando-o, só disse que acho uma injustiça só ficarem revoltados com a Zara, e não também com outras marcas muito mais renomadas do que a Zara e que já tiveram muito mais denúncias de trabalho escravo do que a mesma.

  • Kelly

    issoe umabsurd

  • Brancamello

    Pobre LECO!!!!… ele não sabe o que é viver de trabalho escravo,  ser a tal classe C , viver de Bolsa Família e usar e depender de hospital público, de escola pública e de serviços públicos…e  entrar no supermercado sem ter salário mínimo todos os meses…É CRUEL!!!

  • Brancamello

    POBRE LECOR….

  • seus viadinhos

    VAI TOMAR NO MEIO DO OLHO DO SEU CÚ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1

  • Inês de Almeida

    A Nike a Adidas são maiores do que a Zara? Em que aspecto?

  • Anesiospricigo

    Esta lei de menor de 16 anos nao poder trabalhar. aprender um oficio, esta deixando os jovens cada dia que passa , mais vagabundos! Porque depois que ele viu que o gostoso nao e trabalhar ele vai fazer qualquer coisa pra isto nao acontecer, roubos por ex: Passar uma droga! Trabalhar e ruim!

     mas e pior nao aprender um oficio, trabalho desde 12 anos! E nao fez mal algum pra mim, E aprendi trabalhar cedo e dar valor em cada centavo que ganhei em minha vida! 

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  • http://www.facebook.com/solangebtr Solange Martins

    Quem disse que a escravidão foi abolida no brasil????…  para pensar!!!…

  • Thay

    Se você não para de consumir algo que é feito nessas condições significa,ainda que implícito,que você não liga não se importa.
    Quem cala consente.

  • Vanessalmeida2

    Engraçado que o povo só condena a empresa. As pessoas que se sujeitam a isso não, né? Brasileiro vai para os Estados Unidos, Inglaterra, trabalha lavando banheiros, durante 15 horas seguidas, mas e daí? Foi uma escolha dele, certo? Se continuarem existindo pessoas que se sujeitam ao trabalho escravo, as empresas vão continuar escolhendo essa forma de mão de obra mais barata, a China está aí pra mostrar isso.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001761039179 Rosangela Viacelli Pontello

    E porque isso eh pouco ou quase nada divulgado ?

  • http://www.facebook.com/guiabras Gui Abras

    Então salve o Brasil da Escravidão….
    Achei a materia ridicula, afinal o Brasileiro ganha R$ 671,00 mensais garantidos pelos sindicatos pra trabalharem como costureiros.
    E Muitas das vezes trabalham nas mesmas condições sem ter nem esta condição de moradia, morando em favelas, o que nem é o caso desta casa aí….
    A máquina desta confecção é novíssima e de boa qualidade, com direito até a chuveiro quente na casa…
    Realmente eles nao assinaram as carteiras, deveriam ter deixado os coitados morar na favela e pagado a miseria dos 170 reais a mais pra eles verem o que é tomar no cu.
    Acho que tá muito melhor que muita confecção e não precisa forçar quanto aos preços…
    Por que se a Zara tem nome, alguem foi pago pra divulga-lo…
    Tem muito reporter que é atoa mesmo.. Vão trabalhar seus inuteis..

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