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Guilherme Augusti Negri

Zara e o trabalho escravo -Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

17 ago 2011 - Por em Vida Verde

Vocês se lembram do artigo O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas em que conto a origem do termo fast-fashion e o impacto real na vida de milhares de pessoas?

Bom, ontem foi divulgado mais uma das consequências que esta política insana causa: a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) flagrou diversas oficinas contratadas pela Zara com trabalhadores em situações análogas a escravidão.

Para você entender melhor a situação assista o programa a Liga da Tv Bandeirantes que fez uma excelente matéria sobre o tema e filmou uma das oficinas flagradas:


Para mais detalhes, segue abaixo uma reportagem completa da Ong Repórter Brasil que é uma das mais importantes organizações de combate ao trabalho escravo no Brasil.

Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

Em recente operação que fiscalizou oficinas subcontratadas de fabricante de roupas da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, foram libertadas de trabalho escravo contemporâneo em plena capital paulista

Por Bianca Pyl* e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) – Nem uma, nem duas. Por três vezes, equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.

Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte.

Para sair da oficina que também era moradia, era preciso pedir autorização (Foto: Fernanda Foroni)

A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) – que culminou na inspeção realizada no final de junho – se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara.

“Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”, coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. Foi a maior operação do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano da SRTE/SP, desde que começou os trabalhos de rastreamento de cadeias produtivas a partir da criação do Pacto Contra a Precarização e Pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções.

A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo”.


O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pelaRepórter Brasil, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo entre as vítimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico.

Quem vê as blusas de tecidos finos e as calças da estação nas vitrines das lojas da Zara não imagina que, algumas delas, foram feitas em ambientes apertados, sem ventilação, sujos, com crianças circulando entre as máquinas de costura e a fiação elétrica toda exposta. Principalmente porque as peças custam caro. Por fora, as oficinas parecem residências, mas todas têm em comum as poucas janelas sempre fechadas e com tecidos escuros para impedir a visão do que acontece do lado de dentro das oficinas improvisadas.

As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países em busca do “sonho brasileiro”. Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Durante a operação, auditores fiscais apreenderam dois cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram alguns dos salários recebidos pelos empregados: de R$ 274 a R$ 460, bem menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$ 545.

As oficinas de costura inspecionadas não respeitavam nenhuma norma referente à Saúde e Segurança do Trabalho. Além da sujeira, os trabalhadores conviviam com o perigo iminente de incêndio, que poderia tomar grandes proporções devido a quantidade de tecidos espalhados pelo chão e à ausência de janelas, além da falta de extintores de incêndio. Após um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados por conta da sobrecarga nas instalações elétricas, feitas sem nenhum cuidado, que aumentavam os riscos de incêndio.

As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas (dedos ddas mãos decepados ou até escalpelamento).

Para Giuliana, a superexploração dos empregados, que têm seus direitos laborais e previdenciários negados, tem o aumento das margens de lucro como motivação. “Com isso, há uma redução do preço dos produtos, caracterizando odumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal”.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infração contra a Zara devido as irregularidades nas duas oficinas. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas quéchua e aimará. De acordo com a análise feita pelos auditores, restou claro que o tratamento dispensado aos indígenas era bem pior que ao dirigido aos não-indígenas.

“Observa-se com nitidez a atitude empresarial de discriminação. Todos os trabalhadores brasileiros encontrados trabalhando em qualquer um dos pontos da cadeia produtiva estavam devidamente registrados em CTPS [Carteira de Trabalho e Previdência Social], com jornadas de trabalho condizentes com a lei, e garantidos em seus direitos trabalhistas e previdenciários”, destaca o relatório da fiscalização. “Por outro lado, os trabalhadores imigrantes indígenas encontram-se em situação de trabalho deplorável e indigno, em absoluta informalidade, jornadas extenuantes e meio ambiente de trabalho degradante”.

 

A equipe de fiscalização foi composta por dois agentes da Polícia Federal (PF), integrantes do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas – da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, auditores da SRTE/SP e dirigente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco.

Blusas e vestidos

A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condições de trabalho escravo. No momento da fiscalização, os empregados finalizavam blusas da Coleção Primavera-Verão da Zara, na cor azul e laranja (fotos acima). Para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada. No dia seguinte à ação, 27 de junho, a reportagem foi até uma loja da Zara na Zona Oeste de São Paulo (SP), e encontrou uma blusa semelhante, fabricada originalmente na Espanha, sendo vendida por R$ 139.

A oficina funcionava em um cômodo de uma casa pequena – na parte de cima de um sobrado. Seis máquinas de costura ocupavam uma pequena sala. Dois quartos abrigavam todos os trabalhadores, inclusive casais com filhos. O espaço era dividido por guarda-roupas e panos. No banheiro, não havia água banho quente, pois o chuveiro estava desligado para reduzir o consumo de energia elétrica, que era totalmente destinada à produção.

A adolescente de 14 anos tomava conta das duas crianças enquanto as mães trabalhavam. Ela ajudava também na limpeza da casa e no preparo das refeições. No Brasil desde 2010, não está estudava. Seu irmão juntou dinheiro e foi buscá-la na capital boliviana de La Paz.

A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores.

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Prédio onde ficava oficina, condições degradantes, precariedades e etiquetas (Fotos: SRTE/SP e BP)

Da outra oficina localizada em movimentada avenida do Centro, foram resgatadas nove pessoas que produziam uma blusa feminina e vestidos para a mesma coleção Primavera-Verão da Zara.

A intermediária AHA pagava cerca de R$ 7 por cada peça para a dona da oficina, que repassava R$ 2 aos trabalhadores. Peça semelhante a que estava sendo confeccionada foi encontrada em loja da marca com o preço de venda de R$ 139.

Uma jovem de 20 anos, vinda do Peru, disse à reportagem que chegou a costurar 50 vestidos em um único dia. Em condições normais, estimou com Maria Susicléia Assis, do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, seria preciso um tempo muito maior para que a mesma quantidade da difícil peça de vestuário fosse toda costurada.

Há 19 anos no Brasil, a boliviana que era dona da oficina teve todos os seus oito filhos (entre 5 meses e 15 anos) nasceram aqui. Ela sonha em dar um futuro melhor aos rebentos, para que não tenham que trabalhar “nas máquinas, com costura”. “Todo mundo na minha terra que vinha para o Brasil dizia que aqui era bom. E eu vim”, contou a senhora.

Parte da produção foi apreendida, assim como as peças pilotos, que carregavam instruções da Zara de como confecionar a peça de acordo com o padrão definido pela varejista multinacional. “Isso demonstra a subordinação das oficinas e da Aha em relação à Zara”, realça Giuliana. A oficina e um dos quartos, onde dormiam dois trabalhadores e duas crianças, foram interditados. A fiação elétrica estava totalmente exposta e havia possibilidade de curto-circuito.

Os trabalhadores declararam trabalhar das 7h30 às 20h, com uma hora de almoço, de segunda à sexta-feira. Aos sábados, o trabalho seguia até às 13 h. Um trabalhador chegou a relatar que há dias em que o trabalho se estende até às 22h.

O local funciona em um sobrado de dois andares (foto ao lado), com muitos cômodos. O maior deles, onde os trabalhadores passavam a maior parte do dia, acomodava as máquinas. Os cinco banheiros estavam muito sujos. Somente três possuíam chuveiros, mas todos também estavam desligados.

Um dos trabalhadores, irmão da dona da oficina, está no Brasil há sete anos e já possui os documentos e até CTPS. “Eu trabalho na costura desde que cheguei. Mas eu queria mesmo era trabalhar com música. Eu consegui comprar algum equipamento já”.

Outro jovem, de 21 anos, disse que não gosta muito do trabalho porque é “cansativo”. Ele recebe, em média, R$ 500 por mês. “Eu vou voltar para a Bolívia. Queria estudar Turismo e trabalhar com isso. A costura é só para sobreviver”, projetou.

A Zara foi avisada do flagrante no momento da ação pelos auditores fiscais e convidada a ir até a oficina de costura, mas não compareceu.

No dia seguinte, compareceram à sede da SRTE/SP dois diretores, que não quiseram participar da reunião de exposição dos fatos,. Até o advogado da empresa foi embora sem ver as fotos da situação encontrada. Somente duas advogadas da intermediária Aha (que no início da reunião se apresentaram inicialmente como advogadas dos donos das oficinas e até dos trabalhadores) participaram da reunião com os auditores fiscais. A empresa não providenciou sequer alimentação às vítimas, que ficou a cargo do sindicato da categoria.

Fluxograma

A intermediária na contratação das duas oficinas em que houve libertações é a AHA Indústria e Comércio de Roupas Ltda. No período de abril a junho deste ano, a produção de peças para a Zara chegou a 91% do total. A SRTE/SP descobriu que há 33 oficinas sem constituição formal, com empregados sem registros e sem recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) contratadas pela AHA para a executar a atividade de costura.

Por meio de análises de documentos da empresa AHA, incluindo contábeis, a fiscalização verificou que, neste mesmo período, mais de 46 mil peças foram produzidas para a Zara sem nenhuma formalização.

Durante o período auditado pela fiscalização (julho de 2010 a maio deste ano), a AHA foi a fabricante da Zara que mais cresceu em faturamento e número de peças de roupas faturadas para a marca, a ponto, na descrição da SRTE/SP, de se tornar a maior fornecedora da Zara na área de tecidos planos. Entretanto, chamou a atenção dos agentes que, nesse mesmo período, a empresa diminuiu o número de empregados formalizados. Os contratados diretamente da AHA passaram de 100 funcionários para apenas 20 (gráfico abaixo). A redução do  de trabalhadores na função de costureiros foi ainda mais drástica: dos anteriores 30 para cinco funcionários exercendo a função.

“O nível de dependência econômica deste fornecedor para com a Zara ficou claro para a fiscalização. A empresa funciona, na prática, como extensão de logística de sua cliente preponderante, Zara Brasil Ltda.”, sustentam os auditores fiscais do trabalho que estiveram à frente da investigação.

Foi apurado que até a escolha dos tecidos era feita pelo Departamento de Produtos da Zara. Mas o fabricante terceirizado encaminhava peças piloto por conta própria para a matriz da Zara (Inditex) na Espanha, após a aprovação de um piloto pela gerente da Zara Brasil. Somente após a anuência final da Europa, o pedido oficial era emitido para o recebimento das etiquetas. Na opinião de Luís Alexandre Faria, auditor fiscal que comandou as investigações, a empresa faz de tudo, porém, para não “aparecer” no processo.

Para a fiscalização trabalhista, não pairam dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram “ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc.”

Os 52 autos de infração foram lavrados em nome da Zara. “A empresa tem responsabilidade por quem trabalha para ela. Esses trabalhadores estavam produzindo peças da Zara, e seguindo determinações da empresa”, coloca Giuliana. É a chamada responsabilização estrutural, completa Luís. “Essa é a atividade fim da empresa, a razão de sua existência. Portanto, é dever dela saber como suas peças estão sendo produzidas”.

A confecção de uma calça gerava ao dono da oficina terceirizada R$ 6, em média. Este valor era dividido em três partes: R$ 2 para os trabalhadores; R$ 2 para as despesas com alimentação, moradia e outros custos; e R$ 2 para o dono da oficina. Após a produção na oficina, a intermediária (AHA) recolhia a produção e encaminhava as peças à lavanderia, também terceirizada. Depois, o produto ainda era acabado e embalado para ser entregue à Zara.

Após os flagrantes, os trabalhadores compareceram à SRTE/SP, onde foram colhidos depoimentos e emitidas as carteiras e as guias de Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. Parte das vítimas já havia dado entrada na documentação obter o visto de permanência no Brasil.

As verbas rescisórias, que acabaram sendo pagas pela intermediária AHA, totalizaram mais de R$ 140 mil. As contribuições previdenciárias sonegadas e pagas a posteriori somaram cerca de R$ 7,2 mil. Já as contribuições sociais e ao FGTS sonegadas chegaram à R$ 16.,3 mil


Primeiro flagrante de trabalho escravo na cadeia produtiva da Zara foi em Americana (Fotos: BP)

Repórter Brasil entrou em contato com a AHA, que preferiu não responder especificamente ao conjunto de perguntas enviadas. A advogada da fornecedora da Zara enviou apenas uma nota escrita em que declarou que a emrpesa “jamais teve conhecimento da utilização, pelas oficinas contratadas, de mão de obra escrava; jamais teve qualquer participação na contratação dos funcionários de referidas oficinas; e, assim que tomou conhecimento de irregularidades constatadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, imediatamente adotou todas as providências necessárias à regularização”.

A intermediária alega ainda que “prestou serviços não só à Zara, como a outras empresas” e “que repudia toda e qualquer utilização, por quem quer que seja”, de trabalho análogo à escravidão.

Calças

O primeiro flagrante de oficina em condições degradantes com pessoas costurando peças para a Zara se deu em Americana (SP), interior de São Paulo, no final de maio. Motivada pela denúncia de um trabalhador, a ação foi realizada pela Gerência Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) de Campinas (SP), pela Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região (PRT-15) e pela Polícia Federal (PF). A Vigilância Sanitária de Americana foi chamada a atuar e interditou os alojamentos. Os empregados não foram retirados por causa da inexistência de abrigos para este fim no município.

Foram encontrados 52 trabalhadores, sendo cinco deles brasileiros. O restante do grupo era formado por bolivianos. Na oficina de Narciso Atahuichy Choque, os empregados eram submetidos à jornada exaustiva e expostos a riscos. Além disso, muitos trabalhadores foram aliciados na Bolívia e chegaram ao Brasil devendo o valor da passagem.

O alojamento e o local de trabalho estavam em condições degradantes e insalubres. Havia risco de incêndio devido à sobrecarga nas precárias instalações elétricas. Poderia haver explosão, por causa dos botijões de gás de cozinha nos quartos.

A oficina funcionava em um imenso galpão de dois andares. No andar superior, ficavam os alojamentos e a cozinha. No inferior, as máquinas. A fiação elétrica estava exposta e o local era muito sujo. Havia um bebedouro, porém somente um copo plástico para todos dividirem. Os pequenos quartos abrigavam famílias inteiras e grupos de até cinco trabalhadores. Alguns cômodos tinham alimentos espalhados, armazenados de forma inadequada.

Um grupo de trabalhadores costurava uma calça jeans da Coleção Primavera-Verão da Zara. Cada trabalhador fazia uma parte da peça e o valor de, em média, R$ 1,80, era dividido pelo grupo todo, composto por sete pessoas. O dono da oficina afirmou que trabalha há cinco anos com a intermediária Rhodes e que aproximadamente 70% da sua produção é destinada à empresa. A oficina é especializada em calças e bermudas. Uma funcionária da Rhodes costuma visitar e verificar as condições e o ritmo de produção da oficina.

Após a fiscalização, a Rhodes pagou as verbas rescisórias de cada trabalhador. A fiscalização foi à nova oficina de Narciso, em 26 de junho, e constatou melhorias. Entre elas, o registro de todos os funcionários, regularização migratória, submissão de costureiros a exames médicos.




Mistura entre espaço familiar e de trabalho, instruções e peça piloto (Fotos: SRTE/SP e BP)
De acordo com auditores fiscais  da GRTE de Campinas (SP), houve adequação da instalação elétrica e melhora do espaçamento entre as máquinas. Os trabalhadores agora utilizam cadeiras com melhores condições ergonômicas e de conforto. A iluminação também foi melhorada e os equipamentos de incêndio estão todos válidos e sinalizados. As saídas de emergência foram demarcadas. “Com a mudança da oficina e a suspensão da interdição, grande parte dos trabalhadores voltaram a trabalhar de forma regular nas novas instalações da mesma oficina”, discorre a auditora Márcia Marques. Foram lavrados 30 autos de infração contra a intermediária Rhodes pelas irregularidades encontradas. Nove autos se referem às questões trabalhistas e as demais infrações estão relacionadas à saúde e segurança do trabalho. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a Rhodes pelos telefones da empresa.

Made in Brazil
Em resposta a questões sobre os ocorridos enviadas pela Repórter Brasil, a Inditex – que é dona da Zara e de outras marcas de roupa com milhares de lojas espalhadas mundo afora – classificou o caso envolvendo a AHA e as oficinas subcontratadas como “terceirização não autorizada” que “violou seriamente” o Código de Conduta para Fabricantes.

De acordo com a Inditex, o Código de Conduta determina que qualquer subcontração deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do Código do Conduta é obrigatória para todos os fornecedores da companhia e foi assumido pelo fornecedor em questão (AHA).

A empresa disse ter agido para que o fornecedor responsável pela “terceirização ão autorizada” pudesse “solucionar” a situação imediatamente, assumindo as compensações econômicas dos trabalhadores e comprometendo-se a corrigir as condições de trabalho da oficina flagrada com escravidão.

Haverá, segundo a Inditex, um reforço an revisão do sistema de produção da AHA, assim como das outras empresas no Brasil, para garantir que não exista outro caso como este. “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”.

Em 2010, a Inditex produziu mais de 7 milhões de unidades de peças no Brasil, desenvolvidas, segundo a empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam “mais de 7 mil trabalhadores”. O total de peças que estava sendo produzido irregularmente (algumas centenas de peças), adicionou a Inditex, representa “uma porcentagem inferior a 0,03%” da produção do grupo, que é um dos maiores do mundo no segmento, no país.

A maior parte dos produtos do grupo que comanda a Zara é feita na Europa. Metade é confeccionada em países como Espanha (onde a empresa mantém fábricas próprias) ou Portugal. Outros 14% são fabricados em outras nações europeias como Turquia e Itália. A produção no Brasil corresponde a algo inferior a 1% do total. Em 2010, 30 lojas da Zara já estavam em funcionamento no país. São cerca de 2 mil profissionais contratados diretamente.

“No que se refere à presença comercial, o Brasil é o terceiro mercado mais importante da Inditex no continente americano, ficando atrás somente dos Estados Unidos e do México”, colocou a empresa, que manifestou intenção de não abandonar a produção no país. “A Inditex prevê seguir crescendo no Brasil com a abertura de novas lojas a curto, médio e longo prazo”.

*A jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções

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Vocês acham que realmente é um caso isolado? Eu pessoalmente não acredito, basta fazer uma busca e encontrar denúncias de ONGs super sérias com mais denúncias contra a Zara e outros grandes magazines. Desde denúncias de utilização de algodão com trabalho escravo a exploração em países mais pobres ainda como Bangladesh.

Mais matérias sobre o assunto aqui no Coletivo Verde:

Conheça o passado de suas roupas
Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa – Reporter Brasil
O impacto da Fast Fashion na vida de milhões de pessoas

Fontes: Video A Liga / Matéria Bianca Pyl e Maurício Hashizume – Ong Repórter Brasil

Sobre o Autor: Guilherme Augusti Negri ( @coletivoverde | G+ )

Guilherme Augusti Negri

Empreendedor com veia social e ambiental e músico por hobby. Fundador do Coletivo Verde.

Site: http://www.coletivoverde.com.br - Veja todos os artigos de

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  • Roberto Mathias

    Absurdo em plena capital paulista pessoas sendo exploradas como na China Comunista.

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  • Pingback: Zaranagem… « Blog do Chico Andrade()

  • Nani

    Alinada?  Enterpretação? Meu Deus, vamos primeiro saber escrever antes de criticar qualquer coisa. Um absurdo realmente as condições dessas pessoas, e o pior é saber que eles têm medo de “perder” o “emprego”. Agora, o sensacionalismo que estão fazendo em nome da ZARA, deveria ser passado para muitas lojas e marcas que vendem suas peças a preços ridículos… ou vocês pensam que estão sendo “espertos” em comprar aquela “blusinha” a R$ 19,00? Ninguém faz milagre. Existe quem compre por R$ 7,00 e vende a R$ 139,00… mas e quem vende a R$ 19,00… pagou quanto? Tenho certeza de que isso deveria entrar na consciência de muitos, que adoram ir à 25 de março e comprar nas barraquinhas que nunca tiveram um imposto para pagar… ou então, desfilar com aquela bolsa maravilhoso do “Stand”…quem fez essa bolsa? Deixem que a Zara se acerte com a Justiça, e vamos tomar um pouco de atitude também. Adoram recriminar os “ricos”… como aconteceu a pouco tempo com a Daslu. Ok, ela pagava U$ 10,00 no lenço e vendia aqui a R$ 200,00… mas já pararam para pensar que quem comprava queria pagar isso? Alguém foi forçado a pagar esse preço? Realmente, as vezes é melhor pagar R$ 10,00 um lenço e ser feito por um boliviano, né? Vamos pensar gente!

  • Lecor

    Pessoas…o assunto aqui não é ZARA ou C&A, o tema abordado é simplesmente a questão do trabalho escravo. Tem coisas muito pior do que isso, ou vocês, pessoas inteligentes, acham que está certo a forma que isso foi conduzido pelo nosso Ministério do Trabalho. Tentem se aposentar por tempo trabalhado e vejam o tempo que demora. O problema vem de cima, vem de nossos governantes corruptos e que brigam pelo BRASIL melhor. Agora fazer da ZARA o bode expiatório é um absurdo! Compro ZARA, vou continuar comprando, pois acho que a menos culpada é a ZARA. Se existe brechas em nossas leis para isso acontecer, simplesmente acontece! Antes de pensar em trabalho escravo vamos trabalhar para pagar o Bolsa Família de nossa população, afinal o milagre da classe D virar classe C vem através do seu(meu e nosso) trabalho registrado em carteira e descontando aquele monte de impostos em seu holerite, registrados desse país. Trabalhem muito e de forma escrava para seu governo, isso sim é trabalho escravo. Saibam identificar a verdadeira forma do trabalho e como isso foi exposto. Afinal temos segurança de primeira-linha, escolas modelos e hospitais, nossa todos são igual ao São Luis em São Paulo. Acho que entenderam a diferença de trabalho escravo nas devidas proporções. Preciso falar dos presidiários que deveriam trabalhar para costurar ZARA a 0,10 centavos? Tadinho deles mataram nossas famílias e continuam matando. Quanto sensacionalismo. Fico chocado em ver gente chocada com isso. Percam mais tempo se informando do que criticando, que o trabalho escravo é você , eu e quem trabalha!

  • E Clyma

    Há muito tempo não compro nada “made in China”, “…Vietna”, etc. pois sei (como todos sabemos) as condições de trabalho dos empregados naqueles países; quanto à “Zara”  – e todas as outras empresas que são denunciadas pela mídia – minha atitude é sempre a mesma: NÃO COMPRO MAIS. PONTO. SIMPLES ASSIM!!! Acho que já está na hora de começarmos a pensar “com nosso próprio cérebro” e ver com “nossos próprios olhos”, ou pelo menos, TENTAR! Quando começamos a PENSAR antes de comprar, temos condições de, como formiguinhas, começarmos a melhorar um pouquinho esta fase pela qual está passando a humanidade. E O PLANETA AGRADECE. AMÉM!

  • Zica

    Sabemos do trabalho escravo há muito, aqui em São Paulo e em outras partes do mundo.  Agora há todo esse auê porque se trata da Zara…..
    Quando um pobre é assassinado, nada se faz; já quando é um rico…..
    É a mesma coisa no caso da Zara: dois pesos, duas medidas.   Mundo cão!

  • Parabéns pela reportagem, são reportagens como essas que conscientizam as pessoas e encorajam  a fazer cada vez mais denuncias desse absurdo. 

  • Parabéns pela reportagem, são reportagens como essas que conscientizam as pessoas e encorajam  a fazer cada vez mais denuncias desse absurdo. 

  • Parabéns pela reportagem, são reportagens como essas que conscientizam as pessoas e encorajam  a fazer cada vez mais denuncias desse absurdo. 

  • Thiagoazevedo

    Cara, com todo o respeito, você esta falando besteira. Ponha-se no lugar de cada um daqueles trabalhadores que se tornaram refens, que trabalham 16 h por dia sob pena de passarem fome, serem deportados ou coisas assim.

  • FABRICIO

    É UMA VERGONHA!
    EU PARTICULARMENTE GOSTAVA MUITO DAS ROUPAS DA ZARA, POR SEREM MODERNAS E BARATAS, MAS AGORA COM O ACESSO A ESTAS INFORMAÇOES, NEM CONSIGO MAIS USAR AS ROUPAS,… VOU DOAR TODAS COM A MARCA ZARA E NÃO COMPRAR MAIS !!!!!

  • revoltado

    COMPLICADO!!

     SE VC CONTRATA UMA MARCENARIA PRA FAZER UM MOVEL, O MINISTERIO DO TRABALHO DESCOBRE QUE TEM MARCINEIRO IRREGULAR TRABALHANDO AI VC EH O CULPADO?? TEMOS QUE AUDITAR ISTO TAMBEM?

    O CULPADO EH O BOLIVIANO DONO DA OFICINA!!!

  • Jorge

    Você é um idiota, sinto muito por você.

  • Jorge

    Então as empresas grandes que se danem. Tem de ter preocupação social sim. Chega de exploração de mão de obra. 

  • Jorge

    É que nesse meio, a moda, está cheio de gente burra e que considera o consumidor como burro.

  • Jorge

    É que nesse meio, a moda, está cheio de gente burra e que considera o consumidor como burro.

  • revoltado

    e o GOVERNO nao vai ser multado pelos pedreiros irregulares nas obras da escola ??
     

  • Marcelo_santana

    Esse negócio de trabalho desumano é HIPOCRISIA. O mundo inteiro compra produtos chineses e ninguem fala nada sobre o trabalho desumano na China.
    A minha preocupação é : Se a Zara não sabe onde suas roupas são feitas, não sabe se quem esta fazendo tem lepra ou qual o grau de higiene do lugar.

  • Contato

    Para quem não sabe sou formada em
    Direito há um pouco mais de 6 anos, durante esse tempo fiz pós em
    direito do trabalho, advoguei por 3 anos e trabalho há mais de 3 no
    Tribunal… ou seja, o blog é só passatempo mesmo!
    Durante todo esses anos jurídicos
    aprendi duas coisas, a primeira é que não se chega a nenhuma conclusão
    correta ouvindo apenas uma parte e a segunda é que não devemos acreditar
    em tudo o que lemos. Não estou aqui para defender, nem condenar a Zara,
    mesmo porque juridicamente falando nada foi comprovado para ambos os
    lados, mas tenho que assumir que o rumo dessa discussão tem me deixado
    um pouco preocupada!

    Acho que as pessoas estão confundindo um
    pouco os conceitos nessa história, vejo muita gente indignada porque
    paga R$ 150,00 em uma peça que custou R$ 2,00 para confeccionar, mas
    poucas que realmente estão preocupadas com a seriedade da discussão.

    Digo isso porque, a prática de
    terceirização adotada pela Zara, e por quase todas as grandes redes de
    vestuário, funciona assim mesmo, não vale a pena, financeiramente
    falando, manter uma fábrica cheia de funcionários… isso vai encarecer os
    custos da produção e diminuir os lucros das empresas. Por isso, as
    empresas contratam empresas terceirizadas, que por sua vez vão contratar
    mão-de-obra barata e garantir que o preço do produto seja baixo.

    Independentemente de ser justo ou não o
    preço cobrado pelas peças, mão-de-obra na área de confecção é mesmo
    muito barata, e de fato, não é digno pagar R$ 2,00 pelo trabalho de
    alguém, mas aqui ainda é possível ver uma certa autonomia dos
    empregados, apesar do baixo valor, não há qualquer ilegalidade na
    contratação.

    Situação bem diferente é o “truck
    system”, a chamada escravidão moderna, onde a grosso modo, os empregados
    basicamente trabalham para pagarem suas dívidas com o empregador, eles
    geralmente são trazidos de outras regiões e já chegam devendo o valor da
    passagem, hospedagem, comida e outros gastos pessoais, no fim
    trabalham, mas não recebem um tostão.

    Agora resta saber o que realmente
    aconteceu e até que ponto a Zara tinha conhecimento das práticas de suas
    terceirizadas. Acho que se ficar comprovado efetivamente que houve
    “truck system”, todos devemos colocar SIM a mão na consciência e rever
    nossos valores, meu guarda roupa vale mais do que tratar dignamente as
    pessoas?

    Antes que alguém fale, não acho
    hipocresia me insurgir contra esse tipo de situação, não é porque sei lá
    quantas empresas fazem esse tipo de coisa que vou assistir e aceitar!
    Também não acho que alguém precisa ser beato ou canonizado para ter
    direito de discordar de uma situação, eu não consumo e não defendo
    empresas que exploram mão-de-obra escrava! E se a Zara fez isso… perdeu
    uma cliente, por mais que alguém pense que tanto faz, que sou apenas uma
    pessoa perto dos milhões de clientes da Zara, não me importo, para mim
    basta minha consciência tranquila.

    Me recuso a aceitar uma situação absurda dessas e partir para o “já que tá tudo errado, vou fazer tambéml!”

  • Fernando

    Ah Blz, fechamos a rede de lojas da Zara e vai todo mundo pra rua.. inclusive liberdade para os escravos!! Abolição Já! ahahahahahahah…

  • Elana

    Sua resposta foi simples e completa, parabéns… Eu gostaria de saber se essas pessoas que estão aqui a defender a Zara ou qualquer outra, não se importariam, por exemplo, de beber água contaminada em um restaurante, e depois quando tivessem internas em algum hospital, doentes, também não iriam exigir do restaurante a proedencia do produto para punir o culpado….. DETALHE: seja esse restaurante… RICO OU POBRE…. DUVIDO QUE NÃO!!!

  • Ola Adriana, muito obrigado pelo comentário =)

    É de responsabilidade da Zara zelar por sua cadeia produtiva, inclusive legalmente, independente se ela esta terceirizada ou quinterizada. Não há qualquer argumento legal ou de mercado que isente a responsabilidade da empresa.

    Sobre os valores acredito que as pessoas estão indignadas pois sabem do poder econômico da Inditex, dona da Zara,  ela é uma das maiores empresas do mundo e poderia usar todo este poder para melhorar a sociedade e as pessoas e não promover a escravidão. 

    A hipcrosia revolta, ela vende o o luxo e promove a miséria, não há quem não fique revoltado. 

    Lembrando que este não é um caso isolado da empresa, a Zara é uma das precurssoras do fast fashion, esta loucura de produção e consumo rápido e esta envolvida em diversas acusações de  trabalho infantil, trabalho escravo e trabalho mal remunerado em diversos países sendo as mais recentes em Bangladesh.

    O principal argumento de defesa da Zara é que ela mantém uma rede de fiscalização e auditoria, ok, mas aonde estão estes dados? Por que não há transparência em divulgar as oficinas fechadas, regularizadas ou um relatório claro e objetivo dos fornecedores? Sem transparência nunca há verdade.

    E concordo com você, não é por que muitas pessoas fazem errado que eu farei também, ao contrário, é a responsabilidade por mudar ainda é maior.

  • luciana

    Como li em um comentario em outro blog, vamos ter que começar a costurar nossas proprias roupas, jogar fora nossas tvs de tela plana, celulares, eletronicos,etc, enfim teremos que voltar a epoca em que cada familia plantava seu algodão, fiava, para finalmente ter sua roupinha… Não quero que ache que sou a favor de qualquer tipo de exploração, mas a questão é muito mais complexa, deixar de comprar sua roupichia, infelizmente não muda nada!!!!

  • luciana

    Não sei se me expressarei da forma correta, mas vamos lá, Trabalho escravo é absurdo. Exploração inaceitavel, entretanto a comoção geral dá a falsa impressão de que este foi um fato inedito, que nunca tinhamos visto antes e por isso tanta fumaça. O problema é que isso não é novidade, é um problema mundial e proporções enormes, que causa grande impacto não só na vida das pessoas como na economia global. è claro que as condições de trabalho para estas pessoas são pessimas, mas em uma das entrevistas, o trabalhador diz que na Bolivia estaria ainda pior. Não, isso não me conforta, mas o problemas é mais em baixo, sempre haverá exploradores e explorados.  Na reportagem é mencionado que o trabalhador ganha 500,00 por mes, gente isso é quase um salario minimo, e quanta gente vive nesse pais com 545,00 por mes. Isso tambem é remuneração escrava. Mas ninguem sai por ai levantando bandeira(o que seria muito justo). Acho que este caso só teve repercussão porque envolveu uma grande marca, quantas loja na Jose Paulino tambem utilizam este tipo de mão de obra?????Como eu disse em um outro comentario: Será que as pessoas estão indginadas pelo trabalho escravo, ou pelo fato desse trabalho escravo esbarrar em suas vidinhas coloridas.

  • uma empresa do tamanho da Zara, Marisa e outras, trabalham com Auditores que fiscalizam as empresas tercerizadas, uma empresa qderrepente passa de 100 p/ 20 funcionarios e q produz a mesma quantidade de peças ou mais só com esses 20 funcionarios, alguma coisa aconteceu? vc acha q os auditores, tão preocupados com numeros não, saberiam disso?

  • uma empresa do tamanho da Zara, Marisa e outras, trabalham com Auditores que fiscalizam as empresas tercerizadas, uma empresa qderrepente passa de 100 p/ 20 funcionarios e q produz a mesma quantidade de peças ou mais só com esses 20 funcionarios, alguma coisa aconteceu? vc acha q os auditores, tão preocupados com numeros não, saberiam disso?

  • revoltado

    Quero ver a LIGA fazer um documentario sobre a situacao trabalhista das produtoras terceirizada contratadas pela TV Bandeirantes.

  • Nani

    Jorge, devemos começar a ter educação e respeito ao próximo antes de qualquer coisa. Mesmo que você não se encaixe nessas pessoas, o mínimo a se fazer é ter educação. Como queremos cobrar respeito das pessoas? Vamos pensar um pouco… tira a Zara do foco, e pense na sua educação.

  • Nani

    Jorge, devemos começar a ter educação e respeito ao próximo antes de qualquer coisa. Mesmo que você não se encaixe nessas pessoas, o mínimo a se fazer é ter educação. Como queremos cobrar respeito das pessoas? Vamos pensar um pouco… tira a Zara do foco, e pense na sua educação.

  • Nani

    Estou chocada com muitas coisas, inclusive com o espanto de todos! As condições sub-humanas é um absurdo e precisa ser punida, mas se fazerem de “chocados” e “indignados”? O mais engraçado é que as pessoas estão chocadas porque estão se sentindo “enganadas” também por pagarem R$ 100,00 na mercadoria que custou R$ 10,00…. Pensem…. é melhor mesmo ir até aqueles outros magazines beeeem mais baratos, e pagar R$ 19,90 por um vestido… com certeza quem o fez deve ter ganhado muuuuuito!!! Ah, aproveitem e passem no Stand Center, ou naquela barraquinha super barata… PAREM DE SUSTENTAR ESSE TRABALHO ESCRAVO! NINGUÉM FAZ MILAGRE! TODO MUNDO QUER PECHINCHA E NUNCA PENSARAM QUE PARA PAGAR BARATINHO ALGUÉM SE FERROU! Vejo preços que não cobriria o custo se fosse digno!!! Vamos aproveitar essa situação e pensar um pouquinho em quem estamos sustentando. Ah, inclusive acredito que muita gente que está criticando a Zara, e não só o trabalho escravo, deve estar digitando com o computador comprado na santa Efigênia, e o mouse da 25… É caro comprar em uma loja né? Afinal, ela tem que embutir no produto o imposto, os funcionários, o aluguel, o ponto… melhor mesmo é comprar na barraquinha… que esconde a loja digna com um cavalete, e não paga para estar ali!!!!!!

  • Cicci

    INFELIZMENTE

    TODAS AS MARCAS QUE FABRICAM roupas, tenis,sapatos..e outros produtos de tecnologia, etc….fazem uso de mão de obra escrava, eles sabem que isso existe por parte da terceirizada,mas fingem que não sabem. Nike faz isso na ìndia, os próprios Chineses fazem isso com o próprio povo. E tem muita coisa suja que a gente nem sabe que rola.

  • Flávio.

    Pessoal, não vamos ser hipócritas e encarar como uma novidade! TODO  MUNDO sabe que a NIKE tem, praticamente, o mesmo esquema de produção, só que fora do país e a maioria das pessoas que compra qualquer roupa de marca, sabe que está pagando mais pelo STATUS do que por qualidade! 

    Essa hipocrisia já deu! Assim como as roupas, está virando moda ser revolucionário de sofá ! (inclui-se aqui todos que querem mudar o mundo, via twitter e afins e não com atitudes.)

  • morgana

    “Compro ZARA, vou continuar comprando, pois acho que a menos culpada é a ZARA. Se existe brechas em nossas leis para isso acontecer, simplesmente acontece!”É difícil manter a educação com uma pessoa que diz isso. Está indignado com o Bolsa Família, mas acha que tudo bem alimentar esse sistema de escravidão. Ok, fortão. Vá lá fazer suas comprinhas!

  • Jaiajifjaija

    Você fala que é caro comprar em uma loja pois o produto fica encarecido com todos os impostos que devem se cobrados e os gastos dos produtos, mas a matéria é clara em dizer que comprar em lojas com os produtos encarecidos não quer dizer nada. Afinal nada mais justo pagar R$ 139,00 numa blusa. O que não estaria por trás desse preço? Impostos, trabalhadores, aluguel, etc etc etc. Entretanto, a realidade mostrada é outra!!! Do que adianta comprar em lojas assim? O difícil é saber o que fazer quando enxergamos a realidade. 

  • Jajajajiea

    Muda sim! Se todas as pessoas tivessem a dignidade de fazer isso, com certeza mudaria muito. Agora, existem pessoas sem caráter e pra elas foda-se os outros. E como esse tipo de pessoas como você são maioria, realmente fica difícil acreditar na mudança. Mas que pelos menos as pessoas dignas façam o que é certo.

  • Yahoobeleza

    Ah sim né? Os outros trabalharem no regime escravo pode. Vc não? Rsrsrs… 

  • Yahoobeleza

     Nani vai lavar uma roupa suja. O Jorge está certo! Pessoas idiotas existem e isso é fato. Não é uma questão de falta de educação perceber o quanto uma pessoa é idiota. É questão de inteligência. Burrice é achar que pq uma pessoa identificou outra como ela é é falta de educação. Tão burra você que não sabe nem articular suas idéias. Cérebro de azeitona!

  • Yahoobeleza

    Thiago, é perda de tempo achar que pessoas como ele seriam capazes de ter a sensibilidade de se colocar no lugar do outro. Esse tipo de pessoa (egoísta) as vezes não aprende nem com a vida. Já vi pessoas em que mesmo na hora em que caem numa cama de hospital, dependendo dos outros pra comer, se limpar e vêem o quanto não são nada, nem assim aprendem a respeitar o outro. Infelizmente existem pessoas assim. Que nem a vida consegue ensinar.

  • Jujusaloma

    Eu queria mais é que vc pegasse lepra com as suas roupas. Quanta ignorância… hahahah Como se lepra pegasse assim… Mas outras doenças vc pode pegar de formas que nem imagina… e até merecia mesmo pra ver se a doença te ensina o que vc não aprendeu

  • luciana

    Desculpe, jajajajieea mas  voce tem tanto carater porque não tem coragem nem de se identificar com um nome????não entendi qual é a sua de me chamar de mau carater. voce nem me conhece, ou sera que voce é do tipo que avalia o livro pela capa? Faça o que acha melhor da sua vida se não quer mais comprar na loja x ou y problema seu, se acha que isso vai mudar o mundo, continue vivendo assim: no pais das maravilhas. Eu so acho que sair por ai xingando os outros não é produtivo, use toda essa sua raiva e rancor contra o mundo e canalize para promover mudanças efetivas, quando tiver ideias efetivas e não apenas romanticas conte comigo, por hora educação ja basta, com certeza é uma grande maneira de mudar o mundo.

  • Nani

    Parabéns Luciana, com classe!

  • Nani

    Morgana, acho que você não entendeu o texto direito. Pelo que entendi, ninguém está achando certo alimentar esse absurdo, apenas mostrando que é tão mais fácil olharmos o umbigo do vizinho… Você já conheceu algum beneficiado do Bolsa Família? Pois então, quando você ouvir um “pai de família” não querer trabalhar porque “vale mais a pena” receber do governo, acho que sua opinião vai mudar.

  • Nani

    Yahoobeleza… e ainda sou eu quem não consigo articular as ideias… Vamos lá, apenas para você saber, a gramática foi mudada e ideia não tem mais acento. Bom, mas acho que seu cérebro deve ser bem maior do que o meu. Nunca comentei em blogs porque nunca tive tempo para isso. Trabalho, tenho família, tenho amigos, e graças a Deus tenho saúde. Achei que seria interessante porque poderia ser uma troca de ideias, e não essa baixaria. Burra… me chamar de burra, ou um outro de idiota? Você sabe o que é uma pessoa idiota? Você já teve um filho idiota? Espero que não… afinal, esse termo foi dado para pessoas com problemas mentais, e acredito que vocês dizem isso sem a intenção, mas pode machucar muita gente. Realmente acho que você deve continuar dando seus depoimentos interessantes, e por um momento, concordo com você… fui um tanto burra em participar de uma coisa tão fútil e sem função. Apenas um conselho… se tiver um filho, procure rever seu vocabulário.

  • Nani

    Cuidado com aquilo que você deseja!

  • Nani

    Como é bom encontrar ideias diferentes sendo expressadas com respeito.

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  • Vocês podem continuar generalizando e julgando todos pela sua “vidinha colorida” mas eu realmente não sabia que isso acontecia. Quando estava assistindo ao programa aqui no site, me senti a pessoa mais estúpida do mundo porque achava que esse absurdo era um problema da China e não do Brasil. Não tenho uma vidinha colorida, sou estudante de moda e espero poder fazer parte do grupo de profissionais que irá mudar essa realidade (Sim, eu acredito que isso é possível) e discordo totalmente com as generalizações feitas aqui. Nem todos sabem de todas as atrocidades que acontecem no mundo e nem todas as grifes usam mão-de-obra escrava.

  • A minha dúvida é, como evitar ser cúmplice desses absurdos na prática. Absolutamente todas as roupas e produtos produzidos na China e em outros países pobres (Como o nosso) usam mão-de-obra escrava? Como saber se um produto é “correto” ou não? O que e como nós podemos fazer?